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M&M



Maçã & morcela: uma combinação de sucesso da nova cozinha portuguesa.

Esta versão é adaptada de uma receita de Henrique Sá Pessoa, descoberta num livro pequenino que saiu há uns anos numa colecção da revista Activa e que gentilmente me foi oferecida.

A repetir, sem dúvida. Sobretudo nesta época, em que os cestos de maçãs não páram de me chegar a casa :-).

Maçã e morcela salteadas com redução de balsâmico

Para 4

2 dl de vinagre balsâmico
Açúcar - 2 colheres de sopa + 2 colheres de chá
2 maçãs preferencialmente ácidas
Sumo de 1/2 limão
2 colheres de chá de manteiga
8 fatias de morcela cozida
(eu cozi uma morcela inteira e guardei o que sobrou no frigorífico para repetir esta entrada passados alguns dias)
Sal


Levar ao lume um tachinho com o vinagre e duas colheres de sopa de açúcar. Deixar ferver mexendo de vez em quando até reduzir e ficar com a consistência de xarope. Reservar.
Entretanto, colocar a morcela em água a ferver e deixar cozer durante uns 5 minutos. Depois de escorrida e arrefecida ligeiramente, cortar 8 fatias com cerca de 1,5 cm.
Descascar e partir as maçãs aos cubinhos, regando com o limão.
Saltear os cubinhos de maçã na manteiga com 2 colheres de chá de açúcar, até estes adquirirem o ponto desejado
(mais ou menos desfeitos, consoante o gosto), acrescentando um pouco de sal. Reservar. Nesta mesma frigideira, saltear as rodelas de morcela - rapidamente para não secarem.
Servir a morcela por cima da maçã, acompanhadas da redução de balsâmico.


Nota: a receita original pede vinagre de Xerez e tomilho para a redução e não diz para regar a maçã com sumo de limão, mas eu não gosto de estar a descascá-la e a vê-la escurecer. Henrique Sá Pessoa sugere que se tempere a maçã também com pimenta. A sugestão das maçãs ácidas é minha, acho que o contraste ácido-doce enriquece o prato.

Olha a batatinha!



Estas chips de batata doce serviram para acompanhar o rolo de carne do post anterior. Um pequeno pecado, para cometer só de vez em quando.

2 batatas doces médias
Óleo vegetal para fritar
Flor de sal e pimenta preta moída na altura para temperar

Descascar as batatas e cortá-las em rodelas finas, mantendo-as em água enquanto se prepara a fritadeira e aquece o óleo.
Secar bem as rodelas de batata num pano de cozinha e fritar, poucas de cada vez, no óleo bem quente. Atenção que elas ficam douradas muito rapidamente, bem mais depressa do que a batata normal.
Escorrer bem em papel de cozinha e temperar com flor de sal e pimenta antes de servir.

Quando menos é mais.



Um jantar de sexta decidido no último minuto, com alguma improvisação à mistura, podia não dar certo. Mas desta vez o espírito do chef Gusteau esteve comigo e o resultado deu razão à mensagem do filme Ratatouille, de que todos conseguem cozinhar.

A receita que deu origem a este rolo de carne suculento é mais complexa, mais trabalhosa e mais cara também*. Já a fiz mais do que uma vez e sempre com bons resultados, mas esta versão simplificada - por falta de tempo e de ingredientes - não lhe fica nada atrás.

O acompanhamento foram rodelas fritas de batata doce, de que dou conta no post acima.

Rolo de carne no forno com queijo, cebola e tomate


Para 2 pessoas com muita fome!

Para o rolo de carne:
500 g de carne de novilho picada
5/6 fatias de queijo
Alho em pó
Noz-moscada
Salsa picada
Farinha
Sal

Azeite

Para a cobertura de cebola e tomate:

1 cebola média (usei roxa, mas pode ser de qualquer tipo)
1 tomate médio maduro
1 dente de alho
Sal
Azeite



Ligar o forno nos 220º.
Preparar o refogado de cebola e tomate: levar um tacho ao lume com um fundo de azeite, a cebola às meias-luas e o alho picado. Deixar a cebola começar a ficar translúcida e juntar o tomate sem pele e partido aos pedaços, o sal a gosto e deixar cozinhar uns dez minutos ou até o tomate ficar meio desfeito e a cebola amolecida
(eu usei a Bimby, o que evitou que tivesse de estar atenta e sempre a mexer...).

Temperar a carne com sal, noz-moscada, alho (usei em pó para ser mais rápido) e salsa picada. Polvilhá-la com um pouco de farinha de forma a não colar-se nas mãos e envolver bem os temperos formando uma bola. Numa tábua grande ou pano de cozinha enfarinhado, espalmar a bola num rectângulo. Cobrir com as fatias de queijo, deixando uma margem só de carne a toda a volta, e enrolar, tentando unir a carne o melhor possível.
Colocar o rolo num recipiente de ir ao forno pincelado com azeite. Por cima do rolo, espalhar o refogado de tomate e cebola.
Levar ao forno e quando já tiver ganho uma cor bonita, tapar com alumínio para que a cebola não fique queimada. Deverá demorar a assar cerca de 40 minutos.


Servir às fatias com batata frita palha ou às rodelas (usei batata doce, ver post seguinte) e uma salada de rúcula.

*A versão original foi-me dada por uma colega de trabalho, mas sei que é um prato popular em muitas casas portuguesas. A carne deve conter um pouco de chouriço e deve ser temperada ainda com vinho do Porto, levando um ovo para ligar. O recheio original leva também uma camada de fiambre.

Um livro, uma receita #10






Este livro da Mafalda Pinto Leite foi-me oferecido no meu último aniversário. Já me serviu de inspiração algumas vezes, mas ainda não tinha seguido nenhuma das receitas de forma rigorosa.

Há muito que queria fazer panquecas. Crepes faço várias vezes, mas panquecas nunca tinha experimentado. Esta receita foi uma escolha acertada para primeira vez: ficaram muito boas, ainda que as minhas, de aspecto, parecessem mais crepes que panquecas.

Para a próxima vou usar uma pequena frigideira dupla própria para crepes que a minha mãe me ofereceu há já uns anos e talvez consiga que fiquem mais altas. No sábado em que fiz as panquecas esqueci-me que a tinha: é que no meio dos nestuns, dos cerelacs e das acesas disputas Panda-Baby TV, há-de sempre escapar alguma coisa.

Mesmo assim, com dois piratas madrugadores, impacientes e enérgicos em casa, o pequeno-almoço continua a ser a minha refeição preferida. E se incluir as compotas de abóbora ou pêssego feitas pela minha mãe, ainda melhor.

Panquecas

A receita diz que é para 6 a 8 pessoas. No meu caso deu para 6 panquecas não muito altas.


2 chávenas de farinha sem fermento - 250 g*
2 colheres de chá de fermento em pó
1/3 chávena de açúcar fino - 75 g* (cortei um pouco ao açúcar, terei colocado aí 50 g)
2 ovos à temperatura ambiente
1+1/2 chávena de leite à temperatura ambiente - 375 ml*
70 g de manteiga sem sal derretida

Numa taça, juntar a farinha, o fermento e o açúcar (eu acrescentei ainda uma pitada de sal). Com um batedor de varas, misturar noutra taça os ovos, o leite e a manteiga derretida. Deitar esta mistura para dentro da taça com os secos. Bater bem.

Levar ao lume uma frigideira untada com manteiga e deitar cerca de 1/4 de chávena de massa de cada vez (ou mais, para panquecas de maior diâmetro). Deixar cozinhar em lume baixo uns dois minutos de cada lado ou até ficarem douradas.

O livro sugere que se sirvam ainda quentes com uma colher de iogurte espesso, tipo grego, frutos silvestres ou da época e folhas de hortelã por cima. Na foto surgem regadas com mel. Como sou gulosa, comi-as com um pouco de compota de pêssego caseira, mas julgo que para comer com mel ou compota, o ideal é levarem apenas uma pitada de açúcar.

*Neste livro, uma chávena-medida corresponde a 250 ml de líquidos, a 125 g de farinha e a 225 g de açúcar normal ou fino.

Cuidado com as aparências.




Digam lá se o meu bolo de chocolate e os meus scones de cebola e parmesão não estão com bom aspecto?

Pois, mas as aparências enganam e estas duas experiências correram muito mal, fazendo do fim-de-semana em que isto se deu, um dos mais tristes da minha existência enquanto food blogger. Pura e simplesmente, nem um nem outros se puderam comer.

O bolo de chocolate era uma espécie de cheesecake por camadas e a receita está aqui, no site da Martha Stewart. Deu para aprender que aquilo a que os americanos chamam wafers não tem nada a ver com as "nossas" wafers, mas não foi por aí que ficou intragável. Mesmo descontando eventuais lapsos de tradução ou conversão, acho que a receita deve ter alguma falha. Não leva açúcar e as duas colheres de sopa que no último minuto resolvi juntar às natas, enquanto as batia, não chegaram para salvar a sobremesa.

Os scones, que mais parecem minimuffins, esses, foram feitos a partir do Livro Essencial da Comida Vegetariana, cujas receitas estão bem detalhadas e as fotos têm óptimo aspecto. Neste caso, acho que a azelhice deve ter sido só minha. Faltou-lhes sal, mas o mal não ficou por aqui, a textura ficou horrível. Sei que a massa de scones (e não só, a massa quebrada também, por exemplo) não deve ser demasiado trabalhada e tentei seguir esta norma, mas pelos vistos alguma coisa falhou. Não percebi porquê, os meus scones "normais" costumam ficar bons.

Depois destas experiências falhadas fiquei mal-humorada, desanimada, com vontade de pendurar o avental por uns bons tempos.

Até que resolvi experimentar isto. É um prato muito básico e simples e os riscos de insucesso são quase nulos, eu sei. Mas mesmo assim, gostei tanto, que voltei a acreditar que um dia talvez venha a cozinhar bem.

Pasti quê? Pastinaca!




Até há bem pouco tempo, a palavra "pastinaca" era completamente desconhecida para mim. Parsnip, nem tanto: já tinha visto referências a este legume em livros e revistas de cozinha ingleses e associava a qualquer coisa da família do nabo - turnip - mas nunca me deu para investigar.

Depois a minha amiga B. começou a falar-me do parsnip e da sua enorme pena por não existir esse legume cá, que ela tanto devorava em Londres. Recentemente, descobriu que o tal legume se chama pastinaca sativa em português e, muito feliz, foi-me contar a novidade, na esperança de que isso me fizesse exclamar algo tipo "ah, a pastinaca, claro!", mas de mim só ouviu "pasti quê?!". Imagino que muitos de vocês teriam a mesma reacção. Afinal, pastinacas não são propriamente cenouras que se comprem em qualquer supermercado ou mercearia, apesar de serem parecidas com aquelas, mas brancas. Umas cenouras albinas, vá.

Eis se não quando, a C. do Tangerina Aderente publica um post com uma receita bastante apetitosa de Gnocchi de Pastinaca.
Comentário puxa comentário e dou comigo a saber que no supermercado do El Corte Inglés, talvez arranjasse o dito legume.
A partir daí, foi lá ir comprá-las (trabalhar em Gaia tem as suas vantagens!), partilhá-las com a B. e experimentá-las o mais depressa possível.

Fiz uma pesquisa rápida de receitas de pastinacas no forno, porque queria prová-las assadas, uma vez que era assim que a B. as comia, a acompanhar rosbife. Inspirei-me aqui e aqui.

Gostei bastante do sabor deste legume doce. A mim pareceu-me batata doce mas mais fresca, algo alimonada, a fazer lembrar o gengibre. Mas em termos de confecção, devo ter falhado qualquer coisa, pois não ficaram estaladiças, como era suposto. Segui as indicações do Jamie, cozendo-as durante cinco minutos mas concluí que tal talvez não fosse necessário. Talvez se as tivesse enxugado depois de escorrer a água tivesse resultado, mas mesmo assim para a próxima vou pô-las directamente no forno, nem que demorem um pouco mais a cozinhar. Escusado será dizer que o G., sempre disposto a experimentar coisas novas e muito dado a sabores diferentes, adorou! Os miúdos, toparam que eram legumes e não houve nada a fazer.

Pastinacas com cenouras no forno

Para 2/3 pessoas

2 pastinacas (acho que as minhas seriam médias) descascadas e cortadas aos palitos
4 cenouras pequenas descascadas e cortadas aos palitos
5 colheres de sopa de azeite
3 colheres de sopa de vinagre balsâmico
1 colher de sopa de mel
Tomilho seco qb
1 cabeça de alho
Sal e pimenta preta moída na hora qb
(eu uso muito pouca pimenta porque o homem grande cá de casa não pode abusar)

Pré-aquecer o forno nos 220º. Depois de arranjados os legumes, levá-los a cozer em água fervente com sal
(primeiro a cenoura, uns 5 minutos e depois juntar as pastinacas, mais 5 minutos), escorrê-los, enxugá-los e temperá-los de seguida num tabuleiro ou outro recipiente que possa ir ao forno.
Para a próxima vou saltar esta parte e colocar logo os legumes no recipiente do forno, envolvê-los em cru na mistura de azeite, vinagre e mel, temperar com o tomilho, o sal, a pimenta, e a cabeça de alho partida ao meio.
Levar ao forno durante cerca de 25 minutos.
Acompanhar, de preferência, com um bom bife ou outra carne suculenta.


Podem ainda ver um filme sobre a preparação simples de pastinacas no forno, aqui.

Obrigada à B. e à C. por me terem dado a conhecer a pastinaca :-)

O limão, uma vez mais.





Esta tarte é um clássico de muitas cozinhas.
Mais ovo menos ovo, mais ou menos tempo no forno, mais limão ou menos limão, toda a gente já a fez ou já a provou. Seja sob o nome de tarte merengada, tarte de leite de condensado ou, simplesmente, tarte de limão.
Mas por mais que se repita, não deixa de ser irresistível. Tanto para a vista como para o paladar.
É fácil de fazer, não são precisos muito ingredientes e os que são normalmente temos em casa. Mas claro que a principal razão da minha simpatia por ela é... ser de limão!
Desta vez, como tinha limas que sobraram de uma experiência tailandesa que correu assim assim, resolvi misturar e saiu uma deliciosa tarte merengada de lima e limão.

Tarte merengada de lima e limão

Para a base de bolacha:
1 pacote de bolacha Maria
80 g manteiga ou margarina
(usei Vaqueiro)

Para o recheio:
1 lata de leite condensado
3 gemas
Sumo de 1 lima sumarenta
Sumo de 1 limão grande e sumarento

(para mim, quanto mais sumo levar a tarte melhor!)

Para o merengue:
3 claras
2 colheres de sopa de açúcar
1 pitada de sal


Pré-aquecer o forno nos 200º.
Triturar as bolachas e juntar a manteiga amolecida
(usei a Bimby - aí uns 8 segundos Vel. 5 e resultou muito bem).
Forrar a base de uma forma de fundo amovível ou de uma tarteira tipo pirex com a mistura de bolacha e manteiga, pressionando bem com os dedos. Levar ao forno aí uns 5 minutos só para 'prender' um pouco a base de bolacha.
Numa taça desfazer as gemas no leite condensado, juntar os sumos de lima e limão, mexer bem e verter por cima da base de bolacha. levar ao forno durante uns 10/15 minutos no máximo. A ideia é que o recheio ganhe alguma consistência mas continue cremoso
(eu gosto assim, mas há quem prefira cozer a tarte durante mais tempo).
Entretanto, bater as claras em castelo com o açúcar e uma pitada de sal. Como costumo usar só 3 claras, estas não rendem o suficiente para se cobrir a tarte com saco pasteleiro, de forma mais voluptuosa... assim, costumo deitar as claras em castelo sobre o recheio às colheradas, espalhando e cobrindo toda a superfície.
Levar ao forno na posição mais alta e na função grill durante uns 20 segundos para dourar
(atenção que este processo é muito rápido, se não quiserem arriscar a ficar com a cobertura queimada, coloquem na grelha do meio durante mais tempo, mas sempre a controlar!).

Eu gosto de comê-la fresquinha, por isso, depois de arrefecida, ruma ao frigorífico por umas boas horas.

Nota: na minha família, há quem a faça com mais gemas e, por consequência, mais claras, ficando de facto, mais vistosa. A parte das claras não me chateia nada, mas já as gemas extra, tal como aprendi com a minha amiga S., não fazem muita falta, pois roubam protagonismo à fruta e tornam o recheio menos cremoso.

Comfort food.





Ontem precisava mesmo de cozinhar qualquer coisa que me surpreendesse, que me agradasse ao ponto de a querer repetir e partilhar, que me deixasse reconciliada com a cozinha.
O fim-de-semana foi pródigo em desastres culinários, de modo que andava mesmo desconsolada.

Tinha era de ser qualquer coisa fácil de preparar, para o jantar, e que não fosse o prato principal, que esse já tinha sido assegurado pela C., a minha imprescindível 'assistente doméstica'.

Mal tinha folheado pela primeira vez a revista Everyday Food, de que falei aqui, esta forma de preparar tomates tinha chamado a minha atenção. Feita a checklist dos ingredientes, só faltava mesmo pôr mãos à obra. Uma obra bem simples, para dizer a verdade. Simples, saborosa e surpreendente. Digo eu e disse o meu homem, que usou a palavra "divinal" para descrever esta entrada, que pode ser servida também como acompanhamento.

O forno faz libertar o sumo dos tomates, acentuando o seu sabor. O pão ralado fica crocante e os temperos deixam o conjunto bastante aromático.

Associava o termo comfort food a pratos mais substanciais, mas ontem, só de provar estes tomates suculentos, fiquei reconfortada e feliz.

Tomates 'Provençal'

(adaptado da Everyday Food 65 - Setembro 2009)

Para 2

2 tomates médios ou 4 tomates pequenos maduros (usei 4 tomates 'Roma')
3/4 chávena de pão ralado grosseiramente*
2 colheres de sopa bem cheias de parmesão ralado (ralei na hora)
1 colher de sopa de azeite + um pouco para untar
1 colher de chá de raspa de limão
Tomilho fresco ou seco qb
(usei do seco)
Sal e pimenta qb

Pré-aquecer o forno nos 200º.
Untar um prato de forno
(pincelei com azeite).
Partir os tomates às rodelas e colocá-las no prato, numa só camada, semi-sobrepostas. Temperar com um pouco de sal e pimenta.
Numa taça, juntar o pão ralado, a raspa de limão, o queijo, as folhinhas de tomilho, mais um pouco de sal e pimenta e por fim o azeite.
Espalhar esta mistura por cima do tomate e levar ao forno cerca de 15/20 minutos ou até ficar dourado
(no meu caso deixei ficar mais alguns minutos). Sevir de imediato.

*Eu usei pão ralado na Bimby com alho e salsa, daí a cor esverdeada. Esta é uma das coisas fantásticas da Bimby: podermos ralar o pão na consistência que quisermos, ora mais grosso, ora mais fino e aromatizá-lo de mil e uma maneiras. Imagino que qualquer robot de cozinha faça isto, mas podem crer que a Bimby fá-lo muitíssimo bem, esteja o pão fresco ou seco. Depois de ralado, guardo-o em saquinhos no congelador e está sempre pronto a usar, uma vez que se conserva sem endurecer. Se não puder ralar o pão em casa, o melhor é desfazer o pão em pequenas migalhas. O pão ralado à venda é normalmente muito fino para esta receita.

Um livro, uma receita #9






Mais um livro oferecido por alguém especial: a minha amiga F., que agora passa mais tempo em terras do tio Fidel do que cá e se tem especializado na 'cozinha criativa de baixos recursos', uma vez que em Cuba não há a variedade nem a fartura de ingredientes a que por estes lados estamos habituados. Provavelmente, nem esta simples tarte de pêra a F. irá conseguir fazer, pois julgo que me disse que lá não há pêras. Talvez a possas substituir por algum fruto tropical, F.!

"Do mercado para a sua mesa", de Joanne Harris e Fran Warde, é um livro bonito e inspirador. A desvantagem de não apresentar fotos para todas as receitas é compensada pelos textos sobre a região francesa da Gasconha, os seus mercados e tradições culinárias.
Joanne é também autora de romances famosos como "Chocolate", "Cinco quartos de laranja" ou "Vinho Mágico.

Esta tarte, uma receita bem tradicional da cozinha francesa, que surge da adaptação das também famosas pêras Belle Hélène, serviu para usar algumas das muitas pêras que têm saído do generoso quintal paterno. Ficou boa, mas devo avisar que é um bolo seco, mesmo com as pêras no seu interior. Se for para comer à sobremesa, o melhor mesmo é seguir a sugestão das autoras e acompanhar com uma bola de gelado de baunilha e raspas de chocolate preto.

Tarte Belle Hélène

Para a massa areada doce:
60 g de manteiga + 1 pouco para untar
140 g de farinha
50 g de açúcar em pó + um pouco para polvilhar
1-2 gemas de ovos médios


Para o recheio:
3 pêras maduras (usei 4 médias)
75 g manteiga
75 g de açúcar
1 ovo
20 g de amêndoa ralada
(não usei)
75 g de farinha com fermento
1/4 de colher de chá de fermento em pó
25 g cacau
50 ml de leite


Untar com manteiga uma forma redonda de fundo amovível.
Para a massa de baixo, deitar a farinha numa tigela grande, adicionar a manteiga e ligar com as pontas dos dedos até obter a consistência esfarelada. Juntar o açúcar em pó. Bater as gemas e adicionar ao preparado, ligando com uma espátula de metal num movimento de corte até se formar uma bola de massa
(confesso que aqui tive de usar as mãos, porque a bola custou a formar-se "sozinha").
Envolver em película aderente e guardar no frigorífico durante 30 minutos.
Passado este tempo, polvilhar uma superfície com açúcar em pó, estender a massa, dar-lhe o formato redondo da base da forma e forrar esta base com a massa, pressionando com os dedos. Leve ao frio mais 30 minutos.
Entretanto, ligar o forno nos 190º.
Lavar, descascar e cortar as pêras ao meio
(eu parti em quartos) e colocá-las na forma sobre a base de massa, com a parte redonda para cima.
Misturar a manteiga e o açúcar até formar um creme. Adicionar o ovo e bater, juntando de seguida as amêndoas raladas
(saltei este ponto). Juntar a farinha, o fermento e o cacau e incorporá-los juntamente com o leite.
Deitar sobre a forma e alisar a superfície. Levar ao forno durante 30 minutos, cobrir com alumínio e voltar a cozer por mais 15 mintos. Polvilhar com um pouco de açúcar em pó antes de servir
(esqueci-me!).

Nota: a quantidade dos ingredientes faz uma tarte relativamente baixa e pequena; para uma tarte mais imponente, o ideal será dobrar os ingredientes (as pêras talvez não seja necessário colocar em dobro!). Pela foto do livro, parece impossível que a tarte tenha sido feita só com estas quantidades e numa forma de 25 cm de diâmetro, o tamanho recomendado.

Para picar.



Salsichas cocktail agridoces feitas no forno, tão deliciosas que é impossível parar de comê-las. A receita é da Nigella Lawson e está no livro de que já falei aqui. Andava ansiosa por prová-las e mesmo sem festa ou ocasião especial (Nigella sugere que se sirva como aperitivo num dia de festa), decidi experimentá-las.

Estão aprovadíssimas e é certinho que as vou servir da próxima vez que houver amigos ou família cá em casa, para que se entretenham a "picá-las" antes do prato principal. Para além disso, são mesmo muito fáceis de preparar, basta ter salsichas, mel, óleo de sésamo e molho de soja na despensa.

Como fiz menos quantidade que a receita original, juntei os ingredientes a olho. Segue a receita original:

Salsichas de Cocktail agridoces

(do livro "Na cozinha com Nigella")

75 salsichas
2 colheres de sopa ou 30 ml de óleo de sésamo
2 colheres de sopa ou 30 ml de molho de soja
125 ml ou 150 g de mel

Pré-aquecer o forno nos 220º. Numa taça, juntar o mel, o óleo de sésamo e o molho de soja. Colocar as salsichas num tabuleiro grande de forno, para que fiquem numa só camada e assem por igual, e verter sobre elas o molho, envolvendo-as bem no molho com as mãos. Levar ao forno durante 25/30 minutos, dando uma mexidela no tabuleiro a meio da cozedura.


O meu vício.



Pronto. Confesso. Comprei.
Mas aguentei-me bem. Afinal consegui só cair em tentação ao
5º número. Falo da Jamie Magazine.
Mais dia menos dia tinha de acontecer.
E foi hoje. Na tabacaria do El Corte Inglés.
Eu bem sei que nem que vivesse mais 100 anos e cozinhasse uma receita nova por dia iria conseguir experimentar todas as receitas dos inúmeros livros e revistas que tenho em casa e que me põem a salivar quando lhes ponho os olhos em cima.
Mas é mais forte do que eu. E já que era para a desgraça - a revista custa €6,50 - trouxe também um exemplar da Food Everyday, por mais €4,50. E por favor não me venham dizer que na era da internet comprar livros e revistas de cozinha não faz sentido porque as receitas circulam todas na web, há imensos blogs dedicados ao tema e os chefes têm sites com mil e uma sugestões.
Pura e simplesmente, não é a mesma coisa. E nada (quase nada, vá) substitui o prazer supremo de nos deitarmos no sofá com uma boa revista de culinária por companhia, a sonhar com a hora em que aqueles pratos irão sair da nossa própria cozinha e farão felizes aqueles de quem mais gostamos. Freud explicaria.
Por isso, à pergunta se eu podia viver com menos livros e revistas de cozinha, eu, que até cozinho pouco ao pé da maioria dos food bloggers, eu que trabalho fora de casa o dia todo, tenho dois filhos pequenos e muito pouco tempo para ler, respondo claro que sim. Mas não era a mesma coisa.