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Frutos da terra.





A beterraba não é um frequentador habitual desta cozinha, mas depois de ter lido alguns posts inpiradores no Gourmets Amadores, onde este legume é muitas vezes o rei da mesa, fiquei com vontade de voltar a usá-lo, até porque o rapaz grande cá de casa é um grande apreciador.

Noutro dia, em que a minha sogra tinha beterraba cozida para acompanhamento de um assado, o G. até disse: "Quem gosta de ostras, tem de gostar de beterrabas: comer ostras é beber o mar, comer beterraba é comer a terra".

Bem, apesar de ter achado a comparação muito bonita e poética, não sei se concordo a 100% com a teoria: afinal, não gosto de ostras, mas consigo comer beterraba com algum prazer.

Na visita mais recente à frutaria ao pé de casa, encontrei beterrabas (e cenouras ainda com rama) e não resisti a trazer algumas.

Quanto à receita, já estava marcada há muito tempo na Everyday Food de Janeiro/Fevereiro de 2010.

Ontem, foi o dia de lhe dar vida.







































Salada de beterraba e cenoura
(Everyday Food - Janeiro/Fevereiro 2010)

Para 4


Cerca de 450 g de beterraba com as folhas*
(3 bolbos médios)
2 cenouras médias
1/4 de chávena de sumo de laranja natural
2 colheres de chá de vinagre de vinho tinto (usei vinagre de sidra)
2 colheres de sopa de azeite
1,5 colheres de chá de mostarda de Dijon (usei mostarda normal)
Sal e pimenta qb

*Como já comprei as beterrabas sem as folhas, substituí estas por um talo de alho francês (parte branca).


Numa taça, fazer a vinagreta: juntar o sumo de laranja, o azeite, o vinagre e a mostarda.
Temperar com sal e pimenta preta acabada de moer e mexer bem com um batedor de varas.
Cortar as folhas das beterrabas e descartar os talos. Lavar, secar e cortar as folhas em tirinhas finas (ou em alternativa cortar o alho-francês em rodelas finas).
Lavar bem as beterrabas, descascar e ralar em juliana para um coador (é melhor usar luvas).
Colocar o coador debaixo de água corrente até a água deixar de sair cor-de-rosa.
Deixar escorrer bem e secar em papel de cozinha (o papel fica manchado na mesma, mas como as tirinhas de beterraba ficam secas, garante-se uma salada mais bonita).
Lavar, descascar e ralar as cenouras.
Juntar os legumes numa taça de servir, adicionar a vinagreta e misturar bem.
Deixar assentar uns 15 minutos antes de servir.

Um queque, dois cupcakes.































Há uns meses atrás tive o prazer de decorar a mesa e fazer os doces para o Baby Shower do Lucas.
Na altura prometi que publicava a receita dos cupcakes de baunilha mas, como blogger desnaturada que sou, ainda não o tinha feito.
O fim-de-semana passado voltei a usar a receita, para o aniversário da minha sobrinha M.
Já não havia desculpa!

Acabados de fazer, estes queques são deliciosos.
No entanto secam com facilidade, por isso o ideal é pincelá-los com uma calda de açúcar (de laranja, por exemplo), sobretudo se não forem decorados logo de seguida.

São muito versáteis porque combinam com qualquer cobertura.
Aqui ficam duas sugestões: creme de manteiga simples, animado por uma gota de corante rosa, e creme de manteiga e chocolate, que inclui uma pequena porção de natas: o sabor fica menos amanteigado e o resultado é um creme extra-macio.

Cupcakes de Baunilha
Para 12
(receita daqui)

3 ovos
150 g de manteiga
150 g de açúcar
175 g de farinha com fermento
1 colher de essência ou extracto de baunilha

Pré-aquecer o forno nos 180º.
Forrar uma forma de queques com forminhas de papel médias.
Numa taça grande juntar todos os ingredientes e misturar com a batedeira eléctrica durante 1 a 2 minutos até se obter um creme uniforme.
Distribuir pelas formas e levar ao forno cerca de 20 minutos ou até estarem relativamente dourados e firmes ao toque

Cobertura de manteiga simples
(receita daqui)

150 g de manteiga sem sal amolecida (usei com)
250 g de açúcar em pó
1 c. de chá de essência ou extracto de baunilha
2 c. de chá de água quente
1 gota de corante cor-de-rosa ou a gosto

Misturar bem a manteiga e o açúcar com uma colher de pau, batedeira ou robot de cozinha (usei a Bimby, sem borboleta). Juntar a baunilha e a água até ficar macio. No meu caso, como queria decorar com bico pasteleiro, achei que não deveria ter juntado a água, pois achei que deveria ter ficado mais firme...

Cobertura de manteiga e chocolate
(adaptado daqui)

150 g de manteiga amolecida sem sal (usei com)
Cerca de 2 chávenas* de açúcar em pó
1/4 de chávena* de cacau em pó
1 colher de chá de extracto de baunilha
2 colheres de sopa de leite ou natas (usei natas)
1 pitada de sal (não usei)

*250 ml de capacidade

Bater bem a manteiga com a batedeira eléctrica ou num robot de cozinha na velocidade média (usei a Bimby) até ficar cremosa.
Peneirar o açúcar e o cacau para taças separadas. Juntar quase a totalidade do açúcar e todo o cacau à manteiga numa velocidade baixa, para evitar salpicos. Aumentar a velocidade e adicionar as natas e a baunilha. Verificar a consistência e juntar o restante açúcar em pó peneirado se achar que está pouco firme ou juntar um pouco mais de natas se achar que está demasiado espesso.


Pink Party. Para variar.




































Quando digo a alguém que gostava de ter outro filho, essa pessoa diz-me logo "para ver se sai a
menina, não é?"
E eu costumo dizer que não, que o que gostava mesmo era de ter um terceiro filho e que até podia ser rapaz.
E digo isto com sinceridade mas, depois da festa da M. - a minha sobrinha e afilhada mais nova, cuja mesa ajudei a decorar - tenho de confessar que se um dia houvesse mais cor-de-rosa cá por casa, não seria pior ;)

A mesa era pequena e acabou por receber poucos doces, até porque havia uma mesa maior, onde foi colocada a maior parte da comida e das bebidas. Mais do que uma mesa de sobremesas era a mesa do bolo e julgo que ficou bonita, apesar de muito simples.

A grinalda de tecido, da Casa, resultou muito bem e desta vez optei por usar só pratos e taças em vidro, para uma maior uniformidade.

Para além da mesa, fiquei responsável pelo bolo, pelos brigadeiros e pelos cupcakes, cuja receita seguirá no próximo post.

E viva o rosa!


Um livro, uma receita #25 (ou o elogio do Minho)































Na outra encarnação, devo ter nascido minhota.

No Minho, sinto-me em casa. E um dia gostava de lá viver. Numa quinta pequenina e rústica, com jardim e horta e uma cozinha enorme com uma grande janela em frente ao balcão, onde passaria largas horas a fazer bolos, biscoitos e pão e a experimentar receitas novas com os legumes acabados de apanhar.
Provavelmente esse dia nunca há-de chegar, mas o Minho é uma terra generosa, e por isso dá-me muito, mesmo não vivendo lá.

Gosto de tudo no Minho: das pessoas de sorriso aberto e com uma certa vaidade na sua origem; das feiras e romarias (viva a feira de Barcelos! viva a feira de Cerveira!); da zona litoral (com um fraquinho por Caminha, onde passo férias desde a adolescência), das vilas e cidades do interior; dos campos pequenos divididos com muros baixos de pedra, dos espigueiros, do artesanato (sobretudo da ourivesaria e dos bordados), da comida...

Esta paixão vem de família. Era ainda pequena e a minha mãe levou-me às costureiras e bordadeiras de Cardielos, para me fazerem um traje regional à medida. E mãe sensata manda fazer a roupa de forma a que dure muito tempo, por isso o fato 'de lavradeira' ainda me serve (digamos que também não saí alta nem espadaúda).
Adoro a camisa, o corpete, a algibeira em forma de coração, as chinelas...

Com o tempo, o Minho foi entrando na minha vida de outras formas: temporadas regulares em Caldelas, com as primas, a fazer companhia à nossa avó, que lá fazia tratamentos termais, universidade e primeiro emprego em Braga, colegas de trabalho, amigos, cunhada...

E foi na casa de Viana da minha cunhada, em Meixedo, que almoçámos esta segunda-feira de Páscoa. Um rico almoço temperado pelo sol e, como sempre, pela paisagem retemperadora, que incluiu a visita do compasso pascal e de músicos com gaitas de foles.

Quando cheguei a casa, apeteceu-me pegar neste livro, que folheio sempre que as saudades do Minho apertam. Queria escolher uma receita, queria fazer uma espécie de homenagem a esta região de Portugal que me diz tanto.
A Torta de Viana pareceu-me o desafio perfeito: será que o amor ao Minho me ajudará a enrolá-la na perfeição? É que no meu curriculum de home baker constam várias experiências falhadas neste domínio.

Se conhecem este livro ou outros livros desta colecção, sabem que as receitas são pouco detalhadas e muitas vezes descritas tal e qual como foram recolhidas. Nesta, por exemplo, não é referida a temperatura nem o tempo de forno. Guiei-me por outras fontes e pelo instinto e cheguei a bom porto (e dei saltinhos de alegria assim que vi que a torta não tinha rachado e estava bem enrolada).

Quando a provei, ficou aprovada: leve, saborosa (os ovos caseiros ajudaram), com a proporção ideal de açúcar para um bolo que se quer recheado com doce de ovos. Ou outra coisa boa, como compota ou chocolate. Sim, porque por enquanto não quero mais nenhuma receita de rolo e esta presta-se a várias versões.

Uma nota para o recheio de ovos: a descrição deste na receita é muito evasiva e como eu tinha doce de ovos no frigorífico já feito, aproveitei. É um doce de ovos muito versátil e fácil de fazer, que eu já publiquei algures no blog e aqui deixo novamente.

Um brinde ao Minho. De preferência, com Alvarinho ;)































Torta de Viana
(do livro Cozinha do Minho de Alfredo Saramago)


A receita original pede o dobro destas quantidades:


6 ovos, separados
Raspa de limão qb
125 g de açúcar
100 g de farinha sem fermento
Açúcar para polvilhar
Doce de ovos*


Pré-aquecer o forno nos 200º.
Forrar um tabuleiro (usei um com 36 x 24 cm) com papel vegetal e untar com manteiga ou spray desmoldante.
Bater bem as gemas com o açúcar e a raspa de limão (usei colher de pau e bati cerca de 5 minutos).
Bater as claras em castelo e envolvê-las na mistura das gemas.
Adicionar a farinha, envolver bem para que fique integrada na massa.
Verter sobre a forma, alisar e levar ao forno cerca de 14 minutos ou até o palito sair seco do seu interior (usar um palito fininho, para que o furo não se note depois, como aconteceu na minha!).
Desenformar sobre um pano de cozinha húmido e polvilhado com açúcar.
Retirar o papel vegetal com cuidado e barrar com o doce de ovos.
Aguardar uns 10 minutos e enrolar com a ajuda do pano.
Deixar que arrefeça mais um pouco, aparar as extremidades, se desejar, e passar para o prato de servir.

*Doce de ovos
(receita do chef Luís Francisco)


6 gemas + 1 ovo inteiro
250 g de açúcar
125 g de água
1 pedaço de casca de limão
1 pau de canela


Num tachinho,  levar ao lume a água, o açúcar e os aromatizantes (limão e canela).
Sem mexer, deixar levantar fervura. Quando começar a borbulhar (bolhas grandes em toda a superfície da calda), contar 3 minutos. Retirar do lume, descartar o limão e a canela e verter em fio sobre as gemas e o ovo previamente desfeitos numa taça de metal, mexendo sempre. Coar para o tacho e levar ao lume até engrossar, cerca de 10/15 minutos, mexendo sempre para não ganhar grumos e sem deixar ferver. Colocar num frasco, deixar arrefecer e conservar no frigorífico (dura várias semanas, se não meses!). Para a torta, usei um pouco menos de metade desta receita.

Coisas de Páscoa.







Gosto da Páscoa, das suas tradições e do seu espírito de recomeço.
Na Páscoa, como que se faz luz.
O Inverno fica para trás (este ano, talvez não seja bem assim) e, aos poucos, os dias vão ganhando tempo, a natureza vai ganhando vida, as faces vão ganhando sorrisos.

Mais do que de resoluções de ano novo, sou de resoluções de Páscoa.
Uma das que apontei mentalmente este ano foi obrigar-me a experimentar receitas novas mais vezes, animada por esta energia que, mesmo com a crise à espreita, se sente no ar (na verdade, acho que já tinha formulado este desejo ao comer uma das doze passas no reveillon...).

Contrariar a agenda sempre cheia de compromissos, contrariar a insegurança do como irá sair, contrariar a preguiça...

Ontem, dei um primeiro passo nesta missão primaveril.

E como estamos na Páscoa, escolhi uma receita com amêndoa. E chocolate.
Almendrados de chocolate. Para celebrar este tempo tão favorável ao crescimento das coisas boas. Como a amizade*.









































Almendrados de chocolate
(do livro Chocolate - 200 receitas)


Para cerca de 24


2 claras
100 g de açúcar fino
125 g de amêndoa moída
50 g de chocolate negro ralado (usei de culinária)
Amêndoas de chocolate, amêndoas inteiras ou lascas de amêndoa para decorar


Pré-aquecer o forno nos 180º.
Forrar um ou dois tabuleiros (consoante o tamanho) com papel vegetal.
Bater as claras em castelo. Quando já estiverem bem fofas e brancas, juntar aos poucos o açúcar.
Continuar a bater até ficar espesso e brilhante.
Envolver suavemente o chocolate ralado e a amêndoa em pó.
Colocar este preparado num saco pasteleiro com um bico largo liso (ou usar um saco de congelação e cortar-lhe uma das pontas) e fazer círculos de massa sobre o papel vegetal, com cerca de 4 cm de diâmetro e bem separados uns dos outros, pois vão crescer bastante no forno.
Colocar uma amêndoa ou uma lasca de amêndoa no centro de cada bolinho (a receita sugere uma espécie de amêndoa de chocolate, mas eu não tinha).
Levar ao forno cerca de 15 minutos, até estarem firmes ao toque.

Os meus talvez tenham cozido um pouco mais, mas ficaram no ponto para quem prefere a textura crocante àquela mais elástica e húmida que às vezes os almendrados têm.

Ah! No livro chamam-se "macaroons de chocolate" mas o aspecto fez-me lembrar os nossos almendrados, por isso mudei o nome. E da próxima vez, para os tornar ainda mais portugueses, vou levá-los a cozer sobre folha de obreia (hóstia).


*Esta experiência serviu também para assinalar uma amizade blogosférica. Só espero que cheguem ao destino estaladiços e saborosos, tal como os que ficaram cá em casa...