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Quando a comida não nos sai da cabeça.


“O Cozinheiro” e “O Outono”, obras de Giuseppe Arcimboldo.

Arcimboldo (1527-1593) nasceu e morreu em Milão, mas foi em Praga, como pintor e artista “oficial” dos imperadores, nomeadamente no tempo de Rudolph XI, que se tornou conhecido. Nas suas pinturas combinava diversos elementos concretos, quase sempre ligados à natureza, como flores, frutos e plantas, para compor retratos. “O Outono”, por exemplo, faz parte da série “As quatro estações”, onde cada rosto é composto pelos elementos que melhor caracterizam a respectiva fase do ano. Enfim, um verdadeiro surrealista, muito antes desta corrente artística surgir no século XX. Ah, se experimentarem virar a cabeça uns 180º (ou pôr o monitor do computador de pernas para o ar), verão que "O Cozinheiro", ainda mais carrancudo, continua lá.

A Frase III

“Diz-me o que comes, eu dir-te-ei o que és.”
Brillat-Savarin

Jean Anthelme Brillat-Savarin (1755-1826) foi um célebre gastrónomo francês, que aos prazeres da mesa juntou uma carreira de advogado e juiz. Adquire o seu último apelido, Savarin, quando uma tia morre e lhe deixa toda a fortuna na condição de ele usar o seu nome. "Physiologie du Goût" (“A Fisiologia do Gosto”) é o título abreviado da sua obra mais conhecida e foi editada apenas dois meses antes da sua morte. Por curiosidade, aqui fica o título completo do livro: Physicologie du Goût, ou Méditations de Gastronomie Transcendante; ouvrage théorique, historique et à l'ordre du jour, dédié aux Gastronomes parisiens, par un Professeur, membre de plusieurs sociétés littéraires et savantes".



“Brillat-Savarin – The judge and his stomach”, de Gilles MacDonogh. Para saber mais sobre o famoso gastrónomo fancês do século XIX.

Filme #1



Bela surpresa, o filme “Bela Marta”, alugado um destes dias na Blockbuster, na sequência de uma oportuna sugestão familiar. Marta é a chefe de cozinha de um restaurante famoso numa cidade alemã e mantém com a culinária uma relação de obssessão e perfeccionismo, à qual nem a fria língua germânica é capaz de retirar qualquer sabor. A cena inicial, em que deitada no divã do psicanalista (para quem cozinha por livre iniciativa), Marta descreve com detalhe a forma perfeita de cozinhar pombos, é absolutamente deliciosa. Noutra sessão, em que descarrega a sua ira devido à dona do restaurante ter contratado um chefe de cozinha “adjunto”, chega a afirmar: “Dois cozinheiros no mesmo fogão é como duas pessoas a conduzir o mesmo carro ao mesmo tempo. Não faz sentido.” Mas o filme conta outra história, simultaneamente paralela e perpendicular ao ego XL dos grandes cozinheiros. E é uma história tão simples e bonita como a fotografia e os ambientes criados para esta primeira longa-metragem de Sandra Nettelbeck, com Martina Gedek no papel de Marta.
Para comer com os olhos, quando não apetecer fast films.

Limão, continuação.


Estas pequenas tartes são apenas um exemplo do que se pode fazer com o Lemon Curd.
Basta fazer uma massa básica de tarte (os mais preguiçosos ou apressados podem já comprar a massa preparada), forrar com ela formas do tamanho desejado e levar a cozer. Depois de arrefecidas as tartes, é só encher com o creme de limão. Uma delícia. Para quem gosta de sabores agridoces.

Amo-te limão.

Para além da paixão por castanhas, tenho uma tara por limões. Gosto de tudo o que leva limão. Bem, tudo, tudo, não. Ainda não aderi, por exemplo, à Frize Limão nem à concorrência “copiona”. Continuo a preferir o velhinho “pneu”. Sem açúcar, claro. Adoro sorvete de limão, tarte de limão, mousse de limão, refresco de limão. Basta uma rodela de limão no jarro da água para torná-la aromática e muito mais refrescante. E já que se aproxima o Natal, não há verdadeiro leite-creme ou genuína calda de açúcar para os sonhos, que não leve uma casquinha de limão. Para não falar do tempero dos pratos ditos “salgados”: os filetes de peixe, a carne que se põe a marinar antes de assar e muitos outros, só têm a ganhar com o sumo deste citrino amarelo. E quando há constipações à vista - sobretudo quando uma barriga cada vez mais proeminente não permite que se tome mais nada - uma das soluções é juntar sumo de limão a uma colher de mel e mummm… que rico xarope. Ora, foi por causa da paixão assolapada pelo limão, que no fim-de-semana passei umas boas horas na cozinha. Não sem antes ter colhido uma dúzia de exemplares directamente do limoeiro de casa dos pais. Algo que, aliás, aconselho vivamente: fica muito mais barato. Do resultado, dou-vos conta no post abaixo.

Receita #3



Lemon Curd (Doce de Limão)

Antes de mais: em quase todas as receitas que vi deste doce de origem inglesa, a manteiga mencionada é “sem sal”. Eu usei a Vaqueiro “clássica” (com sal, portanto), e acho que não ficou nada mal. O açúcar referido é sempre “em pó”. De facto, o açúcar que usei foi quase todo em pó mas, para “contrariar” o sal da manteiga, juntei mais um pouco de açúcar normal e resultou. Julgo que se poderá usar só açúcar normal ou então açúcar amarelo: parece-me que o tempo que está ao lume é suficiente para derretê-lo bem. Mas em cozinha, não há nada como experimentar. Por último, os ingredientes e as quantidades que se seguem são as que eu utilizei.


4 limões (aproveitar raspa e sumo)
4 ovos
125 g manteiga ou margarina
385 g de açúcar (preferencialmente em pó)

Num recipiente que dê para levar ao lume dentro de outro com água (banho-maria), misturar a raspa e o sumo dos limões, o açúcar, a manteiga (ou margarina) e os ovos já ligeiramente batidos. Com o lume no médio, mexer continuamente até a manteiga (ou margarina) derreter por completo, usando para tal uma colher de pau ou um batedor de varas. Depois, pode-se baixar o lume e deve-se continuar a mexer frequentemente até o creme espessar. Não é preciso o creme ficar demasiado espesso, pois ele vai engrossar depois de arrefecer. Bastam uns 35/40 minutos ao lume (a receita que segui de forma mais fiel falava em 20 minutos, mas não achei suficiente). Dá-se a cozedura por terminada quando o creme se apresentar brilhante e escorregar muito lentamente pelas costas da colher de pau. Depois, é só verter o doce para frascos previamente esterilizados, fechá-los, deixar arrefecer e guardar no frigorífico. Ou então, usá-lo logo que arrefeça para rechear bolos, tartes ou crepes, servi-lo tipo compota com scones ou… comê-lo às colheradas!
Ainda segundo as receitas consultadas, este doce aguenta no frigorífico cerca de duas semanas.