ABOUT                       RECIPES                       LIFE                       INSTAGRAM                       FACEBOOK                       PINTEREST



12.12.12

Viena e uma receita para o Natal.


 



































































Uma viagem de trabalho do G. a Viena, há umas semanas atrás, transformou-se numas miniférias a dois.
A altura não podia ter sido melhor, com a cidade já envolta numa alegre e colorida atmosfera natalícia.

Deu para perceber que esta é uma época muito importante para os austríacos, na sua maioria católicos. Nas ruas do centro não faltam iluminações, as coroas de advento vendem-se em todo o lado e os mercados de natal surpreendem-nos a cada esquina. Estes são uma espécie de feiras de artesanato, onde se destacam as bancas que vendem bolas e outros enfeites de natal - lindos mas caríssimos - e as bancas que servem os famosos punsch e glühwein, as bebidas quentes que ajudam os grupos de amigos e as famílias que se juntam nas praças ao fim da tarde, a afastar o frio.

Já não nos lembrávamos de andar tanto a pé. A cidade é bem maior do que imaginávamos e, apesar da excelente rede de transportes públicos, caminhar pareceu-nos a melhor maneira de ficar a conhecê-la.
O resultado, para além dos músculos cansados e da alma cheia de mundo, foram centenas de fotografias, que só agora consegui seleccionar.

Algumas ajudam a ilustrar o meu toptwelve desta visita a Viena:

1. Os mercados de natal e o ambiente mágico que neles se vive, com destaque para o da Rathaus;
2. Os cafés e o café (gostei especialmente do Kleines Café, com uma atmosfera muito informal e intimista e onde, só agora descobri, foi filmada uma cena do filme 'Antes do Amanhecer', com o Ethan Hawke e a Julie Delpy);
3. A missa de domingo na Capela Imperial do Palácio Hofburg, com um grupo de canto gregoriano, os Pequenos Cantores de Viena e um organista da Filarmónica de Viena;
4. A divertida visita guiada ao edifício da Ópera (acho que tivemos sorte com o guia);
5. Os mercados, especialmente o Naschmarkt;
6. A subida à cúpula da Karlskirche, onde se podem apreciar os frescos a muito pouca distância e ainda ter uma panorâmica sobre a cidade (ainda que seja aos quadradinhos, devido à rede de segurança);
7. O Museum Quartier, com vários museus, lojas e um ambiente cosmopolita fresco e moderno que contrasta com as clássicas atracções da cidade;
8. Os Palácios Schloss Schönbrunn e Belvedere, sobretudo pela forma como foram implantados, com espaço à volta e vista sobre a cidade (num dos Palácios Belvedere pode ver-se o beijo mais famoso do mundo, de Gustav Klimt e no Schönbrunn há esquilos simpáticos);
9. A simpatia dos austríacos, que fisicamente são mais parecidos connosco do aquilo que eu poderia imaginar;
10. As lojas Blaulicht e Kokon, onde me senti uma criança numa grande loja de brinquedos, com vontade de comprar tudo, mas onde comprei apenas duas singelas colheres de café e uma pequena rena prateada;
11. As castanhas que se vendem na rua, enormes e doces, que não sujam as mãos pois são assadas em fogareiros a gás;
12. O jantar inesperado no Zweitbester, um restaurante industrial chic que encontrámos por acaso e onde comemos muito bem sem pagar muito - o meu risotto de castanha estava delicioso e o peixe, de rio, que o G. escolheu, também.

E agora a receita. Inspirada nesta viagem.
Na segunda visita que fiz ao Naschmarkt, descobri uma banquinha liderada por dois rapazes novos que vendiam doces com aspecto caseiro. Os que mais me chamaram a atenção foram umas rodelas rústicas de chocolate cobertas com amêndoa caramelizada, o tamanho era pouco maior do que uma bolacha maria. Havia em todas as versões: chocolate preto, branco e de leite. Perguntei quanto custavam e disseram-me que era ao peso. Pegaram numa, como exemplo, e colocaram na balança, informando-me de que aquela passava dos 3 Euros. Sorri de olhos arregalados, agradeci, mas não comprei, decidida a tentar fazê-las eu, assim que voltasse.

Aqui estão elas: uma espécie de florentinas simplificadas, quem nem de forno precisam e que podem transformar-se num mimo de natal, com imensas variações.
Desta vez fiz só com chocolate preto e amêndoa, mas já estou a magicar usar pistáchios, sultanas e casca de laranja cristalizada...







'Pseudoflorentinas' de chocolate e amêndoa

Para cerca de 10

200 g de chocolate de culinária
50 g de miolo de amêndoa laminado (ou aos palitos)
1/2 colher de sopa de manteiga ou margarina
1 a 2 colheres de sopa de açúcar amarelo

Numa sertã, colocar o açúcar e a manteiga. Deixar derreter a manteiga, mexer bem e juntar a amêndoa.
Deixar cozinhar em lume médio, até a amêndoa começar a caramelizar e ganhar uma cor bonita, mexendo sempre com cuidado, para não partir as láminas de amêndoa e ficarem douradas por todo.
Retirar do lume e deixar arrefecer sobre uma folha de papel vegetal.
Levar o chocolate a derreter em banho-maria, tendo atenção para que a água do tacho não toque no recipiente do chocolate.
Quando o chocolate estiver bem derretido, verter colheradas sobre papel vegetal (usei uma colher de sopa, para círculos com cerca de  6 cm.
Espalhar por cima a amêndoa já arrefecida.
Se sobrar chocolate, passar uns fios sobre as bolachas para 'prender' melhor a amêndoa.
Deixar secar bem.
Destacar do papel vegetal com cuidado, embrulhar e oferecer!


22.11.12

As tartes que fazem lembrar o Bounty.








































Há muito que queria experimentar estas tartes de coco e chocolate da Donna Hay.
A receita estava marcada neste livro desde que o recebi num aniversário já longínquo.

Como o rapaz grande cá de casa se andava a queixar de que eu já não o mimava com chocolate há muito tempo, fiz-lhe esta surpresa. Bem simples e rápida, por sinal.

Em versão mini, para um after diner sem remorsos...







































Minitartes de coco e chocolate
(receita original aqui)

Para cerca de 10

1 chávena* de coco ralado
1 clara de ovo
1/4 de chávena* de açúcar
75 g de chocolate de culinária
75 ml de natas
Flor de sal (opcional - usei Flor de sal da Casa do Sal da Figueira da Foz)

*250 ml de capacidade

Pré-aquecer o forno nos 180º.
Numa taça, misturar a clara, o açúcar e o coco.
Mexer bem, até ficar uma massa húmida.
Com as mãos molhadas, forrar 10 forminhas de miniqueques (usei de silicone), com esta massa, pressionando no fundo e nas laterais.
Levar ao forno entre 10 a 15 minutos ou até as bordas estarem bem douradas.
Deixar arrefecer um minuto, retirar das formas e colocar sobre uma rede para arrefecer.
Entretanto, preparar a ganache de chocolate: partir o chocolate em pedaços para uma taça de cerâmica, vidro ou metal e levar as natas ao lume num tachinho.
Quando estas atingirem o ponto de fervura, retirar do lume e verter sobre o chocolate.
Esperar um ou dois minutos e mexer bem com um batedor de varas, até ficar um creme uniforme e brilhante.
Distribuir a ganache pelas forminhas de coco.
Deixar solidificar à temperatura ambiente ou no frigorífico, se houver pressa.
Antes de servir, polvilhar com flor de sal, para intensificar os sabores.

Nota: mal as provei, lembrei-me deste chocolate, que não como desde os tempos da adolescência, mas o G. afirmou convictamente que estas tartes eram bem melhores ;)

23.10.12

Got milk?


























































"Got milk?" é há vários anos o headline das campanhas de incentivo ao consumo de leite de vaca nos Estados Unidos. Os anúncios mais conhecidos são aqueles em que os famosos aparecem com um bigode branco, supostamente de quem acabou de beber leite com sofreguidão e prazer, mas foi de outra campanha que me lembrei quando comi a primeira destas bolachas.

Nesses anúncios, o protagonista era uma bolacha com pepitas de chocolate, uma fatia de brownie escuro e húmido ou uma sanduíche recheada com manteiga de amendoim, acompanhados da célebre frase. E a verdade é que se demorássemos o olhar na imagem e na pergunta, produzia-se um certo desconforto. Sentia-se, de facto, a falta do leite, como se não pudessem existir um sem o outro, como se não fosse possível comer com prazer aquela guloseima sem o leite a acompanhar.

Pelo menos para mim, que gosto de leite e dele simples, a campanha funcionava. E por isso digo que estas podiam ser as bolachas dos anúncios. Ainda que sejam boas de qualquer maneira - crocantes e com um sabor que faz lembrar umas bombásticas do IKEA, não com pepitas mas com um dos lados banhados em chocolate - acompanhadas de um copo de leite bem frio sabem ainda melhor...







































Bolachas com pepitas de chocolate
(deste livro de Nigella Lawson )

150 g de manteiga sem sal
125 g de açúcar mascavado
100 g de açúcar 'normal'
2 colheres de chá de extracto de baunilha (usei 1)
1 ovo frio
1 gema fria
300 g de farinha
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
325 g de pepitas ou pedacinhos de chocolate de culinária (usei 150 g em pedacinhos)

Pré-aquecer o forno nos 180º e forrar dois tabuleiros com papel vegetal.
Derreter a manteiga e deixar arrefecer um pouco.
Colocar todo o açúcar numa taça e juntar-lhe a manteiga, misturando bem.
Juntar a baunilha, o ovo e a gema (saídos directamente do frigorífico).
Adicionar a farinha e o bicarbonato de sódio, mexer bem, e por fim envolver as pepitas ou os pedacinhos de chocolate.
Se a massa ficar como a minha, bastante consistente, vai poder fazer bolinhas com as mãos. Molde-as, do tamanho um pouco maiores que brigadeiros, e coloque-as num dos tabuleiros com papel vegetal, bem separadas entre si, pois vão alargar e achatar. Também pode usar uma colher de gelados pequena.
Levar a restante massa ao frigorífico enquanto o primeiro tabuleiro coze, o que deve demorar à volta de 20/25 minutos. Pouco antes de retirar o primeiro tabuleiro do forno, fazer mais bolinhas, colocando-as no segundo tabuleiro, e assim sucessivamente, reservando sempre a massa que sobra entre cada tabuleiro no frigorífico.
Cinco minutos após as bolachas terem saído do forno, colocá-las a arrefecer sobre uma grade.
Guardar em recipientes herméticos.

Notas:

- A receita original fala em 14 bolachas, mas deve ser gralha: rendeu-me 50 de tamanho médio (e no livro não parecem ser exageradamente grandes);
- Desta vez segui a receita à risca e não coloquei dois tabuleiros no forno de cada vez, mas para a próxima irei fazê-lo, para poupar tempo e energia;
- Nas fotos do livro, vê-se que Nigella usa a batedeira para misturar os ingredientes da massa; eu usei uma colher de pau e foi pacífico;
- Vai parecer impossível que as bolas (feitas à mão ou com a colher de gelado) se transformem em bolachas quase planas, mas vá espreitando o forno e verá a magia acontecer.


10.10.12

O show cooking e o creme gelado de castanha.














O convite para fazer um show cooking no Porto.Come/ Mercado de Sabores do Continente, de que falei no post anterior e que aconteceu no passado sábado, na Alfândega do Porto, trouxe-me várias coisas boas, para além do momento em si.

Com esse desafio nas mãos e uma vez que o tema eram "os sabores de sempre", decidi finalmente explorar o caderno de receitas que a minha mãe guarda ainda do tempo de solteira, de um curso para futuras donas de casa (sim, no princípio dos anos 60 essa escola existia e chamava-se Obra das Mães).

E que boas receitas, caligrafadas, estão naquele caderninho, do qual agora serei guardiã (pelo menos enquanto a minha mãe não se lembrar de pedi-lo de volta).
Um dos meus objetivos para os próximos tempos, ao estilo Julie Powell, é ir experimentando-as e dar conta aqui do resultado. Duas já foram testadas: o creme gelado de castanha que apresentei no show cooking, e cuja receita segue mais abaixo, e uma torta de maçã deliciosa que também merece um post, assim que a voltar a fazer.

Castanha, maçã, marmelo... nos dias que antecederam o show cooking fiz algumas experiências com estes frutos, pois queria levar algo próprio desta época. E queria que fosse uma sobremesa ou algo doce, uma vez que é o que mais aparece por aqui.

Quando experimentei pela primeira vez esta espécie de gelado, soube que tinha encontrado a receita.
Fiz alguns ajustes ao molho de chocolate e andei à voltas para escolher um topping crocante, até decidir que as nozes ficavam perfeitas.

Depois, resolvi apresentar também este biscoitos, que eu adoro, uma vez que há ingredientes comuns a ambas as receitas.

Eram então estes os sabores que esperavam o público na Praça das Experiências do Porto.Come/ Mercado de Sabores do Continente, às nove da noite do dia 6 de Outubro. Um público que se mostrou bastante mais numeroso do que eu estava à espera.

Apesar de algum nervosismo, acho que correu bem. Senti-me muito confortável daquele lado (mais do que alguma vez havia imaginado) e adorei poder partilhar de uma forma diferente esta minha paixão pela cozinha. Estava muito feliz e acho que isso se nota nas fotos.

Claro que tive umas brancas pelo meio, demorei imenso tempo a destacar as bolachas das folhas de obreia e julgo que me esqueci de dizer que a manteiga para o creme gelado era SEM sal.

Mesmo assim, os cerca de sessenta minutos que ali estive pareceram-me mágicos. E houve uma série de pessoas que contribuíram para isso:

- as minhas 'cobaias', família e amigos, que provam aquilo que faço e me dizem sem rodeios o que pode ser melhorado;
- os comentários e as mensagens de apoio e incentivo que fui recebendo no blog e no facebook;
- o público simpático e interessado (e a presença de muitas caras minhas conhecidas);
- a organização do evento, nomeadamente na pessoa da Rita Sousa, que foi de uma amabilidade e profissionalismo exemplares;
- o Pedro e o Rafael, os assistentes da Escola de Hotelaria do Porto que me foram destinados e que estiveram fantásticos;
- a Chef Justa Nobre, com quem meti conversa umas horas antes (há uns anos não teria tido lata para tal - nem coragem para aceitar o convite, digamos a verdade - mas acho que a idade nos deixa menos envergonhados) e que me aconselhou, com aquele seu registo simples e algo maternal, a relaxar e a improvisar se algo não corresse tão bem;
- e, por último, a Isabel, ou a Laranjinha, do Cinco Quartos de Laranja (e o seu R.): ter sido convidada para o evento já foi muito bom; mas ter sido convidada para um evento que contou com uma das food bloggers portuguesas que mais admiro, foi extraordinário. Apesar de termos tido pouco tempo para conversar, aquele bocadinho foi muito especial. E poder assistir ao seu show cooking antes de ser eu a colocar o avental, foi absolutamente inspirador. Podem ver detalhes da sua participação aqui.

Obrigada a todos (incluindo os amigos 'fotógrafos').

Finalmente, a receita:




































































































Creme gelado de castanha com molho de chocolate e café

250 g de miolo de castanha
(frescas ou congeladas: se usar frescas é preciso cerca de 500 g para obter 250 g de miolo)
230 g de açúcar
200 g de manteiga sem sal à temperatura ambiente
6 gemas à temperatura ambiente
Leite qb

150 g de chocolate de culinária
75 ml de café expresso
75 ml de água

Nozes picadas para decorar

Cozer as castanhas, cobrindo-as com leite, até estarem bem macias.
Se usar castanhas da época, retire-lhes um pouco de casca e pele com uma faca antes de levar a cozer (para não rebentarem); após a cozedura reserve o leite que sobrou e retire as cascas e as peles às castanhas.
Triturar bem as castanhas juntamente com o leite da cozedura (este deve ser apenas o suficiente para ligar o puré de castanha: se achar que sobrou muito leite vá juntando aos poucos enquanto tritura; se achar que sobrou pouco, junte mais leite).
Juntar ao puré de castanha as gemas previamente desfeitas, o açúcar e a manteiga. Mexer bem e bater com a batedeira eléctrica (de preferência com braço) cerca de 20 minutos numa velocidade média-alta.
Se usar a Bimby, programe 10 minutos, com a borboleta, na velocidade 3,5 ou 4.
Tem de se obter um preparado muito uniforme, brilhante e cremoso e com um tom acastanhado.
Verter para uma caixa de plástico ou pirex com tampa e levar ao congelador idealmente 24 horas antes de servir.

Para o molho:

Levar ao lume em banho-maria (ou então usar o microondas), o chocolate partido em pedaços com a água e o café frio ou morno.
Não mexer até o chocolate estar derretido. Assim que estiver, retirar do lume e mexer bem com um batedor de varas. Está pronto a servir.

Para servir:

Retirar com antecedência do congelador (15-30 minutos, dependendo do tempo de congelação e da temperatura ambiente), e com uma colher de gelado retirar a dose pretendida para uma taça; verter um bom fio do molho de chocolate e terminar com as nozes picadas.

Algumas notas:

- Também se pode levar a congelar numa forma tipo 'bolo inglês' forrada com película aderente: quando for servir, retire com alguma antecedência do congelador, desenforme para um prato e sirva com o molho e as nozes à parte.

- O molho poder ser adaptado ao gosto de cada um, com aquela proporção de líquidos para a quantidade de chocolate; neste caso podemos usar, por exemplo, apenas 150 ml de água ou 100 ml de água e 50 ml de café...

- Se for consumir o gelado gradualmente, adapte a quantidade de molho, fazendo este no momento de servir (pode, no entanto, ser feito com alguma antecedência e ser depois aquecido).

29.9.12

Cupcakes com Nutella e uma descoberta tardia.
































































Quando era pequena e andava na escola primária, a minha mãe comprava, muito de vez em quando, Tulicreme.
Nunca fui muito fã e ainda hoje me lembro do sabor amanteigado desse creme de chocolate de barrar, assim como da canção do anúncio: "Ó Tuli e o pão é com quê? Tulicreme, já se vê!"

Deste imaginário, o Nutella não faz parte: a primeira vez que comi esta guloseima da Ferrero, já estava casada. Apesar de ter gostado (na verdade, quem não gosta?), nunca entrou nos hábitos alimentares cá de casa, muito menos quando os miúdos nasceram.

Mas este livro da Hummingbird Bakery, e a sua receita de cupcakes de chocolate e avelã, obrigaram-me a abrir uma excepção e a comprar o segundo frasco de Nutella da minha existência (há uns tempos, tentei fazer um creme de chocolate e avelãs do género, na Bimby, mas não correu bem).

As fotos - tiradas já com pouca luz, depois de ir buscar os piratas à escola e enquanto estes se acotovelavam para ver quem agarrava primeiro num queque, não fazem justiça à sua glória. Seguramente, são os cupcakes mais deliciosos que fiz ou comi (até porque não sou muito adepta de bolos com creme de manteiga; gosto de fazê-los, acho que ficam bonitos na mesa, mas não costuma passar daí).

Na realidade, este creme de manteiga e Nutella da cobertura, nem sequer leva assim tanta manteiga. Bem batido, fica muito suave e confere doçura ao cupcake, uma vez que a massa de chocolate, propositadamente, é pouco doce.

E já que é para a desgraça, retire-se um pedaço do centro do cupcake, antes de ser coberto, e recheie-se com um pouco de Nutella simples... OMG!







































Cupcakes de chocolate e avelã (daqui)
(cerca de 12)

100 g de farinha sem fermento
20 g cacau de em pó
140 g de açúcar em pó
1,5 colheres de chá de fermento tipo Royal
40 g de manteiga sem sal à temperatura ambiente (usei Vaqueiro)
1 pitada de sal (não adicionei)
120 ml de leite gordo (usei meio gordo)
1 ovo
Creme de avelã e chocolate qb (tipo Nutella)

Para a cobertura:
250 g de açúcar em pó peneirado
80 g de manteiga sem sal à temperatura ambiente (usei Vaqueiro)
25 ml de leite gordo (usei meio gordo)
80 g de creme de avelã e chocolate qb (tipo Nutella)
Avelãs torradas inteiras ou picadas (opcional)


Pré-aquecer o forno nos 170º.
Distribuir as forminhas de papel pela forma própria para queques.
Na taça da batedeira, juntar a farinha, o cacau, o açúcar, o fermento, o sal e a manteiga.
Com a batedeira eléctrica, bater em velocidade baixa até os ingredientes ficarem misturados (mas não é necessário ficarem ligados em creme).
Acrescentar lentamente o leite e de seguida o ovo. Bater até estar tudo bem ligado.
Com a ajuda de uma colher (ou colocando este preparado numa espécie de bule/jarro), verter para as formas, enchendo-as até 3/4.
Levar ao forno durante cerca de 20 minutos.

Enquanto arrefecem, preparar a cobertura: bater bem o açúcar com a manteiga a uma velocidade média. Juntar o leite e aumentar a velocidade. Bater cerca de 5 minutos até o creme ficar bem leve e cremoso.
Por fim, misturar com uma espátula ou colher de pau o creme de pasta de chocolate e avelã, até ficar uniforme.

Para terminar, retirar com uma faca - ou cortador de bolachas redondo pequeno - um pouco do centro dos cupcakes e rechear com uma colher de chá bem cheia de Nutella simples. Tapar com o pedaço de massa que se retirou, pressionando um pouco. Cobrir com o creme de manteiga e Nutella e, se desejar, polvilhar com avelãs torradas*.


*Leve uma sertã anti-aderente ao lume e quando estiver quente, adicione as avelãs e deixe-as tostar, agitando sempre, até a pele começar a querer sair. Embrulhe-as ainda quentes num pano de cozinha limpo e esfregue este no balcão de cozinha: a pele sairá facilmente.


11.6.12

Um gelado para mim, um gelado para ti...




O ano passado, mais ou menos por esta altura, comprei uma máquina de fazer gelados.
Baratinha, do Lidl.
Depois daquela emoção inicial, que levou à primeira experiência (que não teve direito a post), a maquineta ficou parada.
Não que não tenha gostado do resultado, mas depressa a cuba da máquina teve de ceder o seu lugar no congelador a coisas mais prioritárias e acabou por ficar esquecida.

Até que voltei a arranjar um espacinho para ela no meio das ervilhas, das favas e dos pães já preparados para os lanches dos piratas.
A ideia era fazer um gelado de morango e limoncello, uma receita de Gennaro Contaldo que tenho marcada há muito, mas quando confirmei a quantidade de licor, desisti: o primeiro gelado da estação tinha de ser próprio para os mais novos também.

Acabei por fazer um daqueles gelados básicos - uma receita de natas, leite condensado e bolachas, comum a muitas cozinhas - mas usei a máquina para o bater e, supostamente, congelar, mas confesso que depois de 50 minutos na máquina, foi algumas horas ao congelador...

O gelado é muito bom: macio, cremoso, com o crocante intermitente da bolacha e um suave sabor a chocolate... mas a estrela desta bomba calórica é o topping.

Estão a ver o molho de chocolate dos sundae do McDonald's? Este é muito melhor...


Gelado de leite condensado e bolacha c/ topping de chocolate

400 ml de natas (2 pacotes)
1 lata de leite condensado
Bolachas a gosto (usei 2 pacotes individuais de Micos* e 1 pacote individual de Oreo)

Bater as natas em chantilly, juntar-lhes o leite condensado e envolver as bolachas picadas ou partidas mais grosseiramente, de acordo com o que preferir.
Se usar a máquina de gelados, siga as instruções do fabricante.
Se não tiver máquina, coloque o preparado numa caixa ou recipiente próprio para congelar e leve ao congelador pelo menos 12 horas antes de servir.

Para o topping de chocolate
(receita do chef Luís Francisco)

500 g de açúcar
250 ml de água
1 casca de limão
1 pau de canela
100 g de cacau em pó
1 colher de sopa de manteiga ou margarina

Começar por fazer uma calda de açúcar a 32º: num tacho de fundo espesso, levar ao lume a água, o açúcar, a casca do limão e o pau de canela.
Não mexer: quando levantar fervura forte (bolhas grandes por toda a superfície), contar 3 minutos.
Retirar do lume e descartar a casca de limão e o pau de canela (este pode ser reutilizado, depois de passado por água e seco).
Juntar o cacau peneirado e levar novamente ao lume até ferver. Juntar a manteiga, mexer bem e retirar do lume. Coar e servir, ou passar para um frasco hermético, se não usar de imediato (dá uma dose bastante generosa). Deixar arrefecer, tapar e guardar no frigorífico.
Dura pelo menos 1 mês e pode ser usado como topping em gelados, crepes, etc.
Sempre que quiser usar, aqueça a porção desejada (no microondas, por exemplo) e coe antes de servir, pois é normal o açúcar cristalizar. 

*Bolachinhas recheadas com chocolate da marca Continente


20.5.12

"Choc, choc, chocolate"













































Não sou de grande apetite
Mas tenho fomes assim
Entre o lanche e o jantar
Entre a cama e a despensa

Porque a voz do chocolate
Está sempre a chamar por mim

Sou xexé por chocolates
Oh lá lá, melhor que chicha
Ovinhos, línguas de gato
Barras de 20 quilates

Viro logo cachalote
Nunca chega uma tablete
Para laricas de choc

Não sou de grandes petiscos
Como e não choro por mais
Debico como os pardais
Mas não resisto ao apelo
Do cheirinho a chocolate
Nas minhas fossas nasais
(...)

Chocolantando, me encharco
E de cacau não me farto...

Sou xexé por chocolates
Oh lá lá, melhor que chicha
Ovinhos, línguas de gato
Barras de 20 quilates

Viro logo cachalote
Nunca chega uma tablete
Para laricas de chocolate
Choc, choc, chocolate...

(...)


"Chocolatando" - Clã (Disco Voador)
Letra de Regina Guimarães




Devil's Food Cake com cobertura gulosa de chocolate
(bolo - receita de David Lebovitz; cobertura - receita do livro Chocolate)

Para o bolo:
70 g de cacau em pó
200 g de farinha sem fermento
1/2 colher de chá de sal
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/4 de colher de chá de fermento em pó
125 g de manteiga sem sal à temperatura ambiente
250 g de açúcar (usei amarelo)
2 ovos L (usei 3 ovos M)
1/2 chávena de café forte ou água
1/2 chávena de leite

Para a cobertura:
175 g de chocolate negro ou de culinária
75 g de chocolate de leite
3 colheres de sopa de açúcar amarelo
300 ml de natas (tinha-me esquecido de referir que usei só 200 ml - 1 pacote - e não me arrependi!)

Pré-aquecer o forno nos 180º.
Untar e polvilhar com farinha duas formas de 20 ou 22 cm e forrar-lhes o fundo com papel vegetal que se unta e polvilha também.
Peneirar para uma taça o cacau, a farinha, o sal, o bicarbonato de sódio e o fermento.
Na taça da batedeira eléctrica, bater a manteiga e o açúcar até estar cremoso e fofo.
Adicionar os ovos, um a um.
Juntar metade dos ingredientes secos à mistura de manteiga e açúcar. Adicionar o café e o leite, misturados antes à parte. Adicionar por fim os restantes secos.
Dividir a mistura pelas duas formas e levar ao forno cerca de 25 minutos ou até um palito sair seco quando espetado na parte central dos bolos.

Enquanto o bolo arrefece, prepare o recheio e a cobertura:
Derreter os chocolates partidos em pedaços em banho-maria.
Retirar do calor e juntar o açúcar e as natas, mexendo bem.
Deixar arrefecer e usar para rechear e cobrir o bolo.

Nota: desta experiência, que serviu para cantarmos os parabéns ao pai do G., gostei mais do creme da cobertura e do recheio do que do bolo, apesar do seu sabor intenso e da sua textura perfeita, com migalhas grandes húmidas (à falta de melhor descrição). Há quem diga que esta receita norte-americana foi assim baptizada por oposição ao 'Angel Food Cake' - um bolo branco, muito leve e fofo.