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1.4.16

Um bolo de tigela [e uma novidade com nervoso miudinho]

































O ano passado, os bolos de caneca fizeram bastante sucesso.
Confesso que nunca fiz nenhum mas, recentemente, vi uma reinterpretação desta tendência numa revista francesa, em que usaram taças ou tigelas (ou malgas, para quem é do norte, como eu).
Achei esta versão mais interessante pela possibilidade de serem desenformados - possivelmente os de caneca também podem ser, mas a forma e o aspecto final é capaz de não ser tão apelativo.

Há uns meses, comprei pela primeira vez uma embalagem de açúcar de coco que andava ansiosa por provar e usar e achei que uma receita 'pequena', como um 'bolo de tigela', seria a oportunidade ideal. Para além de ter utilizado o açúcar de coco na massa do bolo, fiz também com ele o molho de caramelo e resultou muito bem.

O açúcar de coco, extraído das flores do coqueiro, é menos processado que o açúcar branco, e apresenta nutrientes como potássio, ferro, zinco e fósforo e vitaminas do complexo B. Apesar de ter um índice glicémico baixo, ou seja, a sua absorção pelo organismo é mais lenta do que no caso dos açúcares refinados, é bastante calórico e deve ser usado igualmente com moderação. Gosto de usar produtos novos e gostei desta experiência - provado ao natural o açúcar tem aroma e sabor torrados característicos e é um pouco ácido, mas no bolo e no molho de caramelo não notei qualquer diferença em relação a um açúcar amarelo ou mascavado - no entanto, não me parece que vá passar a fazer parte dos ingredientes básicos cá de casa, sobretudo pelo seu preço elevado.

Quanto a este bolo de maçã, é um bolo de micro-ondas: fácil, rápido e um pouco esponjoso, mas em que a maçã e o molho de caramelo disfarçam de forma maravilhosa a técnica preguiçosa.

E antes de passarmos à receita, uma revelação com alguns nervos à mistura...

... estou a trabalhar num livro! Sim, um livro de cozinha!

Há uns tempos, fui desafiada por uma editora e, depois de muito ponderar, muito questionar e muito panicar, decidi avançar com a empreitada. Para já, só vos posso dizer que tem sido uma aventura e pêras. Pensar nas receitas, testá-las, dá-las a provar, aproveitá-las ou descartá-las e começar de novo, cozinhá-las para a sessão fotográfica, fotografá-las, escrever os textos e as receitas. E o S. Pedro que tem sido tão mauzinho? Adiar sessões, fotografar quase sem luz, acho que o making of do livro, dava outro livro...

Mas não posso negar que tem sido um desafio estimulante, que me tem ajudado a evoluir e a aprender imenso, nomeadamente sobre os meus próprios limites. Ainda não vos posso falar muito do conceito do livro, nem dizer quando será lançado, à partida será no último trimestre do ano, mas aos poucos irei revelando alguns detalhes, por isso, toca a ficar atento!

E, claro, não podia deixar de agradecer a todos os que me lêem, a todos os que experimentam as receitas que aqui partilho e me dão o seu feedback (quase sempre positivo, o que me deixa muito feliz), a todos os que de alguma forma interagem com o Lume Brando no facebook e no Instagram: sem vocês, a motivação para cuidar do blog e fazê-lo crescer nunca seria a mesma e esta oportunidade nunca teria surgido. Muito, muito obrigada!















BOLO DE TIGELA DE MAÇÃ E CANELA C/ MOLHO DE CARAMELO

Para dois bolos pequenos (tigelas c/ cerca de 10 cm de diâmetro e 7 cm de altura)

1 ovo
2 colheres de sopa de açúcar de coco
1 colher de sopa de azeite extra virgem suave ou frutado
3 colheres de sopa de leite
3 colheres de sopa de farinha com fermento
1 colher de café rasa de fermento em pó
1 maçã média descascada e cortada em pedacinhos
1 fio de sumo de limão para regar a maçã
1 pitada de canela
1 pitada de gengibre

Para o molho:
2 colheres de sopa açúcar de coco
2 colheres de sopa de água ou mais um pouco
2 colheres de sopa de natas

Unte bem as tigelas com manteiga ou azeite e polvilhe com farinha ou use spray desmoldante (que foi o meu caso). Descasque e parta em pedacinhos a maçã, regando-a com o sumo de limão.
Numa taça, junte todos os ingredientes e envolva tudo, sem mexer demasiado.
Divida pelas tigelas e leve ao micro-ondas 3 minutos nos 700 watts.
Retire, deixe arrefecer uns minutos e desenforme com cuidado.

Enquanto arrefecem, prepare o molho: junte a água e o açúcar num tachinho de fundo espesso e leve ao lume médio. Nunca mexa: quando muito, rode a panela, para a água cobrir todo o açúcar quando este começar a derreter. Quando começar a borbulhar e a caramelizar, retire do lume e junte as natas. Mexa bem e sirva com o bolo.

Nota: apesar de ter usado farinha com fermento, juntei mais um pouco de fermento, pois acho fraco o poder levedante das farinhas já com fermento. Aliás, raramente uso farinhas com fermento, prefiro usar sem e juntar o fermento à parte, mas na Páscoa, a farinha sem fermento tinha desaparecido das prateleiras do supermercado onde fui fazer compras!





18.3.16

Um brownie de cerveja para 'pais-chocolate'.


















Sou fã de livros infantis. Desconfio que gosto mais deles do que os meus filhos, que estão a ficar grandes e começam a preferir a literatura pré-adolescente, se é que este género existe, aos livros que eu cuidadosamente escolhia para lhes ler à noite.

Uma das minhas editoras do coração é a Planeta Tangerina. As ilustrações, as histórias que nos obrigam a imaginar porque são contadas por meias palavras, a abordagem inteligente e original aos temas, gosto de tudo. São pequenas jóias que temos cá em casa e se a roupa que já não lhes serve é oferecida, confesso que sou incapaz de me desfazer destes livros, mesmo que por agora os piratas os deixem a ganhar pó na estante.

Há uns anos, ofereci ao pai cá de casa o "Pê de Pai", um livro delicioso que enumera os vários papéis e funções que o pai vai assumindo ao longo do dia ou ao longo do crescimento dos filhos, desde o "pai cabide", em quem os filhos se penduram, até ao 'pai grua", que levanta e puxa o filhote sempre que é preciso, passando pelo 'pai travão', que evita os acidentes, o 'pai seta', que indica de forma firme o que o filho deve fazer, o 'pai casaco', que abriga o filho quando começa a chover, o 'pai cofre', que guarda segredos, ou ainda o 'pai chocolate', que dá vontade de abraçar e trincar.

Porque amanhã é Dia do Pai, aqui fica uma receita dedicada a todos os pais, em especial aos 'pais chocolate': aqueles que se deixam abraçar e se dão aos filhos de forma generosa. Um brownie guloso que leva cerveja e amendoim, para um Feliz 19 de março!

PS: Também temos cá em casa o "Coração de Mãe" e eu, que pareço muito pouco lamechas e emocional, não consigo lê-lo sem que uma lágrima me escape, de tão bonito que é.
















BROWNIE DE CERVEJA COM AMENDOINS
Adaptado de The Kitchy Kitchen

2 ovos
125 g de açúcar mascavado
65 g de farinha sem fermento
20 g de cacau em pó
1 colher de chá de fermento em pó
60 g de chocolate de culinária
60 g de manteiga
60 ml de cerveja preta
1 colher de chá de extrato de baunilha
1/2 chávena de pepitas de chocolate negro (quando publiquei o post tinha-me esquecido deste ingrediente!)
1 chávena de amendoins torrados + sal qb + azeite qb + açúcar mascavado qb

Unte com manteiga e polvilhe com farinha uma forma retangular com cerca de 17 cm x 25 cm. Forre-o com papel vegetal e volte a untar/polvilhar.
Ligue o forno nos 180º.
Peneire a farinha, o fermento e o cacau para uma taça e reserve.
Numa taça maior, bata os ovos com o açúcar.
Derreta a manteiga juntamente com o chocolate e mexa bem. Junte a baunilha e a cerveja.
Alternadamente, vá juntando à taça dos ovos e do açúcar quer a mistura dos secos (farinha, cacau e fermento), quer a mistura líquida (chocolate derretido, cerveja, baunilha), terminando com os secos. Não mexa demasiado e envolva por fim as pepitas de chocolate. Verta sobre a forma.
Entretanto, passe os amendoins por azeite ou óleo vegetal e polvilhe com sal e açúcar mascavado. Envolva tudo muito bem e espalhe os amendoins pela massa do brownie (se usar amendoins com sal ou amendoins caramelizados, omita o sal ou use os amendoins tal como estão, respetivamente).
Leve o brownie ao forno cerca de 25 minutos. Faça o teste do palito, que deve sair com umas migalhas grossas agarradas.
Deixe arrefecer na forma.





25.2.16

Um bolo para onze velas.




Esta é uma semana de festa por aqui.
O mais velho fez a sua primeira capicua. Cantaram-se os parabéns no próprio dia com os avós e os tios, festejou-se no dia seguinte com os amigos e no fim de semana haverá cá em casa o tradicional almoço de família (desta vez seremos uns 35 à mesa!)
Três bolos de aniversário, portanto.
Este foi o primeiro.

Julgo que já falei aqui que massas de chocolate não são a minha primeira opção para bolos de aniversário. Porque os bolos de aniversário querem-se altos e com alguma decoração (sobretudo se estamos a falar de uma criança ou pré-adolescente) e para mim os melhores bolos de chocolate são aqueles que se servem como sobremesa: baixos e húmidos. Mas chocolate é o sabor preferido do aniversariante, por isso tinha mesmo de ser.

Conseguir uma massa de chocolate que se adapte a um bolo alto, que dê para decorar e ao mesmo tempo seja húmida e deliciosa não é fácil. Este bolo foi por isso uma ótima surpresa.
Adaptei uma receita base de bolo de chocolate tipo chiffon, que me foi passada há vários anos e consegui um bolo intenso, húmido e bonito. O aspeto, não sendo a característica principal (para mim, o principal, é sempre o sabor) era neste caso importante. Tenho pena de não vos poder mostrar uma fatia do bolo, para verem como estava escuro e húmido.

E como o formato do bolo que escolhi já tinha um certo ar de festa, a decoração foi bastante simples, a comprovar o princípio de que "menos é mais".





















BOLO DE CHOCOLATE E AMÊNDOA

4 ovos
1 chávena de açúcar branco
1/2 chávena de açúcar amarelo
1 chávena de óleo de girassol
1 chávena de água a ferver
65 g de chocolate em pó
65 g de cacau em pó
1 chávena de amêndoa moída
1 chávena de farinha sem fermento
1 colher de sopa de fermento em pó

Chávena = 250 ml de capacidade

Para a decoração:

1 embalagem de cobertura de chocolate da Vahiné
ou 150 g de chocolate de culinária (mínimo 52% de cacau)
Sprinkles/granulado colorido


Pré-aquecer o forno nos 180º
Untar muito bem a forma, sobretudo se usar uma forma com chaminé, como neste caso, e polvilhá-la com farinha, ou então usar spray desmoldante. Eu usei spray desmoldante numa dose mais generosa do que o normal, pois como o bolo é húmido e nestas formas não podemos usar papel vegetal, não quis correr o risco de ficar com partes do bolo agarrado à forma.
Numa taça grande, bater bem os ovos com o açúcar. Juntar o óleo, mexer bem.
Adicionar a água a ferver e mexer vigorosamente.
Juntar o chocolate e o cacau - mexer bem até estarem bem dissolvidos.
Juntar a amêndoa moída, seguida da farinha e do fermento.
Verter para a forma e levar a cozer cerca de 40 minutos, mas vai depender bastante da forma e do forno. Eu usei uma forma de silicone e nestas, normalmente, os bolos cozem mais rápido. Passados 35 minutos, comece a vigiar e faça o teste do palito: espete-o no centro do bolo e, se sair limpo, está pronto.
Retire do forno, aguarde uns minutos, passe uma faca de manteiga pelos lados da forma e desenforme.
Se tiver usado uma forma de silicone, deixe arrefecer na forma, passe depois uma faca de manteiga pelos lados da forma e desenforme.

Depois de frio, pode decorar.
Eu usei uma embalagem desta cobertura que a Vahiné me ofereceu, mas conseguem o mesmo resultado, fazendo derreter em banho-maria 150 g de chocolate de culinária. Depois de bem derretido, é só espalhar com uma colher pelo topo do bolo, fazendo escorrer de vez em quando, para um efeito mais dramático. Espalhe de imediato os sprinkles coloridos (e as velas, se for caso disso), pois o chocolate seca rapidamente.


11.2.16

O amor está na mesa.






























Ok, por aqui não se costuma celebrar o S. Valentim.
Não fazemos nenhum jantar romântico, não trocamos prendas.
O Dia dos Namorados chega muitas vezes em forma de postal, desenhado e escrito pelos mais novos na aula de inglês (e que bom que é, ainda acharem que a mãe é a sua girlfriend!)

Gostamos de mimos sem data marcada e muitas vezes faço uma sobremesa especial, ao gosto do provador-mor.
No último fim-de-semana, o sabor escolhido foi castanha.
Fiz éclairs e profiteroles, recheei-os com creme de nata e castanha e cobri-os com glacé de chocolate e café.
Como correu tão bem mas não tive oportunidade de fotografar, decidi voltar a fazer a sobremesa, mas desta vez com um twist (ou, melhor dizendo, um atalho, para que seja ainda mais fácil e rápido fazer uma sobremesa daquelas que geram 'uaus' instantâneos).
Para além disso, a receita da massa dos éclairs já está aqui, podem sempre fazê-los, se preferirem.

Para criar esta espécie de mil-folhas, primeiro pensei em usar placas de massa folhada (um dia destes vou experimentar, com este mesmo creme), mas depois passei os olhos por uma caixa de bolachas 'belgas', que de vez em quando gosto de servir a acompanhar gelado, e achei que iam ficar muito bem numa sobremesa assim, às camadas.

E, modéstia à parte, acho que resultou mesmo. Já estou a imaginá-las a fazer de entremeio numa sobremesa com chantilly, frutos vermelhos e ganache de chocolate... omg!

Escusado será dizer que não é uma sobremesa para todos os dias. É doce e intensa, macia e crocante ao mesmo tempo.
Poderosa e reconfortante. Tal como deve ser o amor.
Amor esse que, ao contrário desta sobremesa, podemos e devemos consumir em doses generosas, todos os dias!















MIL-FOLHAS FINGIDO DE CASTANHA COM MOLHO DE CHOCOLATE E CAFÉ

Para 2

6 bolachas 'belgas' finas
120 g de doce de castanha de compra (uso este)
60 g de natas batidas sem açúcar (pesei depois de batidas)
30 g de chocolate de culinária (mínimo 52% cacau)
15 g de manteiga
1 colher de sopa de café
Cacau em pó para polvilhar


Comece por preparar o molho: leve o chocolate ao lume em banho-maria. Assim que estiver derretido, junte a manteiga e mexa bem. Por fim junte o café (ou água, se preferir). Mexa bem e reserve.
Bata as natas até obter picos firmes (a meio do processo junte umas pingas de sumo de limão, ajuda a prender as natas). Pese a quantidade indicada e junte ao doce de castanha. Mexa bem com um batedor de varas.
Coloque este creme num saco de pasteleiro munido de um bico 'estrela'.
Coloque um pouco de creme no centro do prato de servir, para funcionar como 'cola'.
Pouse uma bolacha, pressionando um pouco para agarrar o creme.
Faça montinhos de creme por cima da bolacha e pouse outra bolacha em cima. Repita, terminando com uma camada de creme.
Coloque um pouco de molho de chocolate no prato e termine polvilhando com cacau em pó.
Sirva com mais molho de chocolate à parte.

Nota: monte a sobremesa só na altura de servir, para que as bolachas não amoleçam!








29.1.16

Volta cupcake, que estás perdoado.


















Como em quase tudo, também a culinária se faz por fases ou modas.
Há uns anos um hit em qualquer festa de aniversário, o cupcake depressa perdeu protagonismo, talvez pelas suas coberturas muitas vezes exageradas e enjoativas — até do ponto de vista estético –, talvez pela crescente e generalizada preferência por doces mais saudáveis.

Mas se houver uma festa de aniversário ou um jantar de fim-de-semana especial, temos álibi para voltar a pôr os cupcakes na mesa.
Estes até se comem sem culpa: são feitos com as clementinas inteiras, casca e tudo; a gordura que levam é azeite, e a cobertura (e o recheio) é uma simples ganache de chocolate preto.
Elegantes e deliciosos, tenho a certeza de que irão surpreender todos aí em casa.

Bom fim-de-semana!




















CUPCAKES DE CLEMENTINA E CHOCOLATE
Para 10

3 clementinas (ou tangerinas) pequenas
3 ovos
130 g de açúcar

125 ml de azeite suave
200 g de farinha
1 colher de chá bem cheia de fermento

Para o recheio e  cobertura:
300 g de natas
300 g de chocolate de culinária (mínimo 52% cacau)

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Prepare as forminhas de papel e distribua-as pelas cavidades de uma forma para queques.
Lave bem as clementinas e corte-as em quartos.
Retire as pevides que encontrar e triture as clementinas, com a casca, num robot de cozinha ou num liquidificador.
Junte os ovos e o açúcar e bata bem.

Adicione o azeite e volte a bater mais um pouco..
Adicione por fim a farinha e o fermento e bata a uma velocidade baixa ou então envolva estes ingredientes manualmente.
Distribua pelas forminhas de papel (encha-as até cerca de ¾) e leve ao forno entre 12 a 15 minutos.
Entretanto prepare a ganache de chocolate para o recheio e cobertura: parta o chocolate em pedaços e coloque-os numa taça de vidro ou metal.
Leve as natas ao lume num tachinho de fundo espesso, em lume médio, e assim que começarem a querer levantar fervura, coe-as diretamente para a taça do chocolate (coar as natas evita que passe para o chocolate aquela pele branca da gordura que vai ganhando à superfície).
Aguarde um ou dois minutos e depois mexa bem com um batedor de varas até obter um creme liso e brilhante. Deixe arrefecer.
Assim que o creme estiver frio, abra com uma faca de serrilha uma cavidade no centro de cada queque, reservando a massa que retirou, e coloque aí um pouco de ganache. Volte a tapar, pressionando um pouco.
Entretanto, deixe a restante ganache ganhar consistência. Quando vir que está moldável mas que aguenta a forma (pode colocar no frigorífico para acelerar o processo, mas o ideal é atingi-lo à temperatura ambiente), coloque-a num saco descartável de pasteleiro munido de um bico estrela largo, e decore os queques.
Se quando for decorá-los, as formas de papel tiverem começado a descolar, o que por vezes acontece, retire-as e coloque os queques numa forminha de papel nova, para que fiquem mais bonitos.

Receita publicada no jornal Observador em 2/12/2015


21.1.16

Se a vida te der limões, faz... pudim.
















Não consigo estar muito tempo sem experimentar receitas novas em que o limão é a estrela principal.
Num zapping ensonado, há já bastante tempo, encontrei a Donna Hay a fazer esta espécie de pudim de limão. Parecia tão simples e delicioso que consegui superar a preguiça e apontar a receita num pedaço de papel, que guardei no meio de um livro qualquer (organização, como podem ver, é a minha especialidade ;)

Esta semana encontrei o papelinho, reli a receita e não hesitei: fui para a cozinha.
Primeiro teste: massa deliciosa antes de ir ao forno, massa com uma textura fantástica mas com um travo muito amargo depois de cozida. Por quê? Porque a receita original diz para usarmos o limão com a casca.
Concluí que os limões australianos devem ser diferentes dos nossos.

Como adorei a textura da sobremesa, decidi repetir, retirando a casca ao limão.
Desta vez, muito melhor! A minha sorte foi não ter gelado em casa, se não a desgraça tinha sido maior.

Fica uma espécie de lemon curd gelatinoso, completamente viciante (pelo menos para maluquinhos por limão, como eu), e é tão rápido e fácil de preparar que é uma boa solução para quando surgem convidados para jantar e não temos tempo para algo mais elaborado.
Ah, e é bom quente, morno ou frio!















PUDIM DE LIMÃO
[adaptado de uma receita de Donna Hay]

Para 3 ramekins como os da foto
Pode facilmente dobrar a receita

1 limão médio
200 g de açúcar (ou ajuste de acordo com o limão)
3 gemas
200 ml de natas (1 embalagem)
30 g de manteiga derretida
2 colheres de sopa de amido de milho
Açúcar em pó para decorar

Pré-aqueça o forno nos 160º.
Unte ligeiramente os ramequins ou um assadeira pequena.
Apare as pontas do limão e, sobre uma tábua de cozinha, descasque-o a toda a volta, retirando toda a pele branca. Parta-o em 8 e retire as pevides.
Coloque o limão juntamente com o áçucar num processador de cozinha e triture muito bem.
Junte os restantes ingredientes, envolva tudo muito bem no processador e verta para a(s) forma(s).
Leve a cozer durante cerca de 30 minutos.
Quando pronto, deve ter uma crosta ligeiramente dourada, mas deve ainda estar pouco consistente no centro.
Polvilhe com açúcar em pó e sirva com framboesas frescas, natas batidas ou uma bola de gelado.



19.12.15

Christmas mood.


















Gosto da dimensão mágica do Natal, mais viva e sentida, é certo, quando há crianças em casa ou na família.
Os brilhos, as cores, as músicas... Ainda que banais e vividos muitas vezes a correr, todos estes estímulos transmitem-me um certo conforto, uma esperança de que o que está menos bem pode melhorar, de que todas as chatices podem ser atenuadas, de que os meus problemas comparados com muitos outros são um passeio no parque.

Para além disso, e quem segue o Lume Brando já sabe, eu gosto muito do lado visual das festas e das celebrações. O Natal é sempre uma nova oportunidade para pensar em enfeites, etiquetas para presentes, mesas bonitas e bolos a condizer. Nem sempre (ou melhor, nunca) consigo pôr em prática tudo o que imagino, mas já me habituei e nos últimos anos não tenho sofrido tanto com a falta de tempo. Ter conseguido fazer este bolo e tirar estas fotos, mais cuidadas do que o habitual, já me deixou muito feliz.

O bolo é uma receita que a minha tia N. costuma fazer, do livro Tesouro das Cozinheiras, ao que consta o livro de cozinha mais vendido em Portugal, julgo que a primeira edição é dos anos 50. Chamamos-lhe bolo inglês, e a minha tia costuma fazê-lo numa forma retangular, de bolo inglês, mas segundo o livro chama-se 'bolo de Stº. António'. Inicialmente tinha pensado em colocar-lhe uma cobertura de glacé branco, a escorrer, mas depois achei que seria demasiado açúcar num bolo só, mesmo já tendo cortado à quantidade de açúcar da receita original, e optei por deixá-lo mais simples.

Pode parecer um bolo seco, mas não! É viciante, para quem gosta de texturas ricas, com as frutas cristalizadas e os frutos secos. Leva ainda vinho do Porto e é por isso um bolo que respira Natal, por entre cada migalhinha.

Boas Festas!















COROA DE BOLO INGLÊS

Para o bolo*:

190 g de açúcar
125 g de manteiga amolecida
4 ovos, separados
250 g de farinha
175 g de fruta cristalizada (pode misturar algumas passas e/ou sultanas)
75 g de miolo de noz e de amêndoa, partido grosseiramente
1 cálice de vinho do Porto
1 colher de sopa de fermento em pó

*Esta receita dá para 1 forma redonda de buraco pequena (14 cm na parte mais larga, base do bolo) e 1 bolo rectangular pequeno; se preferir faça, um bolo inglês de tamanho normal.


Para a decoração:

Cerca de 40 g de fruta cristalizada
Geleia ou mel para pincelar
Açúcar em pó para polvilhar

Ligue o forno nos 170º.
Numa tacinha, junte o fermento ao vinho do Porto e reserve.
Bata a manteiga e o açúcar até ficar em creme.
Junte as gemas, uma a uma. Bata as claras em castelo e junte ao preparado anterior.
Envolva a farinha e as frutas e os frutos secos (custa um pouco mexer a massa, mas é mesmo assim).
Por fim junte a mistura de vinho do Porto e fermento.
Mexa bem, verta na(s) forma(s) e leve a cozer cerca de 55 minutos (se fizer dois bolos, o bolo mais pequeno irá ficar pronto mais depressa, esteja atento e faça o teste do palito: assim que sair seco, retire o(s) bolo(s) do forno.
Aguarde uns minutos, desenforme e deixe arrefecer totalmente.
Pincele o topo do bolo com mel ou geleia e disponha quadradinhos de fruta cristalizada.
Polvilhe com açúcar em pó (ou açúcar anti-humidade, que garante um efeito mais duradouro, pois não é absorvido). Se for transportar o bolo, decore apenas no local.

Ah! A cafeteira e as canecas lindas em esmalte, são daqui.



25.11.15

Giveaway de Natal [e um bolo de chocolate festivo].































Ho Ho Ho!
Parece que o Pai Natal já anda por estes lados e trouxe algo no saco que vai ficar maravilhoso na vossa mesa das festas natalícias (e em muitas festas ao longo do ano): um prato de bolo com pé, vermelho, igual ao das fotos!

Uma oferta da Sanimaia, uma loja que só tem coisas de nos fazer perder a cabeça, de tão bonitas. Presente fisicamente no Porto (Foz) e na Trofa, a Sanimaia vende ainda os seus produtos através da sua página no facebook. É só mandar uma mensagem, que a simpática Cristina dá-vos todas as indicações.

E o que têm de fazer para poder ganhar este prato lindo? É muito simples:

- Fazer like na página de facebook do Lume Brando (no caso de ainda não serem fãs)
- Fazer like na página de facebook da Sanimaia (no caso de ainda não serem fãs)
- Preencher o formulário que se segue

O passatempo termina às 23h59 do dia 4 de dezembro e apenas será contabilizada 1 participação por pessoa. O sorteio será feito através da aplicação random.org.

VENCEDOR: Cláudia Leitão!

Boa sorte!

Ah, e não temos direito à receita do bolo, perguntam vocês. Claro que têm, é só fazer scroll, que ela aparece logo a seguir ao formulário :)


















BOLO DE CHOCOLATE E COCO COM RECHEIO DE NATAS E DOCE DE FRAMBOESA

Para o bolo:
4 ovos
1,5 chávenas* de açúcar amarelo
140 g de manteiga derretida
1 chávena* de água a ferver
60 g de cacau em pó
60 g de chocolate em pó
2 chávenas* de coco
1,5 chávenas* de farinha
1 colher de sopa de fermento em pó

[*chávena = 250 ml de capacidade]

Para o recheio:
150 ml de natas para bater
Açúcar qb
Algumas gotas de sumo de limão
6 colheres de sopa de doce de framboesa (usei de compra, mas podem fazer um doce rápido com fruta congelada, por exemplo)

Para a cobertura/decoração:
300 g de chocolate de culinária
240 g manteiga à temperatura ambiente
50 g de açúcar em pó
Açúcar em pó e coco ralado qb
Folhinhas de hortelã e outros elementos decorativos a gosto

Pré-aquecer o forno nos 170º.
Untar muito bem/polvilhar com farinha duas formas de 16 cm de diâmetro.
Forrar os fundos com papel vegetal e voltar a untar/polvilhar com farinha.
Numa taça grande, bater os ovos inteiros com o açúcar. Juntar a manteiga derretida, mexer bem e de seguida adicionar a água a ferver. Mexer bem e incorporar o cacau e o chocolate em pó. Juntar o coco e por fim envolver a farinha e o fermento, sem bater.
Dividir pelas formas e levar ao forno cerca de 40 minutos (o tempo de cozedura varia de forno para forno, por volta dos 30-35 minutos veja como os bolos estão. Se lhe parecerem firmes no centro, espete um palito: o bolo está pronto quando este sair limpo ou apenas com algumas migalhas agarradas).
Retire, deixe arrefecer uns cinco minutos, passe uma faca a toda a volta do bolo e desenforme.

Entretanto prepare a cobertura: leve a derreter em banho-maria o chocolate (o recipiente do chocolate não deve tocar na água do recipiente de baixo, deve receber apenas o vapor deste).
Quando estiver derretido, mexa bem com uma vara de arames até obter um creme uniforme e brilhante e reserve, para que arrefeça até à temperatura ambiente.
Assim que tiver arrefecido, pode prosseguir, batendo a manteiga com a batedeira até ficar bem aveludada.
Junte o açúcar em pó e bata novamente até estar bem incorporado e macio. De seguida adicione o chocolate, aos poucos, continuando a bater, dois ou três minutos. Deverá obter um creme liso, espesso e brilhante.

Bata as natas em chantilly com açúcar a gosto (não adoce em demasia porque vai ser misturado com o doce de framboesa). A meio do processo junte umas pinguinhas de limão para ficarem mais firmes.

Para montar/ decorar:
Parta cada bolo em dois, reservando o bolo com o topo mais perfeito para o fim.
Coloque um pouco do creme de chocolate no centro do prato de servir e pouse por cima uma metade de bolo com o lado 'da migalha' virado para cima.
Encha um saco de pasteleiro com boquilha lisa com creme de chocolate e faça um rebordo de creme à volta do bolo (neste vídeo conseguem ver bem este passo, a diferença é que está a ser usado creme de manteiga normal, em vez do creme de chocolate, e a ordem dos restantes ingredientes é um pouco diferente).
Preencha o interior do rebordo com natas batidas e espalhe por cima das natas duas colheres de sopa de doce de framboesa.
Coloque outra metade do bolo por cima e volte a repetir o processo.
No final, antes de finalizar a cobertura, pode espetar um palito no centro do bolo (da altura deste, para ser imperceptível) para que as várias partes se mantenham alinhadas. Quando servir lembre-se do palito, não o dê aos convidados!
Com uma espátula (idealmente destas), aplique creme no topo do bolo e reforce com mais um pouco de creme à volta de cada união dos bolos. Retire o excesso com uma espátula destas ou semelhante, fazendo rodar o bolo.
Termine com os elementos decorativos que desejar: eu usei bolinhas de azevinho e cogumelos artificiais (comprados aqui), folhinhas de hortelã e no fim polvilhei com coco e açúcar em pó.





20.11.15

De chocolate e laranja, a gente nunca se cansa.
































Sansão e Dalila. Bonnie e Clyde. Tristão e Isolda.
Nos jogos de cultura geral, perguntas sobre pares famosos são recorrentes.
Mas, e se não estivéssemos a falar de casais célebres, mas de combinações de ingredientes?

“E agora, para cinco mil euros, qual a dupla de ingredientes mais famosa de sempre?” Morangos e Natas? Pato e Laranja? Bacon e Ovos? Porco e Maçã? Chocolate e Avelãs? Esta pergunta nunca existiu porque é impossível dar uma só resposta. E se é certo que pode haver tantas combinações inusitadas mas válidas quanto os rasgos criativos dos cozinheiros, a verdade é que há duplas clássicas. Estas e outras menos comuns estão  n’“O Dicionário dos Sabores”, de  Niki Segnit -  um livro já com alguns anos mas muito interessante não só para quem gosta de cozinhar, como também para quem gosta de comer. Sem surpresas, a laranja e o chocolate constam da obra enquanto combinação de sucesso.

Se for como eu, ou seja, se adora estes dois ingredientes juntos mas está sem tempo ou coragem para fazer as orangettes, experimente este bolo: fica pronto em meia hora e os dois sabores vão surgir-lhe bem entrelaçados, tal como dois amantes inseparáveis.


BOLO DE CHOCOLATE E LARANJA

3 ovos
175 g de açúcar amarelo
Raspa de 1 laranja
Sumo de ½ laranja
200 g de chocolate de culinária (1 tablete)
150 g de manteiga
1 colher de sopa de café instantâneo em pó
120 g de farinha sem fermento
1 colher de chá de fermento
Cacau em pó para polvilhar

Ligue o forno nos 180º. Unte com manteiga uma forma retangular com cerca de 23 cm x 35 cm, forre-a com papel vegetal, unte o papel e polvilhe com farinha.
Coloque o chocolate e a manteiga numa taça de vidro ou cerâmica e leve a derreter no microondas ou em banho-maria. Misture bem o chocolate e a manteiga derretidos até obter um creme brilhante e uniforme, junte o café em pó e mexa bem.
Numa taça maior, bata bem os ovos com o açúcar e a raspa da laranja. Junte o sumo de laranja e mexa. Junte a mistura de chocolate e café e misture até obter um creme homogéneo.
Por fim envolva a farinha e o fermento.
Verta para a forma e leve a cozer cerca de 20 minutos ou até um palito, quando espetado no centro do bolo, sair limpo ou apenas com algumas migalhas agarradas. Depois de frio, corte em quadrados e sirva polvilhado com cacau em pó.

Texto e receita publicados no jornal Observador em 29/04/2015.