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Desejos

Gostava de cozinhar mais vezes. Mas sem pressão de tempo nem de gostos. Para a família, por exemplo, é quase impossível praticar a segunda modalidade: a minha mãe gosta pouco de inovações, a minha tia mais chegada acha que tudo o que sai fora do bife grelhado e do arroz branco lhe faz mal. Quando cozinho só para os lá de casa, o cenário não melhora substancialmente: o Pirata já pode comer “de tudo”, o que na prática quer dizer que tenho de adaptar o menu familiar ao paladar e ao organismo de um piolho de 16 meses. Mas mesmo que pudesse aventurar-me em experiências culinárias mais sofisticadas, a tarefa não se mostrava fácil: cozinhar com um bichinho carpinteiro a rondar constantemente as nossas pernas, a abrir as gavetas e a atirar o respectivo conteúdo para o chão (um dia destes tenho de pedir desculpas aos vizinhos), a trilhar os dedos e a solicitar o irrecusável consolo, não é fácil. Sim, eu sei que há uns bloqueadores de portas e gavetas, e tenho esses bloqueadores. Só que volta e meia esqueço-me de fechá-los ou então descolam, sobretudo em dias de calor.

Gostava de saber mais sobre cozinha, gastronomia e afins. É um facto que os meus livros de cabeceira são deste género literário, mas já sabem o que acontece à maioria dos livros de cabeceira: no dia seguinte ainda estamos na página de ontem. E depois da teoria há a prática, e o que é certo é que tenho muito pouco tempo para ela.

Gostava ainda de seguir uma receita de fio a pavio e não me deparar com a falta de nenhum ingrediente. Ou seja, gostava que o improviso fosse apenas motivado pelo meu estado de espírito naquele instante. Gostava de cozinhar a ouvir música, relaxadamente, acompanhada de um copo de bom vinho, do qual seria capaz de identificar os aromas, as castas e a proveniência, só de o aproximar do nariz. É por isso que gostava de fazer um curso de vinhos. E gostava que todos os meus pratos saíssem estupidamente bem.

Um dia destes peço licença sabática à família e passo umas boas horas na cozinha, sozinha, a exorcizar o stress. E já agora gostava de, no fim, não ter de arrumar a cozinha.

Santos & Populares


Hoje é véspera de São João. Hoje é dia de comer sardinhas assadas (prefiro as pequeninas, panadinhas e fritas, que se comem de um só trago, mas paciência), caldo verde e broa (de Avintes, de preferência). E como um dia não são dias, a sobremesa que me calhou em multa vai ser de chocolate. Amanhã é outro dia. Suspeito que de cabrito.

Quando a carne é forte.


Os sabores argentinos já estão disponíveis aqui bem perto do Porto. O Pasión Argentina fica em Leça da Palmeira, herdando o espaço que foi do restaurante Sensorial.
Não fui lá ainda, nem conheço ninguém que o tenha feito, até porque deve ser bastante recente.
Mas só por me fazer lembrar o memorável jantar no argentino de Salamanca, há uns anos atrás,
já vale a pena ter aberto.

A culpa é das cerejas.

Há dias assim. Em que até a mais esforçada das aspirantes a cozinheira-gourmet não pode nem quer ouvir falar em comida. A culpa é das cerejas. E da gula por elas frias.