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19.2.16

A pipoca mais salgada.

















Pronto. Não resisti a fazer um trocadilho com o nome de um blog famoso.
Estou oficialmente viciada em pipocas salgadas. E eu que achava só gostar das doces, desde que há muitos anos, numa viagem aos Estados Unidos, comprei pipocas no cinema e quase que era expulsa da sala pela reação que tive quando me apercebi que não eram doces como as que comíamos cá.

A culpa desta mudança boa foi de um almoço recente com um grupo de amigas bloggers, num restaurante muito cool, ora espreitem aqui.

Logo de início, espalham umas canecas de esmalte com pipocas salgadas pela mesa e pelo que me apercebi os sabores vão variando. No dia em que fomos estavam temperadas com paprika e simplesmente adorei. Não descansei enquanto não tentei fazê-las em casa.
Depois de prontas, decidi dividi-las: numa taça juntei sal fino, paprika normal e paprika picante e às outras adicionei sal fino, pimenta preta acabada de moer e caril em pó. Tão boas!
Mas estas são apenas duas das infinitas possibilidades de transformar as pipocas num snack divertido (e viciante!). Pensem nos vossos sabores favoritos e toca a experimentar.
Sim, porque da próxima vez que tiverem amigos aí em casa, vão colocar umas minis a refrescar, vão fazer um panelão de pipocas salgadas e vai ser um sucesso!

E sabem outra coisa interessante? Fi-las com azeite e não com óleo vegetal, como é comum, e resultou na perfeição.

Bom fim de semana!
















PIPOCAS SALGADAS - DUAS VERSÕES
- Picantes com paprika
- Caril

Azeite
Milho para pipocas
Sal fino
Paprika
Paprika picante
Pimenta preta acabada de moer
Caril em pó

[Não coloco as quantidades dos ingredientes porque vai depender muito da quantidade de pipocas que quiserem fazer e do vosso gosto relativamente às especiarias].

Coloque um fundo de azeite numa panela grande e alta (usei a minha panela da sopa e rendeu imenso) - não é preciso muito azeite, basta cobrir o fundo.
Espalhe por cima o milho, fazendo uma camada compacta, mas não sobrepondo os grãos.
Tape e leve ao fogão em lume médio.
Passados alguns minutos vai começar a ouvir os estalos. De vez em quando abane a panela, com cuidado para a tampa não abrir.
Desligue e retire do lume quando deixar de ouvir estalar.
Verta metade das pipocas para uma taça ou panela com tampa e tempere com sal fino, pimenta preta acabada de moer e o caril em pó. Tape e agite bem. Prove e ajuste os temperos, se necessário.
Às pipocas que ficaram no tacho, junte sal fino, bastante paprika da normal e mais um pouco da picante. Tape e agite bem. Prove e retifique os temperos se necessário.
Se não for servir logo, guarde as pipocas numa caixa ou saco hermético.



3.2.16

Descobrir: um dos verbos-resolução para 2016.

















Descobrir os meus verdadeiros limites.
Descobrir mais talentos e qualidades nos meus filhos, do que defeitos e feitios.
Fazer vir ao de cima o melhor de mim. E o melhor dos outros.
Descobrir palavras, descobrir ideias, descobrir novas formas de fazer render o dia.
Descobrir saberes e sabores. Todos os dias, aprender algo novo.
O verbo descobrir é poderoso e um dos que mais quero praticar em 2016. E parece que não comecei mal.

Uma das minhas primeiras descobertas do ano (ou foi a Ana que me descobriu a mim?!) tinha de partilhá-la convosco.
Tratam-se dos melhores cogumelos que me lembro de alguma vez ter comido.
Desafiada a ir conhecer a produção de cogumelos shiitake da Casa do Chascada, situada entre a Maia e Vila do Conde, vim de lá carregada destas coisinhas fofas que parecem saídas dos contos de fadas. Usei-os em mais do que uma receita, mas gostei especialmente desta salada morna, coroada com um ovo caseiro escalfado.
O cogumelo shiitake, apesar de parecido na forma com os cogumelos mais comuns, o 'paris' e o 'marron', tem uma textura e um sabor distintos. É mais carnudo e sabe precisamente... a carne. E como é rico em proteínas, à semelhança das outras espécies comestíveis de cogumelos, pode mesmo substituir a carne ou o peixe numa refeição, para além de apresentar outras vantagens nutritivas.

Muito versáteis, estes cogumelos ficam bem em assados de legumes, em risottos e massas, em recheios de empadão ou salteados e adicionados a uma simples salada de agrião, como esta.

A Casa do Chascada é um projeto recente, está a ser ultimado o site e a página de facebook, mas a Ana já aceita encomendas. Caso estejam interessados é só ligar o 963 266 298 ou mandar email para: anamoreira@casadochascada.com















SALADA DE AGRIÃO COM COGUMELOS SHIITAKE E OVO ESCALFADO

Para 2

250 g de cogumelos shiitake
150 g de agriões lavados e bem escorridos (uso o secador de saladas, normalmente usado para a alface - aconselho!)
1 chávena de rúcula
Algumas folhas de alface iceberg
3 ou 4 rodelas de chouriço ou 2 fatias de bacon partidas em tiras
2 ovos
2 dentes de alho
Sal e pimenta preta qb
Azeite Virgem Extra qb
Vinagre balsâmico qb
Vinho do Porto qb.
2 ou 3 hastes de tomilho fresco
2 colheres de sopa de pão ralado aromatizado caseiro

Limpe os cogumelos suavemente com papel de cozinha (mas quase que nem é preciso limpar, pois estes cogumelos nascem em troncos, não têm areia nem terra) e corte-lhes a parte mais dura do pé, que deve descartar. Parta ao meio apenas os maiores.
Numa frigideira antiaderente, coloque o pão ralado e deixe alourar, é um processo muito rápido. Retire para uma taça e deixe arrefecer para ficar crocante.
Nessa mesma frigideira, coloque um fio de azeite e quando estiver quente, junte os cogumelos, o alho picado e o chouriço partido em pedaços (ou o bacon).
Deixe cozinhar até o alho começar a dourar.
Tempere com sal e pimenta preta acabada de moer, envolva bem e junte um fio de vinagre balsâmico e outro de vinho do Porto. Junte as folhinhas de tomilho, deixe evaporar e cozinhar mais um pouco.
Se achar que ainda não estão no ponto mas estão com pouco líquido, junte um pouco de água. Retifique os temperos, se for necessário, salpique com mais algum tomilho e reserve.

Para escalfar os ovos, coloque um tacho com água ao lume e siga o método amador mais eficaz: corte dois quadrados generosos de película aderente e pincele-os com azeite.  Forre o interior de uma chávena de café com um dos pedaços de película, com o lado do azeite virado para cima. Parta um ovo aí para dentro e una bem as pontas da película aderente, formando um pequeno embrulho. Ate as pontas com um atilho dos sacos de congelação, e mergulhe na água a ferver. Repita com o outro ovo. Devem demorar cerca de 5 minutos a ficar no ponto, ainda com a gema um pouco crua.

No prato de servir, misture a rúcula, a alface e o agrião. Tempere a seu gosto.
Junte os cogumelos salteados com o chouriço ou o bacon, envolva e coloque por cima os ovos, que desembrulhou com cuidado da película aderente.
Polvilhe com pimenta preta e o pão ralado crocante.
Está pronto a comer!




9.11.15

Pão, paz e preguiça.



Gostava de fazer mais vezes pão. Não tenho máquina de fazer pão e acho que não seria isso que me faria fazer mais vezes.
Talvez se fosse mais organizada, talvez se fosse mais metódica e disciplinada, talvez se não fosse tão preguiçosa, talvez se comprar pão não fosse tão fácil.

Um destes domingos impus-me essa missão: fazer pão para estrear a minha cocotte oval da Le Creuset.
Há muito que lia sobre as vantagens de cozer pão numa panela de barro ou ferro fundido com tampa. Há muito que estava curiosa e com vontade de fazer esse teste e a panela bonita serviu na perfeição o propósito.
Confere: cozer o pão na panela tapada faz com que se crie uma espécie de forno mais pequeno, a humidade não se escapa e o pão fica com uma deliciosa e bonita côdea estaladiça.

Adoro pão com coisas: sementes, frutos secos, passas. Decidi-me por isso por um pão rico, que é bom acabado de cozer, mas também fica delicioso torrado, com o crocante das nozes e o doce das sultanas a contrastar com a manteiga salgada.

Este post não é uma fábula, mas recorro à moral de Esopo para lhe dar um final feliz: "um pedaço de pão comido em paz, é melhor do que um banquete comido com ansiedade."

Boa semana!



PÃO DE MISTURA COM NOZES E SULTANAS

170 g de farinha T65
40 g de farinha integral
40 g de farinha de centeio
5 g de fermento de padeiro seco
1 boa pitada de sal
140 ml de água morna
25 ml de azeite
15 ml de xarope de agave (ou mel, se gostar)
50 g de sultanas
30 g de nozes picadas grosseiramente

Numa taça grande, coloque as farinhas, o sal e o fermento. Faça uma cova no meio e junte a água, o azeite e o xarope de agave (ou mel). Aos poucos e com as mãos, vá levando os secos dos lados da taça para o meio e amasse até obter uma mistura moldável. Se estiver pegajoso, junte mais um pouco de farinha.
Adicione as nozes e as sultanas e amasse para que fiquem bem espalhadas.
Passe para uma superfície de trabalho enfarinhada e amasse uns 10 minutos, até a massa estar bem macia e faça o teste do indicador: pressione com suavidade a massa e se esta voltar ao sítio rapidamente, está pronta para levedar. Coloque a massa de novo na taça, com um pouco de farinha no fundo, tape com um pano de cozinha limpo e deixe repousar num local ameno (eu costumo embrulhar a taça numa manta polar) cerca de 1 hora ou até ter dobrado de volume. Retire da taça, amasse-a suavemente, dê-lhe a forma pretendida e deixe de novo a levedar na taça ou noutro recipiente aproporiado, polvilhado com farinha, até ficar novamente com o dobro do volume.
Entretanto aqueça o forno nos 200º. Quando este estiver quente, coloque a panela, para esta aquecer e estar já quente quando lá colocar o pão.
Retire a panela do forno (com cuidado, está quente!) e salpique-a de farinha. Coloque lá dentro a massa do pão e faça alguns cortes na superfície deste. Polvilhe com farinha, tape a panela e deixe cozer cerca de 25 minutos. Abra a panela, bata no pão para ver se ouve o som oco que indicia que está cozido e se achar que não está tão tostado como gosta, deixe cozer mais alguns minutos destapado.

Outros pães no blog:
Pão de Espelta e Sementes
A minha versão do Artisan Bread
Pão de Hambúrguer





13.7.15

Sobreviver aos almoços solitários.
















[Texto e receita publicados no jornal Observador em 14 de abril de 2015]

Admiro quem tem coragem para almoçar sozinho, num restaurante ou numa praça de alimentação. Já o fiz, mas senti-me sempre desconfortável.

Os telemóveis espertos e os tablets dão uma ajuda aos comensais solitários dos dias de hoje, é certo. Mesmo assim, tenho dúvidas de que seja um momento absolutamente tranquilo e que a comida seja saboreada com verdadeiro prazer.

A conversa à mesa com colegas de trabalho, à hora de almoço, talvez seja aquilo de que sinto mais falta desde que passei a trabalhar em casa. E isto leva-me a outra situação que me deixa sempre hesitante: cozinhar só para mim ao almoço. Fazer comida só para nós encerra em si uma certa contradição, resumindo o ato de cozinhar à sua função mais básica e anulando aquela maravilhosa componente da partilha. Nos dias em que por questões de trabalho não posso ir almoçar a casa dos meus pais (em cuja mesa, desde que me conheço, cabe sempre mais um, seja filho, neto, ou amigo dos netos), tenho de fazer um esforço para não ir diretamente à prateleira dos cereais ou das papas que de vez em quando os meus rapazes ainda comem (acho que quem costuma almoçar sozinho em casa sabe do que falo).

Estas tostas foram feitas numa dessas ocasiões e podem ser preparadas em menos tempo, se a ‘tomatada’ for preparada de véspera. No dia é só aquecer, tratar do pão e escalfar os ovos. As quantidades da receita são para 4, porque dão uma boa entrada num almoço ou jantar ‘alargado’, onde vão saber ainda melhor.














PÃO COM TOMATADA E OVO ESCALFADO

4 ovos
4 fatias de pão saloio
4 colheres de sobremesa de queijo-creme
1 cebola
2 dentes de alho
½ pimento vermelho
2 tomates maduros
1 folha de louro
Azeite qb
Sal qb
Pimenta preta qb
Vinagre qb
Óregãos qb

Coloque um fio de azeite numa sertã e leve a saltear a cebola cortada em meias-luas, com os dentes de alho picados e a folha de louro. Deixe cozinhar cerca de 10 minutos - ou até a cebola ficar mole e translúcida - e junte o pimento partido em tiras finas. Deixe cozinhar mais 10 minutos e junte os tomates sem pele*, cortados em cubos pequenos. Tempere com sal e pimenta preta acabada de moer e deixe cozinhar tapado até o tomate estar bem desfeito, cerca de 10 minutos. Descarte a folha de louro e reserve.
Entretanto ligue o forno nos 180º. Parta as fatias de pão e leve ao forno num nível alto e na posição grill, entre 5 a 10 minutos ou até o pão estar estaladiço por fora, mas ainda relativamente fofo por dentro.
Para escalfar os ovos, leve um tacho com água ao lume com um fio de vinagre. Quando estiver a atingir o ponto de ebulição, baixe o lume – a água deve estar bem quente mas não a ferver. Parta um ovo para uma chávena pequena (ou para uma colher-medida, por exemplo) e deite-o dedicadamente na água. Repita com os outros ovos, se couberem todos ao mesmo tempo na panela, e deixe cozinhar cerca de 6 minutos. Retire-os com uma escumadeira e se não for para colocar logo no pão, reserve-os numa taça baixa com um pouco de água no fundo, para não colarem.
Para montar as tostas, barre cada uma delas com o queijo-creme. Coloque por cima uma porção da tomatada, tentando abrir uma covinha no meio. Coloque aí o ovo escalfado. Tempere com pimenta preta acabada de moer e orégãos. Repita com as restantes tostas. Sirva com uma salada verde.


*Para pelar os tomates, faça-lhes uma incisão em cruz na parte de baixo, coloque-os numa taça e cubra-os com água a ferver. Passados alguns minutos escorra a água e deixe arrefecê-los um pouco: a pele sairá facilmente com a ajuda de uma faca.

2.6.15

Das coisas boas de Avintes.



[Texto e receita publicados no jornal Observador em 17 de fevereiro de 2015]

Há mais em Avintes do que broa*. Há amigos. E dos bons. E não é de descuidar a amizade com alguém de Avintes, sobretudo se for um orgulhoso inveterado da sua terra que, entre outras coisas, nos faz chegar a casa a melhor broa – aquela escura e húmida, que nada tem a ver com a que se vê nos supermercados - mesmo que nos separem centenas de quilómetros.

Claro que estas minitartes, de sabores bem portugueses combinados sem segredo, podiam ter sido feitas com outro tipo de broa. Mas não era a mesma coisa.














MINITARTES DE BROA DE AVINTES, ALHEIRA E ESPINAFRES

Para 4 ou 5, dependendo do tamanho das formas

130 g de broa
20 g de azeite
¼ de alheira de boa qualidade
2 chávenas almoçadeiras de espinafres frescos
Azeite qb
2 dentes de alho picados
4 ou 5 ovos de codorniz
Pimenta preta acabada de moer

Pré-aqueça o forno nos 180º. Unte forminhas de queque com manteiga ou azeite e polvilhe com farinha. Rale a broa num processador de cozinha. Junte o azeite e envolva, deve ficar uma massa moldável. Forre as forminhas de tarte com a massa, pressionando-a no fundo e à volta, esticando-a bem com os polegares; não precisa de forrar as paredes das formas até cima. Retire a pele à alheira e distribua o recheio pelas formas. Leve ao forno cerca de 15/20 minutos, até a alheira começar a borbulhar e massa de broa começar a ficar crocante. Entretanto salteie os espinafres (ou outras folhas verdes, como por exemplo grelos previamente cozidos al dente, com 1 dente de alho picado num fio de azeite. Retire as tartes do forno, distribua os espinafres, pressione um pouco para formar uma cavidade em cada tarte e coloque aí um ovo de codorniz (para partir os ovos de codorniz, pouse o ovo numa tábua, segure-o com cuidado e abra-o com uma faca afiada, começando por espetar esta na casca, sem pressionar demasiado). Leve ao forno mais 10 minutos ou até o ovo estar ao seu gosto (vá espreitando). Deixe arrefecer um pouco, desenforme com a ajuda de uma faca, salpique com um pouco de pimenta preta acabada e moer e sirva acompanhado de uma salada.

*Para os interessados, aqui fica a informação de que todos os anos, em setembro, realiza-se a Festa da Broa, uma oportunidade excelente para ficar a conhecer melhor este produto tradicional e, já agora, outros tesouros de Avintes, como por exemplo, o Parque Biológico de Gaia e o Zoo de Santo Inácio.