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Brincar com a comida.



Estes e outros brinquedos deliciosos, aqui.

Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.




Depois de uma primeira tentativa algo falhada, no último Verão, de fazer pão, eis que consigo presentear os mais novos da família com estes apetitosos pães de hambúrguer (ainda que na verdade não tenham ficado muito parecidos com pães de hambúrguer...).

A falha estival não teve tanto a ver com a massa mas com o forno. Também, quem é que me manda cozer o primeiro pão da minha vida num forno a lenha? Claro que não podia dar certo. Aliás, se conhecerem algum livro, blog ou site que fale dos segredos do forno a lenha, digam-me por favor! Na casa onde passo muitas vezes os fins-de-semana e as férias existe um e gostava de tirar partido deste privilégio.

Voltando ao pão. Sei que devo ser a única food blogger à face da terra que ainda não experimentou o no-knead bread ou a receita base do Artisan Bread, para não falar de outras receitas e versões mais clássicas. Não porque me falte a vontade. Mas porque me falta o tempo. Durante a semana praticamente não cozinho. Chego a estar fora de casa doze horas e o pouco tempo que resta tem de ser dedicado aos três homens cá de casa. Felizmente, tenho quem me cozinhe, e bem, todos os dias.
Daí que me resta o fim-de-semana - e não todos! - para transformar a cozinha em laboratório. E foi num destes últimos fins-de-semana, em que a casa ganhou três novos inquilinos temporários e com muito apetite - três sobrinhos em plena fase da adolescência - que resolvi fazer os pães que tinha visto no Webos Fritos - o blog da espanhola Su, cheio de receitas tentadoras.

Foram o ponto de partida para uma noite do hambúrguer muito animada, onde ninguém ralhou e todos tiveram razão. E onde até os hambúrgueres foram caseiros.


Pão de hambúrguer

Daqui, a partir daqui.

Para 8 pãezinhos

300 ml leite meio gordo
1 ovo
30 ml óleo de girassol
1 colher café de sal
550 g farinha "de fuerza"
(usei farinha T65)
1 pitada de açúcar
1 pacote de fermento de padeiro em pó
(usei Fermipan)
Sementes de sésamo

À mão:

Juntar o leite, o ovo batido, o óleo e o sal numa taça. Noutra taça juntar a farinha, o açúcar e o fermento em monte, tipo vulcão, e juntar aos poucos os líquidos a estes secos pelo "cume" do monte, até se formar uma massa. Retirar a massa e colocá-la num recipiente tapado a repousar durante pelo menos uma hora, para que dobre de volume. Passado este tempo, voltar a amassar para retirar o ar que a massa entretanto ganhou e formar oito pãezinhos arredondados. Deixá-los repousar por mais uma hora, para que cresçam. Pré-aquecer o forno nos 220°. Quando já tiverem dobrado o seu volume, pincelar os pães com água e polvilhá-los com as sementes de sésamo. Baixar o forno para os 200°. Pulverizar o interior do forno com água (esqueci-me e não pulverizei) e introduzir os pães que devem cozer cerca de 10-15 minutos ou até ficarem douradinhos.

Na Bimby:

Colocar no copo o leite, o ovo, o óleo e o sal. Programar 2 minutos a 37°, Vel.3. Juntar a farinha, o açúcar e o fermento e programar primeiro uns segundos na Vel. 3, e depois 5 minutos na Vel. Espiga.
Retirar a massa e colocá-la num recipiente tapado a repousar durante pelo menos uma hora, para que dobre de volume. Passado este tempo, voltar a amassar para retirar o ar que a massa entretanto ganhou e formar oito pãezinhos arredondados. Deixá-los repousar por mais uma hora, para que cresçam.
Pré-aquecer o forno nos 220°. Quando já tiverem dobrado o seu volume, pincelar os pães com água e polvilhá-los com as sementes de sésamo. Baixar o forno para os 200°. Pulverizar o interior do forno com água
(esqueci-me e não pulverizei) e introduzir os pães que devem cozer cerca de 10-15 minutos ou até ficarem douradinhos.

Sugestões da Su:

- Deixá-los bem separados no tabuleiro enquanto levedam porque crescem bastante.
- Ir vigiando o forno para que cozam uniformemente. Se for necessário, tapar com folha de alumínio nos últimos minutos de cozedura para que terminem de cozer sem queimar.
- Polvilhar abundantemente com as sementes porque há sempre algumas que ficam pelo caminho.
- Podem ser congelados ainda mornos ou conservados em película aderente.


E pronto, neste dia, de acordo com o dito antigo que li algures e que afirma que uma casa não é um lar até que nela se faça pão, a minha casa tornou-se oficialmente num :-).

Massa folhada, continuação.




Folhado de legumes, cogumelos e bacon

Com o que sobrou da massa do post anterior fiz este folhado, que serviu de jantar para mim e para o G., acompanhado de uma salada de alface, rúcula, couve-roxa, milho e rodelinhas finas de alho francês. Foi quase um jantar vegetariano, não fossem os cubinhos de bacon do recheio, que era essencialmente de legumes: cenoura, alho francês e cogumelos castanhos salteados em azeite e alho e o já referido bacon. Recheada a massa, pincelei-a com gema de ovo e salpiquei com sementes de sésamo. Foi ao forno pré-aquecido nos 180º cerca de 30 minutos.

Ficou uma delícia. Aqui notou-se claramente a diferença de sabor entre a massa folhada de compra e a caseira. E como a massa tinha repousado no frigorífico durante três dias, folhou mais do que nas tarteletes de queijo de cabra. A repetir!

Uma aventura chamada massa folhada.



Declaração de princípio(s): nunca teria tentado fazer massa folhada em casa se não tivesse Bimby, ainda que há alguns anos tenha aprendido a fazê-la num curso de cozinha. Sempre achei que dava demasiado trabalho e que este não compensava quando aquela se podia comprar em qualquer supermercado, congelada ou pronta a usar.

Mas fiquei intrigada quando vi no livro que vem com a máquina uma receita básica deste tipo de massa. Será que também aqui a Bimby faz milagres?
Estava disposta a responder à pergunta rapidamente mas, da primeira vez que a ia fazer, tive de adiar a experiência: não tinha reparado que a manteiga devia estar congelada: 200 g de manteiga congelada em pequenos pedaços. À segunda tentativa, já com os bocados de manteiga bem congelados e a água há muitas horas no frigorífico, para garantir que estivesse bem fria, as coisas correram melhor. Contudo, achei que não devia confiar no livro a 100%: parecia demasiado fácil. Assim, e já com a mise en place pronta, achei que o melhor era consultar a web. A minha preciosa ajuda veio daqui.

Fazer a massa-base, com a Bimby ou com outro robot de cozinha é muito fácil. Mesmo. Depois, é um questão de músculo, paciência e tempo. Esticar, dobrar, esperar, esticar, dobrar, esperar, não é das tarefas mais agradáveis de fazer à uma da manhã de sábado - enquanto as pestinhas cá de casa dormiam - mas o resultado valeu bem o esforço.

O fruto desta estreia foi usado de duas maneiras: primeiro numas tartelletes de chèvre, nozes e mel (na foto). Passados alguns dias, serviu de embrulho a legumes salteados. E se na primeira receita a quantidade de queijo em cada tarte ofuscou um pouco o brilho da massa folhada caseira, já no segundo folhado, depois do repouso prolongado no frigorífico, aquela atingiu o seu auge.

Tartelletes de queijo de cabra, mel e nozes

Massa folhada de compra ou caseira*
Queijo de cabra 'chèvre'
Ervas da Provença
Mel
Nozes picadas

Cortar círculos de massa folhada com um diâmetro um pouco maior do que o das forminhas de tarte e forrá-las. Levá-las ao forno pré-aquecido nos 200º durante cerca 10 minutos. Entretanto desfazer o chèvre em pequenos pedaços para uma taça e salpicar com ervas da provença por todo. Retirar as tartes do forno, recheá-las com o queijo temperado com as ervas e levar de novo ao forno mais 15 minutos ou até o queijo começar a borbulhar e a ficar dourado. Retirar, desenformar, regar cada tartellete com uma colher de sopa de mel e salpicar com nozes picadas. Servir com uma salada verde - de alface e rúcula, por exemplo.


*Massa folhada

(ingredientes - Livro Base da Bimby)

200 g de manteiga congelada em pedaços pequenos
200 g de farinha
90 g de água ou vinho branco muito frios (usei água)
1 colher de chá de sal

Num robot de cozinha, misturar todos os ingredientes e pulsar alguns segundos até obter uma massa homogénea - na Bimby, 20 seg., Vel.6.
Retirar a massa do copo, dar-lhe a forma de uma bola e levar ao frigorífico durante 20 minutos.


A partir daqui, tentei seguir as instruções da Gasparzinha:

Numa superfície polvilhada de farinha e com a ajuda do rolo também enfarinhado, para a massa não colar, esticar a massa até obter um rectângulo com cerca de 20 cm x 40 cm, ficando virado para nós na vertical. Dobrar a massa em três, como se fosse uma carta A4. O rectângulo que vemos agora à nossa frente está na horizontal: virá-lo 90º, de modo a ficarmos com ele de novo na vertical. Voltar a esticar e a dobrar da mesma forma. Embrulhar em película aderente e levar ao frigorífico 20 minutos. Findo este tempo, voltar a trabalhar a massa na superfície enfarinhada com o rolo, repetindo o esquema: esticar até obter um rectângulo na vertical, dobrar em três, sobrepondo as partes de massa, como se fosse uma carta. Rodar para que o rectângulo fique novamente virado para nós na vertical, voltar a esticar e a dobrar em três. Levar ao frigorífico mais 40 minutos antes de usar (eu mantive-a no frigorífico até ao dia seguinte, quando a usei).

A minha primeira massa folhada não 'folhou' tanto como as de compra, mas ficou muito saborosa. Apesar do trabalho, é bom saber que esta não está cheia de gorduras hidrogenadas como as industriais. O próximo desafio é fazê-la em grandes quantidades e congelá-la (enrolando-a em papel vegetal, como sugere a Gasparzinha) e assim ter massa folhada caseira sempre à mão.

Bolachinhas salgadas para quebrar o jejum.



Este não era o post que deveria aparecer aqui, depois de tantos dias sem publicar. Mas de repente, como se não bastasse a mudança da hora que os encurta psicologicamente, os meus dias parecem ter encolhido definitivamente, tipo camisola de lã lavada a quente. Mais escrita no trabalho, menos escrita no blog. Por isso ainda não é desta que vou partilhar as minhas aventuras com a massa folhada e o pão de hambúrguer, duas experiências felizes que merecem ser bem contadas.

Estas cream crackers de parmesão descobri-as no Ardeu a padaria, um blog que espreito de vez em quando e que tem a particularidade de ser escrito por um - e não uma - amante da cozinha. É uma receita de Mark Bittman, com direito a vídeo, o que me incentivou a experimentá-la, com a ajuda das quantidades sugeridas pelo João Pedro Diniz.

De facto, revelaram-se muito fáceis de fazer. Só achei que podiam ter ficado mais estaladiças, mais crackers. Ficaram boas e quem provou gostou, mas faltou-lhes aquele wow factor que pensei que iriam provocar. Talvez não tenha esticado a massa convenientemente, talvez tenha sido azar de primeira vez. Mas lá que ficaram bonitas, isso ficaram :-).

Cream crackers de parmesão (Mark Bittman por J. P. Diniz)

250 g de farinha (usei sem fermento)
1 colher de chá de sal
100 g de manteiga sem sal
100 ml de natas
60 g de parmesão ralado
1 colher de chá de orégãos


Num robot de cozinha, misturar levemente a farinha, o sal e a manteiga fria em pedaços. Juntar o parmesão e os orégãos, misturar durante uns 2/3 segundos e depois, com o robot a funcionar, adicionar as natas pelo bocal, até se formar uma espécie de bola, bastam alguns segundos. Retirar e espalmar num círculo (depois disto deixei descansar uns 15 minutos). Numa superfície enfarinhada, esticar muito bem a massa com o rolo para que fique o mais fina possível (eu não consegui que ficasse muito fina, talvez daí não terem ficado tão estaladiças como deveriam; J.P. Diniz sugere que se use a máquina de esticar pasta), dando-lhe uma forma rectangular (eu estiquei directamente sobre o papel vegetal em que as levei ao forno). Dividir a massa à largura e ao comprimento em rectângulos (usei uma carretilha) e levar ao forno pré-aquecido até estarem douradas (cozi durante cerca de 10/15 minutos a 180º). Retirar do forno e esperar alguns minutos antes de separar as bolachas.