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O leão II. Ou a evolução da espécie.




Este foi o bolo do B. que fiz para a festa da família, este fim-de-semana.
Ficou bem mais giro que o primeiro, apesar de por dentro ser igual.
Da primeira vez, não me lembrei que o B. tinha um pijama com um leão muito castiço, que tentei agora reproduzir.
Não deu para mudar de tema porque tinha de rentabilizar as pastas que sobraram. E assim, deu para aperfeiçoar a técnica :-)

A minha estreia.




Há muito que queria experimentar a pasta de açúcar - ou pasta americana, que julgo ser a original - sobretudo para decorar bolachas e cupcakes.
Mas confesso que me parecia algo demasiado ambicioso e complexo, próprio para mãos mais delicadas e pacientes do que as minhas.

Há uns tempos, surgiu a oportunidade de ir com umas amigas assistir a uma demonstração de decoração com estas pastas, aqui - assistir só, nada de meter as mãos na massa, que para isso teríamos de nos inscrever num curso.

Os aniversários dos nossos filhos aproximavam-se e achámos que talvez conseguíssemos fazer nós os bolos de aniversário, de acordo com os desejos mais ou menos exigentes dos aniversariantes.

Não tive tempo de pôr as dicas e os conselhos recebidos em prática para os anos do L.: os anos eram no dia seguinte.

Mas agora, passado um mês, e depois das óptimas estreias das minhas companheiras de aventura, achei que tinha mesmo de tentar fazer o leão que o B. me tinha pedido, para levar para o colégio no dia do seu aniversário.

Posso dizer que a coisa se revelou mais fácil do que eu pensava, mas ajudou ter escolhido uma decoração simples, por camadas. Nada de bonecos e modelagens difíceis.

Comprei as pastas na Casa Januário. Aliás, foi através da Casa Januário que soubemos da existência da Doce Arte - centro de formação em pastelaria e representante da Pasta Americana Arcólor - e da referida sessão.

Segundo percebi, a pasta americana, a tal da Arcólor, é mais cara mas mais fácil de trabalhar do que a "pasta portuguesa", por exemplo.
De facto, achei que ela "amassava" e esticava muito bem e mesmo fazer novas cores combinando pastas não foi difícil.
Dicas como usar um plástico resistente e de grandes dimensões a forrar a mesa ou a bancada de trabalho (eu trabalhei na mesa da sala), usar um rolo lisinho sem imperfeições (a pasta é muito sensível e qualquer toque deixa marca) e guardar de imediato as pastas que não estiverem a uso para não secarem, foram religiosamente seguidas. E parece que deu resultado :-)

Para o bolo propriamente dito, escolhi uma receita muito fácil e saborosa que aprendi no curso de pastelaria que estou a fazer (e que infelizmente está a chegar ao fim).

Como o B. adora chocolate, recheei o bolo com um creme brigadeiro também aprendido no curso.

Apesar dos coleguinhas do B. terem comido muito pouco bolo (tinham lanchado pouco antes dos Parabéns), eu provei-o e achei que estava óptimo!


Bolo de laranja com recheio de brigadeiro
(receitas do chef Luís Francisco - Segredos&Cozinha)

5 ovos
240 g de açúcar
170 g de farinha
100 ml de sumo de laranja
50 g de óleo
20 g fermento em pó
Raspa das laranjas


Pré-aquecer o forno nos 170º. Untar muito bem uma forma com manteiga ou margarina, neste caso usei uma forma redonda, e polvilhar com farinha.
Numa taça grande, juntar os ingredientes pela ordem apresentada. Mexer com as varas ou colher de pau até estar bem misturado
(não é preciso bater!).
Verter para a forma e levar ao forno cerca de 40 minutos ou até o palito sair seco.
Se a forma for de silicone, deixar arrefecer para desenformar.

Depois de frio cortar o bolo ao meio (desta vez usei uma geringonça comprada numa loja dos 300 - uma espécie de arco com um fio metálico, próprio para cortar bolos - e resultou) e rechear com o creme que se segue:

1 lata de leite condensado
50 g manteiga sem sal
60 g de cacau em pó


Misturar tudo numa taça e levar ao microondas na potência máxima durante 3 minutos. Mexer bem e usar morno. Para rechear, chega cerca de metade deste creme, o resto pode ser usado na cobertura, por exemplo, se não formos decorar com pasta.

Ah, só mais uma coisa: eu acho que a pasta de açúcar permite fazer coisas giríssimas e vistosas, tanto para miúdos como para graúdos, basta "ter jeito para a plasticina", alguns utensílios e seguir meia dúzia de dicas. Mas comê-la, só mesmo com os olhos! Não como nem deixo os miúdos comerem. Na escolinha, fiz questão que servissem o bolo já sem a pasta. São demasiados açúcares e corantes e sinceramente, nem o sabor compensa.

O leão do B.




O tempo corre como um cavalo louco. Ainda não recuperei das festas de há um mês e já estou a preparar outra: o benjamim da família fez 3 anos ontem :-)
Finalmente, consegui meter as mãos na pasta americana. E saiu este leão, a pedido do aniversariante. A ver se no fim-de-semana, sai outro ainda mais perfeitinho.
Pormenores em breve!

Um almoço como manda a tradição.

À falta de tempo e energia para posts com receitas, aqui fica uma pequena foto-reportagem do autêntico banquete com que fomos recebidos no último domingo em casa de uma família amiga, no interior de Lousada.

Isto porque o G., cada vez mais rendido às coisas da terra e aos hábitos de subsistência, dias antes tinha participado na matança do animal que proporcionou este festim.

As fotos são mesmo uma pequena amostra das coisas boas que comemos (faltam os rojões, por exemplo: tenros, suculentos, deliciosos), mas julgo que conseguem transmitir a forma genuína e tradicional como foram confeccionadas.

Nesta casa, só mesmo o arroz é que é comprado. As batatas, as cenouras, a alface, os pimentos, as couves e todos os legumes que possam imaginar, as aves (frangos, perus, patos e respectivos ovos), os coelhos, os cabritos, os porcos, as uvas e o vinho, tudo é criado e feito ali, com muito saber e dedicação.

Até o pão, a broa e o pão-de-ló são cozidos num dos fornos a lenha espalhados pela casa e os enchidos são fumados numa divisão com abertura para a chaminé da lareira da cozinha, onde as brasas nunca se apagam.

Escusado será dizer que foi um almoço memorável para nós os quatro. Mesmo os miúdos comeram com uma satisfação e um entusiasmo tais, que deixaram a família anfitriã ainda mais feliz.


Um dos três fornos a lenha da casa. Depois das assadeiras serem colocadas lá dentro, a porta é isolada com uma espécie de pasta feita de restos de farinha de milho, para o calor não fugir.

O arroz de forno. Como só a S. o sabe fazer.


O assado. Coelho e cabrito. E as batatas? De comer e chorar por mais.


O cozido. Incluía várias partes da carne obtida com a última matança e enchidos feitos a partir de bichos anteriores.


As batatas fritas aos cubos que acompanharam os rojões.


A sobremesa: sarrabulho doce, feito com sangue de porco cozido, pão, mel, louro, canela... Nunca tinha comido!


E para terminar, uma saborosa cevada, feita na lareira em púcara de barro.

Os famosos barquinhos.




Em minha casa, festa que é festa tem de ter "barquinhos".
Os convidados já contam com eles e se não os tenho, os corações mais gulosos ficam despedaçados. Mesmo.
Estes mimos foram dados a conhecer à minha família, há muitos anos, pela querida B., que infelizmente já não está entre nós.

(Que saudades da tuas gargalhadas, da tua generosidade, dos teus sonhos, B.!)

Desde aí nunca mais deixaram de fazer parte da ementa de doces das nossas datas especiais, feitos normalmente pela tia N. e pelo meu pai, que é quase sempre 'contratado' para mexer as gemas com o leite condensado ao fogão!
São facílimos de fazer e o sucesso é mais do que garantido. Se os adultos deliram, dos miúdos nem se fala.

Barquinhos
Para cerca de 18

18 barcos em bolacha americana (wafer)*
1 lata de leite condensado
5 gemas

Chocolate culinária em tablete - cerca de 150 g
Leite qb



Numa taça de metal ou num recipiente que possa ir ao lume em banho-maria, misturar bem as gemas e o leite condensado.
Levar ao lume médio, em banho-maria, mexendo sempre, para não ganhar grumos, até engrossar: deve ficar com a consistência de um creme espesso, o que deve demorar cerca de 30 minutos
(tenho amigas a quem passei a receita que fazem directamente no lume, sem ser em banho-maria e dizem-me que é mais rápido e fica bom na mesma, mas eu nunca experimentei dessa forma).
Encher os barquinhos até cerca de 2/3 com o creme.
Deixar arrefecer.
Derreter o chocolate com o leite no microondas ou em banho-maria, mexer bem e cobrir os barquinhos. Deixar solidificar antes de servir.


*Costumamos comprá-los na Casa Januário. Dantes havia uns barquinhos mais pequenos, a que achávamos mais graça. Se arranjarem dos pequenos, esta dose dá para cerca de 35.

O bolo (do) rei.



Não foi feito por mim! É daqui. E estava muito bom.