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5.9.13

Pérolas vermelhas de Verão. // Summer red pearls.





























Adoro tomate-cereja.
E se me vier parar às mãos de forma generosa, directamente de um quintal caseiro, fico ainda mais feliz (quem não fica?)

Um tabuleiro cheio de bolinhas, autênticas pérolas encarnadas que se adaptam a um sem-número de utilizações, chegou até mim no início desta semana. Se comê-las ao natural, acompanhadas de queijo mozzarella fresco e manjericão, por exemplo, já é uma salada que conforta, quando as levamos ao forno, o sabor intensifica-se de forma surpreendente.

Quando asso peixe e tenho tomates-cereja, junto sempre alguns ao assado, mas é sempre um apontamento, nunca tinha assado um tabuleiro só de tomates-cereja. Mas digo-vos, vale bem a pena ligar o forno para, menos de uma hora depois, sentir estes berlindes luzidios mornos explodirem-nos na boca.

O queijo feta, a rúcula e a cebola roxa pareceram-me companheiros verdadeiramente à altura, mas sintam-se livres para testar combinações (estou agora a lembrar-me que uns croutons, por exemplo, teriam ficado aqui muito bem).

Fora o tempo de forno, esta é uma salada que se prepara em três tempos.
Depois de misturar os ingredientes principais, é só temperar com um fio de azeite, raspa de limão, algumas folhas de manjericão... e deixar a magia acontecer.

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I love cherry tomatoes.
And if they come into my hands generously and directly from a backyard, I'm even happier (who isn't?)

A tray full of these little balls, real red pearls ready to suit a multitude of uses, came to me earlier this week. If eating it raw, with fresh mozzarella and basil, for example, is comforting, when we bake it, its flavor reaches a complete new level.

When I bake fish and have cherry tomatoes in the fridge, I always roast a few, but it's always a detail, I've never baked a tray of cherry tomatoes before. But I tell you, it's well worth turning on the oven in order to, less than an hour later, feel these gleaming marbles blowing in one's mouth.

Feta cheese, arugula and red onion seemed to me to be the perfect friends for these roasted cherry tomatoes, but feel free to test combinations (now I'm thinking that croutons would have been a great choice too).

Without counting the oven time, this is a salad that is prepared in the twinkling of an eye.
After mixing the main ingredients, just season with a little olive oil, lemon zest, some basil leaves ... and let the magic happen.








































Salada de tomate-cereja assado, feta, rúcula e cebola roxa

Tomates-cereja (cerca de 10 por pessoa)
Azeite
Mistura de 'Sal com Ervas do Mediterrâneo' da Margão
Orégãos secos
Queijo feta
Rúcula
Cebola roxa
Raspa de limão
Folhinhas de manjericão fresco

Ligar o forno nos 200º.
Lavar, secar e espalhar os tomatinhos num tabuleiro anti-aderente ou forrado com papel vegetal.
Regar com um bom fio de azeite e polvilhar generosamente com a mistura "Sal c/ Ervas do Mediterrâneo", da Margão (adoro esta mistura).
Salpicar com um pouco de orégãos, envolver bem e levar ao forno cerca de 25/30 minutos ou até os tomates terem largado algum sumo e começarem a ficar murchos.
Retirar e esperar que fiquem mornos para montar a salada.
Assim que estiverem mornos, retirá-los para o prato de servir com uma escumadeira.
Juntar a rúcula, a cebola roxa em fatias finas e o queijo feta aos cubinhos.
Regar com mais um fio de azeite e um pouco do molho da assadura (guarde o que sobrar para usar num molho, calda ou num prato de massa) e envolver com cuidado, para que os tomates não percam mais sumo.
Terminar com raspa de limão e folhinhas de manjericão.
Servir de imediato.

Já a focaccia, que fiz pela primeira vez esta semana e onde também usei os tomates-cereja, seguindo uma sugestão deixada na página do LB no facebook, já demora mais tempo! Mas também terá direito a post :)

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Roasted cherry tomatoes salad, with feta, arugula and red onion

Cherry tomatoes (about 10 per person)
Olive oil
Mixture of 'Sal com Ervas do Mediterrâneo', from Margão
Oregano
Feta cheese
Arugula
Red onion
Lemon zest
Sprigs of fresh basil

Preheat the oven to 200 º.
Wash, dry and spread the cherry tomatoes in a non-stick baking tray or a tray lined with parchment paper.
Drizzle with a good splash of olive oil and sprinkle generously with "Sal c/ Ervas do Mediterrâneo" (a seasoning mixture from Margão, which I love and use a lot)
Sprinkle with dried oregano, coat well and bake about 25/30 minutes or until the tomatoes have dropped some juice and start becoming deflated.
Remove and wait until they are warm to assemble the salad.
Once the tomatoes are warm, remove them to a serving plate with a slotted spoon.
Add the arugula, thinly sliced red onion and diced feta cheese.
Season with a little olive oil and a bit of the remaining baking liquid (save the leftovers to use in a sauce, gravy or a pasta dish), and give the whole lot a gentle toss, so that the tomatoes don't lose any more juice.
Finish with lemon zest and basil leaves.
Serve immediately.

I also used some of the cherry tomatoes in a focaccia, but this is a recipe that takes longer! It will be in the next post :)


19.8.13

Combinação perfeita. // Perfect match.



 

















































Fiz este bolo recentemente, para levar para um piquenique.
Fez bastante sucesso, mas como rendeu bastante sobraram algumas fatias e deu para perceber que é um bolo que aguenta vários dias, ficando cada vez mais húmido e delicioso.
Os sabores são uma homenagem ao Verão e fazem parte dos meus favoritos para esta altura do ano: frutos vermelhos, limão, coco...

Para lhe darem um toque mais tropical podem substituir o limão por lima (era, aliás, o que constava na receita original), e imagino que fique igualmente bom com outras frutas sumarentas.
O importante, é mesmo fazê-lo de véspera.

E depois de duas semanas de férias felizes, o regresso ao blog e à cozinha vai ser suave e irregular, pois os piratas continuam por casa...

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I made this cake recently, to take to a picnic.
It was a big hit but I came home with a few slices and I've found this is a cake that tastes even better one, two or three days after being baked, becoming each day more moist and delicious.
The flavors are an ode to summer and are some of my favorite for this time of the year: berries, lemon, coconut ...

To give it a tropical twist, you can substitute the lemon for lime (the original recipe), and I imagine that it is also good with other juicy fruits.
Just don't forget to bake it, at least, the night before.

And after two weeks of quite nice family holidays, the return to the blog will be slowly and irregular because my little pirates have no school yet...



Quadrados de limão, coco e frutos vermelhos
(adaptado da revista Everyday Food - May 2011)

170 g de manteiga amolecida
1 chávena e 3/4 + 1 colher de sopa de farinha s/ fermento 
2 colheres de chá de fermento
1/2 colher de chá de sal
1 chávena de coco ralado
1 chávena + 2 colheres de sopa de açúcar
3 ovos
3/4 de chávena de leite
Sumo e raspa de 1 limão
3 chávenas de mirtilos e framboesas ou outros frutos vermelhos (cerca de 400 g)
3 colheres de sopa de sumo de laranja
Açúcar em pó para polvilhar

Chávena = 250 ml de capacidade

Pré-aquecer o forno nos 180º.
Untar muito bem com manteiga e polvilhar com farinha uma forma rectangular (cerca de 32,5 cm x 22,5 cm ).
Numa taça, juntar a farinha, o fermento, o sal e o coco. Noutra taça, e com a batedeira eléctrica, bater a manteiga e uma chávena de açúcar, até ficar cremoso.
Adicionar os ovos, um de cada vez, batendo em velocidade baixa.
Juntar a farinha aos poucos, intercalando com o leite e terminando com farinha.
Juntar a raspa e o sumo de limão.
Verter a massa para a forma, alisando com uma espátula.
Noutra taça, colocar os frutos vermelhos, juntar uma colher de sopa de farinha, duas colheres de sopa de açúcar e o sumo de laranja, mexer suavemente até envolver todos os frutos nesta mistura.
Espalhar os frutos pela massa do bolo e levar a cozer cerca de 35 minutos ou até um palito sair limpo do centro do bolo.
Deixar arrefecer na forma e servir aos quadrados, polvilhando-os com açúcar em pó.

Nota: ao contrário do bolo original, os meus frutos foram todos parar ao fundo, não se dando por eles a não ser quando partimos as fatias. Envolvê-los em farinha pretende evitar que isso aconteça, no entanto, como juntei sumo de laranja - seguindo a receita - acho que o efeito se perdeu. Para a próxima, irei juntar aos frutos apenas a farinha e o açúcar.

//

Coconut, berry and lemon squares
(adapted from Everyday Food - May 2011)

170 g butter, softened
1 and 1/3 cups + 1 tbsp plain flour
2 teaspoons baking powder
1/2 teaspoon coarse salt
1 cup shredded coconut
1 cup + 2 tablespoons sugar
3 eggs
3/4 milk
zest and juice of 1 lemon
3 cups mixed berries (I've used blueberries and raspberries)
3 tablespoons orange juice
Icing sugar for dusting

Preheat oven to 350º.
Butter and flour a 9-by-13 inch baking dish.
In a large bowl, whisk together flour (1 and 3/4 cups), baking powder, coconut and salt.
In another bowl, using an electric mixer, beat butter with 1 cup sugar until light and fluffy.
Add eggs, one at a time and beat until combined, with mixer in low.
Add the dry ingredients, alternating with milk, but finishing with flour.
Add the lemon zest and juice.
Pour batter into dish.
In a bowl, tosse together berries, 1 tbsp flour, 2 tbsp sugar and orange juice.
Scatter berry mixture over the batter.
Bake until it's golden at edges and a toothpick inserted in center comes clean, about 35 minutes.
Let cake cool on pan. Dust with icing sugar before serving in squares.

Note: unlike the original cake, after baking, my fruits were at the bottom of the batter. Involve them in flour should prevent this from happening, however, as I added orange juice - following the recipe - I think that desired effect was lost. Next time, I'll add only flour and sugar to the fruit, before scattering it over the batter.





23.1.13

O meu cupcake de aniversário // My birthday cupcake.


A semana passada cantaram-se os parabéns cá em casa.
E desta vez decidi mimar-me com o meu sabor favorito: limão.

A receita está neste livro da Hummingbird Bakery, que sugere rechear os cupcakes com um pouco de lemon curd, antes de se aplicar a cobertura.
Usei a minha receita infalível de lemon curd e o resultado foi o melhor bolo de aniversário de sempre!
Um verdadeiro 'escândalo', como diria uma amiga.

Infelizmente, esqueci-me de fotografar um cupcake aberto...

//

Last week, the Happy Birthday theme was sung here at home.
And this year I decided to spoil myself with my favorite flavor: lemon.

The recipe is in this book from Hummingbird Bakery, where they suggest to fill the cupcakes with a bit of lemon curd, before applying the frosting. I used my foolproof recipe for lemon curd and the result was the best birthday cake ever! A true 'scandal', as a friend of mine would say.

Unfortunately I forgot to photograph the cupcake interior...








































Cupcakes de Limão
(receita original daqui)

Para cerca de 12

Massa:
125 g de farinha sem fermento
150 g de açúcar em pó
1,5 colher de chá de fermento em pó
2 colheres de sopa de raspa de limão
40 g de manteiga ou margarina
120 ml de leite
1 ovo

Lemon curd (a minha receita):
50 ml de sumo de limão
1 ovo L
75 g de açúcar
1 colher de sobremesa de raspas de limão
30 g de manteiga à temperatura ambiente

Cobertura:
500 g de açúcar em pó
160 g de margarina ou manteiga sem sal
4 colheres de sopa de raspa de limão
algumas gotas de corante alimentar amarelo (opcional)
50 ml de leite


Se não tiver lemon curd, comece por fazê-lo (pelo menos com 1/2 dia de antecedência, para poder arrefecer bem)
Levar ao lume o ovo bem misturado com o açúcar e o sumo de limão.
Com um batedor de varas, mexer sempre para não ganhar grumos, até engrossar.
Deve demorar cerca de 10 minutos. Retirar do lume e incorporar a margarina em pedaços e a raspa de limão. Mexer até a  estar bem derretida e dissolvida no creme.
Passar para um frasco esterilizado, tapar, deixar arrefecer e refrigerar. Dura cerca de 15 dias no frigorífico.


Pré-aquecer o forno nos 180º.
Misturar a farinha, o açúcar, o fermento, a raspa de limão e a manteiga com a batedeira eléctrica numa velocidade baixa, para evitar salpicos. Quando atingir um aspecto arenoso, junte o leite e continue a bater para incorporá-lo. Junte o ovo e continue a bater até a mistura ficar macia, mas sem bater demasiado. Distribua o preparado pelas formas, até cerca de 2/3 da sua altura e leve ao forno cerca de 20-25 minutos ou até um palito sair seco do seu interior. Retire e deixe arrefecer.

Entretanto, prepare a cobertura: num robot de cozinha ou com uma batedeira eléctrica, bata o açúcar com a margarina, a raspa de limão e o corante numa velocidade baixa, até ficar bem ligado. Junte lentamente o leite e depois aumente a velocidade, batendo até ficar com uma textura muito macia e cremosa. Verifique a consistência, caso queira usar bico pasteleiro (na receita original são cobertos com a ajuda de uma espátula, o que faz que se use menos quantidade de cobertura; as quantidades que eu refiro são para decorar com bico pasteleiro). Se achar que está demasido mole, junte mais açúcar em pó, se achar que está demasiado espesso, junte um pouco mais de leite.

Quando os cupcakes estiverem frios, retire com a ajuda de uma faca pontiaguda um círculo relativamente profundo de massa, do centro do cupcake, e coloque aí dentro um pouco de lemon curd. Tape com o pedaço de massa que retirou, pressionando ligeiramente.
Decore com a cobertura, usando saco e bico de pasteleiro largo com ponta em estrela. Pode terminar com confeitos de açúcar ou raspas de limão.

//

Lemon cupcakes
(recipe from here)

About 12

150 g of icing sugar
125 g plain flour
1.5 tsp baking powder
2 tablespoons of lemon zest
40 g of butter or margarine
120 ml milk
1 egg

Lemon curd (my recipe):
50 ml lemon juice
1 large egg 
75 g sugar
1 tablespoon of lemon zest
30 g of butter at room temperature

Frosting:
500 g of icing sugar
160 g of unsalted butter or margarine
4 tablespoons of lemon zest
A few drops of yellow food coloring (optional)
50 ml of milk


If you don't have any lemon curd left in the fridge, start making it (at least 1/2 day in advance, so it can cool down).
Mix together the egg, sugar and lemon juice. Bring to boil, wisking continuously to avoid lumps, until it is thickened. It should take about 10 minutes. Remove from the heat and add the butter chunks and lemon zest. Stir until it's dissolved in the lemon cream.
Transfer to a sterilized jar, cover it, cool and refrigerate. Lasts about 15 days in the fridge.

Preheat the oven to 180 º.
Mix the flour, sugar, baking powder, lemon zest and butter with an electric mixer on low speed to avoid splashing.  Add the milk and keep beating to incorporate it. Add the egg and continue to beat until the mixture is soft but don't over beat. Divide batter evenly among moulds, filling each halfway, and bake about 20-25 minutes or until a skewer comes out clean. Remove and let cool.

Meanwhile, prepare the frosting: in a food processor or with an electric mixer, beat the sugar with the margarine, lemon zest and coloring in a low speed, until well mixed. Slowly add the milk and then increase the speed, beating until you get a very soft and creamy texture. Check the consistency: if you want to use a pastry tip (in the original recipe the cupcakes are just covered with a spatula, which calls for less frosting; the quantitities I give is to decorate with pastry tip). If you think it's too soft, add more powdered sugar, if you think it's too thick, add an extra splash of milk.

With a sharp knife, remove a quite deep circle of the center of each cold cupcake, and then fill with a bit of lemon curd. Cover again with the piece of cake you've removed, pressing lightly.
Decorate with the frosting, using a pastry bag and a large pastry star tip. Finish with sprinkles or lemon zest.



9.11.12

Uma corrente de sabor.






Quem me conhece, sabe que não posso passar muito tempo sem fazer bolos ou sobremesas que levem limão.
Mousse, tarte, bolo... 
Tenho a sorte dos meus pais terem um grande quintal, onde é raro os limoeiros estarem sem frutos.
Desta vez, usei-os para fazer este bolo de iogurte especial, que vi no blog A Festa de Babette.

Esta receita é um exemplo perfeito do que os blogs de cozinha têm de melhor: a partilha e a inspiração que esta proporciona, incentivando-nos às nossas próprias experiências e, de novo, ao partilhar.

A Babette viu o bolo no blog A Vida no Paraíso, que por sua vez tinha gostado da receita no No soup for you... Uma corrente deliciosa, que o Lume Brando não quer quebrar.

A conjugação de ingredientes é tão boa, que é impossível não comer várias fatias ou bolinhos de cada vez. Para torná-los ainda mais pecaminosos, cobri os bolinhos com chocolate branco e polvilhei com coco ralado - um dos segredos da receita.

Quem irá experimentar a seguir?

Bolinhos de iogurte de citrinos, limão e coco
(segui a receita daqui)

50 g de coco ralado
4 ovos inteiros
200 g de açúcar
80 g de óleo
150 g de farinha
1 colher de sobremesa de fermento tipo Royal
Raspa de 1 limão

Para a cobertura (opcional)
150 g de chocolate branco derretido em banho-maria
Coco ralado qb

Pré-aquecer o forno nos 180º.
Untar muito bem e polvilhar com farinha cerca de 18 forminhas individuais (ou 1 forma de bolo normal).
Numa taça, colocar os ovos, o iogurte, o coco e o óleo.
Bater bem e adicionar a farinha, o fermento e a raspa de limão.
Verter para as formas e levar a cozer até ficarem bem dourados e um palito sair quase seco do interior (a ideia é ficarem ficar relativamente húmidos).
No meu caso, demoraram cerca de 10 minutos a cozer, pois as forminhas eram pequenas - conte com cerca de 30 minutos para um bolo em forma normal.
Depois de arrefecidos, decorar com chocolate branco derretido e terminar com coco ralado.

Nota:
- ainda que seja difícil que sobrem, embrulhados em película aderente ou guardados em caixa hermética, aguentam-se óptimos durante alguns dias.

19.9.12

Um livro, uma receita #26






























Os limoeiros do quintal dos meus pais são férteis praticamente todo o ano.
Uma benção da natureza particularmente apreciada pela filha, que os traz aos cestos cheios para casa.
Ainda assim, neste livro apetitoso da Isidora Popovic, criadora da marca inglesa Popina, a receita do bolo de limão com cobertura de chocolate branco não foi, de todo, a que mais me cativou. Mas na hora de escolher por onde começar, as taças de limões espalhadas pela cozinha falaram mais alto.

Costumo dizer que se vê logo se um bolo é bom ao provar a massa, antes de cozer. Mas ontem esta minha teoria sofreu um revés: o sumo e a raspa de dois limões para tão pouca quantidade dos restantes ingredientes obrigou-me a fazer uma careta quando provei a massa: demasiado ácida.

Lá o levei ao forno, entre a desilusão e uma certa esperança de que a cozedura e o chocolate branco da cobertura suavizassem esta sensação. E não é que no final, os sabores acabaram por se equilibrar?
A ganache de chocolate branco cortou com a acidez, contribuindo com uma doçura extra, e a sua suavidade garantiu um adequado contraste de texturas.

Com a confiança no livro restaurada, já só penso nas outras receitas que quero experimentar, a começar pelas lindas tartes de legumes assados. Até porque após um mês e meio de forno praticamente parado, há muitas saudades para cozer, assar, gratinar, tostar...







































Bolo de limão com cobertura de chocolate branco da Popina

65 g de manteiga sem sal à temperatura ambiente (usei com)
135 g de açúcar amarelo (usei mascavado claro)
2 ovos
135 g de farinha sem fermento
1,5 colheres de chá de fermento em pó
2 limões - raspa e sumo

Para a cobertura:
150 g de chocolate branco, mais algum para raspar e decorar
75 g de natas (para bater)

Pré-aquecer o forno a 170º com a função 'ventoinha' ligada (se o seu forno não tiver ventoinha, aumente a temperatura ou o tempo de cozedura).
Untar e forrar com papel vegetal, que também se unta, o fundo uma forma relativamente pequena (usei uma redonda de 18 cm).
Com a batedeira eléctrica, bater o açúcar com a manteiga.
Juntar os ovos e bater até ficar fofo e pálido.
Envolver com cuidado a farinha e o fermento.
Acrescentar por fim a raspa e o sumo dos limões.
Levar ao forno até ficar dourado e um palito sair praticamente seco (no meu forno demorou cerca de 35 minutos).

Para a cobertura, partir o chocolate em pedaços para uma taça. Levar as natas a levantar fervura e verter por cima do chocolate, esperar um minuto e mexer bem com um batedor de varas. Deixar arrefecer antes de usar ou levar ao frigorífico, depois de arrefecer um pouco, se quiser optar por uma cobertura mais densa e espessa. Decorar com raspas de chocolate branco.


29.5.12

Amarelo limão.


































Mais uma festa de família.
Desta vez, uma celebração dupla: aniversário e profissão de fé da minha sobrinha L.

Ando apaixonada pelo amarelo nos bolos e uma vez que no seu baptizado (custa a acreditar que isso foi já há 13 anos!), o amarelo foi a cor dos convites e do laço da vela, a cor para tornar este dia ainda mais especial foi fácil de escolher.

E quando penso em amarelo, penso em limão.

O bolo maior era por isso de limão: húmido porque regado com xarope de limão e delicioso porque recheado com lemon curd. Para os fãs de limão inveterados, como eu, segue a receita mais abaixo.

Os queques eram os de iogurte de que já falei aqui, mas desta vez acrescentei raspas de limão à massa. Para colar as flores de pasta de açúcar, usei um pouco de chocolate branco derretido.

Quanto à grinalda feita de naperons de papel, é a prova de que em (muito) pouco tempo e com (muito) pouco investimento, se pode fazer uma mesa catita...



Bolo de limão
(Receita original aqui)

250 g de manteiga ou margarina amolecida
250 g de açúcar
250 de farinha com fermento
4 ovos
2 colheres de sopa de leite
Raspa de 2 limões

Para o xarope de limão:
4 colheres de sopa de água
4 colheres de sopa de açúcar
Sumo de 2 limões


Para o lemon curd (a minha receita):
100 ml de limão
3 ovos
150 g de açúcar
1 colher de sopa de raspas de limão
60 g de manteiga à temperatura ambiente

Começar por fazer o lemon curd (com pelo menos 1/2 dia de antecedência)
Levar ao lume os ovos bem misturados com o açúcar e o sumo de limão.
Mexer sempre para não ganhar grumos (para não correr riscos, faça-o em banho-maria), até engrossar.
Deve demorar cerca de 10 minutos. Retirar do lume e incorporar a manteiga em pedaços e a raspa de limão. Mexer até a manteiga estar bem derretida e dissolvida no creme.
Passar para frascos esterilizados, tapar, deixar arrefecer e refrigerar. Dura cerca de 15 dias no frigorífico.


Pré-aquecer o forno nos 180º.
Forrar com papel vegetal e untar 2 formas de 18 ou 20 cm.
Numa taça bater bem a manteiga ou a margarina até ficar cremosa.
Juntar os restantes ingredientes pela ordem indicada e misturar bem com uma colher de pau ou batedor de varas até ficar uma massa ligada.
Distribuir pelas formas e levar ao forno cerca de 30-35 minutos ou até terem crescido e estarem firmes no centro (pode fazer-se o teste do palito: ele sairá sempre húmido de gordura, mas desde que não saia com migalhas de bolo, à partida estará pronto).

Para o xarope, levar ao lume a água com o açúcar, deixar dissolver e ferver durante um minuto. Retirar do lume e juntar o sumo de limão.
Assim que os bolos saírem do forno, regá-los com o xarope, com eles ainda nas formas e deixar arrefecer totalmente sobre uma grade de bolos.
Quando arrefecidos, desenformar um dos bolos no prato de servir, espalhar lemon curd, desenformar e colocar o outro bolo por cima. Usar uma cobertura a gosto ou a sugerida aqui na receita.

Nota: para este bolo, usei uma forma quadrada de 18 e fiz duas doses da receita. Como cobri com pasta de açúcar, deixei arrefecer primeiro os bolos, depois de desenformados, abri cada um deles ao meio e reguei com o xarope morno cada uma das partes já bem frias, pois tive medo que depois fosse difícil trabalhá-lo e passá-lo da base de trabalho para o prato de servir.


5.5.11

Say lemon!




Digam limão e os meus ouvidos ficarão imediatamente alerta.
Limonada, sorvete de limão, mousse de limão... como gosto disto.

Por causa desta paixão, já confessada por diversas vezes, no último fim-de-semana, fiz uma boa dose de lemon curd.
A ideia era fazer com ele um triffle ou usá-lo como recheio e cobertura de um bolo alto de limão ou como recheio de profiteroles.
Queria algo voluptuoso e lindo de morrer, ainda que o mais certo fosse não conseguir captar com a máquina fotográfica esse drama (curso de fotografia precisa-se. E tempo para o fazer também).

Mas as horas começaram a voar, a voar, e resolvi recorrer a uma receita que se faz depressa e de cabeça: uma tarte de lemon curd.

Ficou muito boa, mas talvez continue a gostar mais desta.
O que é certo é que desta vez o G., que não aprecia por aí além o limão, elogiou e quis repetir.

Fiquei contente.



Tarte de Lemon Curd

380 g aprox. de lemon curd
(1 dose da receita que está aqui)
1 pacote de bolacha maria
100 g de manteiga amolecida
1 pacote de natas para bater
1 colher de sopa de açúcar
Raspas de 1 limão


Triturar a bolacha e misturá-la com a manteiga até ficar moldável.
Forrar o fundo de uma tarteira com esta mistura.
Espalhar por cima o lemon curd.
Bater as natas com o açúcar, em chantilly, e cobrir a tarte.
Decorar com raspas de limão.
Servir bem fria.

14.9.10

Mousse de limão instantânea.



Instantânea, mas não de pacote!
Mas antes de passarmos à receita - da autoria da Pipoka do blog Three Fat Ladies, queria prometer para breve a etiqueta 'Limão' aqui no blog, porque é mesmo um dos meus ingredientes favoritos e já cá constam quase uma dúzia de receitas em que ele é o rei.

Lemon curd, por exemplo, é um autêntico vício, que tento contrariar devido ao seu valor calórico.

Nos primórdios deste blog, já falei desta minha obsessão pelo limão aqui e até já tinha publicado uma receita de lemon curd, aqui. Com o tempo, fui experimentando outras e, tal como a Pipoka, cheguei à fórmula que me enche as medidas.

Na sexta-feira à noite, olhei para a fruteira cheia de limões e pensei "é hoje que mato as saudades" e fiz uma dose de lemon curd sem pensar numa utilização concreta. Se não servisse para algo especial (comer com scones, usar como cobertura de cupcakes ou de um bolo...) seria comido à colherada.

Acontece que no dia seguinte apeteceu-me fazer uma sobremesa para o jantar, ainda que já fosse... hora de jantar!
E então fez-se luz: lembrei-me que tinha visto esta receita e que era muito prática. Consultei rapidamente o Three Fat Ladies e confirmei a sua simplicidade.
Acho que nunca tinha feito uma sobremesa tão depressa e tão boa! Obrigada Pipoka.



Mousse de 'lemon curd'
Para 4/5

Cerca de 230 g de lemon curd*
200 ml de natas para bater
Raspas de chocolate ou raspas de lima para decorar


Bater as natas, que devem estar bem frias.
Juntar a estas o lemon curd, envolvendo com cuidado.
Passar para uma taça grande ou para tacinhas individuais e decorar com raspas de lima antes de servir. Como não tinha limas em casa, decorei com raspas de chocolate preto e branco.


*Esta é a receita que faço agora, depois de várias experiências; gosto do lemon curd bem forte e não muito doce, o ideal é ajustarem as quantidades de açúcar e sumo de limão ao vosso gosto:

Lemon curd
(para cerca de 350 ml)

100 ml de sumo de limão
1 colher de sopa de raspa de limão
3 ovos
150 g de açúcar
60 g de manteiga à temperatura ambiente


Levar ao lume, em banho-maria, os ovos bem misturados com o açúcar e o sumo de limão.
Mexer sempre, para não ganhar grumos, até engrossar: é rápido cerca de 10 minutos.
Retirar do lume e incorporar a manteiga em pedaços e a raspa de limão.
Mexer bem, até a manteiga ficar derretida e fundida no creme.
Passar para frascos esterilizados, tapar, deixar arrefecer e refrigerar.
Dizem que se conserva cerca de 15 dias no frigorífico, mas eu nunca deixo durar mais do que uma semana.


Se desejarem usar lemon curd de compra, aconselho este. É caro mas é muito bom e encontra-se à venda em lojas gourmet.

8.2.10

Um livro, uma receita #13






Quando se tem um livro como este nas mãos, é uma autêntica tortura decidir que receita experimentar.
Todas têm um aspecto delicioso, todas soam divinalmente à medida que lemos os ingredientes que lhes dão corpo.
Mas depois de folhearmos uma, duas e três vezes, o gosto pessoal e as preferências dos que nos são próximos - e que vão servir de cobaia! - acabam por dar uma ajuda. Assim como o stock da nossa despensa, verdade seja dita.

No sábado em que fiz estas bolachas de limão e sementes de papoila, fiz também umas outras, do mesmo livro, de chocolate, coco e amêndoa.
Ambas as receitas ficaram aprovadíssmas.
As deste post revelaram-se muito estaladiças, numa tentadora combinação agridoce. As sementes de papoila* dão-lhe alguma graça e reforçam a textura crocante.

Agora, só tenho mesmo de conseguir fazer bolachas mais pequenas: mesmo depois de nos últimos tabuleiros ter tentado fazê-las mais pequenas, elas saíram enormes!

Crisps de Limão e Sementes de papoila
Martha Stewart

Dá para cerca de 30 bolachas; a medida-chávena referida equivale a 250 ml de capacidade.

1/4 de chávena de sumo de limão
240 g de manteiga sem sal
2 chávenas de farinha sem fermento
1 colher de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de sal
1 chávena e meia de açúcar
1 ovo L
2 colheres de chá de extracto de baunilha
(usei uma colher de café de "confeitos de baunilha" - um pó açucarado muito fininho e aromático)
3 colheres e meia de chá de raspa fina de limão
1 colher de sopa de sementes de papoila + algumas para polvilhar


Pré-aquecer o forno nos 180º. Levar o sumo de limão ao fogão, lume médio, até fervilhar e reduzir o seu volume para cerca de metade. Juntar metade da manteiga (120 g) e mexer até se fundir no sumo. Reservar.
Numa taça misturar a farinha, o fermento e o sal.

Na taça da batedeira eléctrica, juntar a restante manteiga e 1 chávena de açúcar. Bater com os ganchos de amassar até ficar em creme. Juntar o ovo e a 'manteiga de limão'. Bater até ficar com uma cor esbranquiçada. Reduzir a velocidade e adicionar a baunilha e 2 colheres de chá de raspa de limão. Por fim, juntar a farinha e as sementes de papoila (nesta parte usei uma colher de pau).
Numa taça pequena, misturar a restante raspa de limão com o restante açúcar.
Fazer bolinhas de massa com cerca de 3 cm de diâmetro
(para a próxima vou fazê-las mais pequeninas, pois acabam por distender bastante no forno e ficam muito grandes).
Rolar cada bolinha na mistura de açúcar e raspa de limão (como se fosse um brigadeiro a ser passado no chocolate granulado) e colocar as bolinhas num tabuleiro anti-aderente, bem separadas entre si, pelo menos 5 cm. Para achatar as bolinhas e dar-lhes a forma de bolachas, pressioná-las com o fundo de um copo, fundo esse passado primeiro pela mistura de açúcar e limão (evita que se agarre e deixa as bordas da bolacha com aquele açúcar 'alimonado'). Polvilhá-las com as sementes.
Levar ao forno em tabuleiro anti-aderente ou forrado com papel vegetal cerca de 13 minutos ou até estarem bem douradinhas
(eu, pelo menos, gosto delas bem bronzeadas, acho que ficam mais estaladiças e saborosas).
Deixá-las arrefecer completamente no tabuleiro, preferencialmente em cima de uma rede (o arrefecimento no tabuleiro é mesmo importante: se tentarem retirá-las quentes ou mornas vão desfazer-se todas!).
Depois de arrefecidas, guardar numa caixa hermética. Desta forma, segundo o livro, conservam-se até 1 semana.


*Segundo o livro, as sementes de papoila devem ser guardadas no congelador, para evitar que fiquem "rançosas". Não sabia...

9.9.09

O limão, uma vez mais.





Esta tarte é um clássico de muitas cozinhas.
Mais ovo menos ovo, mais ou menos tempo no forno, mais limão ou menos limão, toda a gente já a fez ou já a provou. Seja sob o nome de tarte merengada, tarte de leite de condensado ou, simplesmente, tarte de limão.
Mas por mais que se repita, não deixa de ser irresistível. Tanto para a vista como para o paladar.
É fácil de fazer, não são precisos muito ingredientes e os que são normalmente temos em casa. Mas claro que a principal razão da minha simpatia por ela é... ser de limão!
Desta vez, como tinha limas que sobraram de uma experiência tailandesa que correu assim assim, resolvi misturar e saiu uma deliciosa tarte merengada de lima e limão.

Tarte merengada de lima e limão

Para a base de bolacha:
1 pacote de bolacha Maria
80 g manteiga ou margarina
(usei Vaqueiro)

Para o recheio:
1 lata de leite condensado
3 gemas
Sumo de 1 lima sumarenta
Sumo de 1 limão grande e sumarento

(para mim, quanto mais sumo levar a tarte melhor!)

Para o merengue:
3 claras
2 colheres de sopa de açúcar
1 pitada de sal


Pré-aquecer o forno nos 200º.
Triturar as bolachas e juntar a manteiga amolecida
(usei a Bimby - aí uns 8 segundos Vel. 5 e resultou muito bem).
Forrar a base de uma forma de fundo amovível ou de uma tarteira tipo pirex com a mistura de bolacha e manteiga, pressionando bem com os dedos. Levar ao forno aí uns 5 minutos só para 'prender' um pouco a base de bolacha.
Numa taça desfazer as gemas no leite condensado, juntar os sumos de lima e limão, mexer bem e verter por cima da base de bolacha. levar ao forno durante uns 10/15 minutos no máximo. A ideia é que o recheio ganhe alguma consistência mas continue cremoso
(eu gosto assim, mas há quem prefira cozer a tarte durante mais tempo).
Entretanto, bater as claras em castelo com o açúcar e uma pitada de sal. Como costumo usar só 3 claras, estas não rendem o suficiente para se cobrir a tarte com saco pasteleiro, de forma mais voluptuosa... assim, costumo deitar as claras em castelo sobre o recheio às colheradas, espalhando e cobrindo toda a superfície.
Levar ao forno na posição mais alta e na função grill durante uns 20 segundos para dourar
(atenção que este processo é muito rápido, se não quiserem arriscar a ficar com a cobertura queimada, coloquem na grelha do meio durante mais tempo, mas sempre a controlar!).

Eu gosto de comê-la fresquinha, por isso, depois de arrefecida, ruma ao frigorífico por umas boas horas.

Nota: na minha família, há quem a faça com mais gemas e, por consequência, mais claras, ficando de facto, mais vistosa. A parte das claras não me chateia nada, mas já as gemas extra, tal como aprendi com a minha amiga S., não fazem muita falta, pois roubam protagonismo à fruta e tornam o recheio menos cremoso.

23.8.09

Um livro, uma receita #8






Quem costuma vir a este blog sabe que adoro limão. E todas as frutas cítricas: lima, toranja, laranja...
Experimentar esta tarte de lima e limão estava por isso nos meus planos desde que tenho este livro, já lá vão alguns anos.

Por vários motivos, que não vale a pena estar agora a listar, não cozinho tanto como gostaria, daí a minha produção culinária seguir um ritmo bastante brando e demorar muito a testar receitas que já tenho debaixo de olho há muito.

Feliz e finalmente, um destes fins-de-semana pude experimentar a dita cuja.
Só não pude seguir as indicações para a base de massa quebrada, porque quando dei conta eram precisas duas horas para ela descansar e não tinha esse tempo todo!
Mas o recheio é muito bom, ácido como eu gosto, uma espécie de 'lemon-lime curd', que em vez da manteiga leva natas. Só tenho pena que a minha tarte não tenha ficado tão perfeitinha como a do Jamie...

Quanto ao livro, trata-se do primeiro publicado pelo famoso chefe inglês, e que resultou de um programa com o mesmo nome que apresentava na BBC. Para os fãs deste cozinheiro intrépido, há uma boa notícia: o seu novo livro - Jamie's America - está prestes a ser lançado e até já podem ser encomendados exemplares autografados, aqui.

Tarte de Lima e Limão

Para a base (eu fiz a receita básica de massa quebrada da Bimby, mas esta deve ser bem melhor!):

125 g manteiga
100 g açúcar em pó
uma pitada de sal
250 g farinha
2 gemas
2 colheres de sopa de leite frio ou água fria


Nota: esta é uma massa de tarte básica, que entra em várias receitas do Jamie, nomeadamente neste livro; estas quantidades dão para 1 base de tarte com cerca de 30 cm de diâmetro. Pode ser feita à mão ou num robot de cozinha.

Bater a manteiga com o açúcar e o sal e depois juntar a farinha e as gemas. Quando a massa estiver tipo migalhas, juntar a água ou o leite frio. Amassar um pouco e formar uma bola de massa. Polvilhar com um pouco de farinha por todo e dar-lhe a forma de um rolo gordo. Não trabalhar a massa demasiado: evita que fique elástica e garante que fica estaladiça depois de cozida. Envolver em película aderente e levar ao congelador* cerca de 1 hora (a receita original indica o dobro dos ingredientes - p/ 2 tartes; para metade da quantidade talvez não seja necessário tanto tempo no frio).

Após este tempo de refrigeração, partir a massa em fatias finas (cerca de 5 mm de espessura) e forrar a tarteira com estes pedaços de massa, pressionando com os dedos para uni-los, "como se fosse um puzzle", para usar as palavras do Jamie. Pressionar bem a massa no fundo e nos lados da tarteira para que a altura fique uniforme e retirar os excessos de massa do rebordo. Levar novamente ao congelador* mais 1 hora (imagino que se possa aplicar a teoria de cima e assim, se fizermos apenas uma dose, talvez possamos poupar algum tempo aqui!).

Antes de colocar o recheio, pré-cozer a massa durante 12 minutos a 180º. Como o recheio é bastante húmido, o naked chef recomenda que se pincele a massa com ovo batido antes de levá-la ao forno de modo a "impermeabilizá-la", evitando que amoleça. Jamie diz ainda que, se se retirar a tarteira directamente do congelador* para o forno, não há necessidade de cozer a massa com pesos ou feijões ou arroz, por exemplo (usados para evitar que empole).

Após esta pré-cozedura, a massa está pronta a receber o recheio.

Para o recheio:

340 g de açúcar fino
8 ovos grandes
(de preferência biológicos ou de galinhas criadas no campo)
350 ml de natas gordas
200 ml de sumo de lima
100 ml de sumo de limão
Raspas de 4 limas
(opcional)

Numa taça, bater os ovos com o açúcar. Quando estiverem bem misturados, juntar em fio as natas, os sumos e as raspas de lima. Verter sobre a base de massa pré-cozida e levar ao forno. (O Jamie sugere que se faça isto com a tarteira já no forno, para não corrermos o risco de entornarmos o creme, mas se o forno não tiver grades deslizantes ou porta tipo gaveta, não é muito fácil).
Cozer durante 40-45 minutos a 180º ou até o recheio ficar relativamente firme. Depois de arrefecer uma hora, o recheio terá atingido a consistência ideal: firme, mas macio e suave. Não servir antes deste tempo, pois o recheio pode 'desmoronar-se' ao partir-se a tarte.

Quem gostar pode polvilhar com açúcar em pó. Jamie sugere que se coma acompanhada de framboesas ou morangos frescos: algo simples, para não ofuscar o protagonismo da tarte!

*Inicialmente, quando publiquei o post, escrevi "frigorífico", mas depois fui confirmar e o Jamie diz que a massa deve refrigerar no freezer (congelador). Peço desculpa pelo lapso de tradução.

18.5.09

Um livro, uma receita #4









O sétimo livro do Jamie é aquele que ele diz que deveria ter sido o primeiro. Tudo porque é uma espécie de curso de cozinha, onde ele transmite conhecimentos essenciais sobre ingredientes, compra de produtos e regras básicas de confecção, à semelhança do que ensina aos alunos do Fifteen no seu primeiro dia.
Como já disse aqui, recentemente comprei sementes de papoila. Depois de uma primeira experiência, salgada, estava ansiosa por incluí-las em algo doce. Ao folhear este livro, descobri exactamente o que precisava:

O bolo de limão "escorrido" da avó do Jamie*

115 g manteiga sem sal
115 g açúcar fino (caster sugar, usei açúcar amarelo)
4 ovos grandes
180 g de amêndoa ralada (não tinha, não usei e não senti falta nenhuma!)
30 g de sementes de papoila
Sumo e raspa de 2 limões
125 g de farinha com fermento, peneirada

Para o xarope de limão:
100 g de açúcar fino
90 g de sumo de limão

Para a cobertura de limão:
225 g de açúcar em pó
Sumo e raspa de 1 limão

Pré-aquecer o forno nos 180º. Untar uma forma e forrá-la com papel vegetal que também se unta (usei uma forma de silicone da Tupperware, sem papel mas muito bem untada com manteiga e polvilhada com farinha).
Com a batedeira eléctrica, bater a manteiga e o açúcar até ficar leve e fofo (na altura não tinha batedeira, usei um batedor de varas manual). Juntar os ovos um a um. Juntar a farinha, as amêndoas (saltei esta parte), as sementes, o sumo e a raspa dos limões. Verter para a forma e levar ao forno cerca de 40 minutos ou até um palito sair seco do interior. Deixar arrefecer.

Para fazer o xarope de limão, aquecer o açúcar com o sumo num tacho até o açúcar se dissolver. Enquanto o bolo está morno, fazer furinhos a toda a volta com um palito de cocktail e verter o xarope (eu saltei esta parte, como explico mais abaixo, mas o bolo ficou bom na mesma).

Para fazer a cobertura, peneire o açúcar em pó para uma taça, junte o sumo e a raspa de limão até ficar um creme macio. Quando o bolo estiver quase frio, passá-lo para o prato de servir e verter por cima a cobertura, fazendo com que escorra para os lados, dando-lhe aquele efeito "drizzle".

Servir assim ao lanche ou com uma bola de gelado à sobremesa. O meu foi comido à ceia, acompanhado de uma chávena de chá de cidreira de fresca. Mmmm... que bom!


*Este bolo, como acontece com quase tudo o que aqui registo, teve de ser feito a correr. No meio da pressa, saltei a parte "xarope de limão", cobrindo directamente o bolo com o creme de limão final. Só agora, ao escrever o post, é que dei conta. No entanto, ficou muito bom. E bonito. Fi-lo no sábado, mas como já vem sendo hábito, no dia seguinte soube-me ainda melhor.

16.11.04

Limão, continuação.


Estas pequenas tartes são apenas um exemplo do que se pode fazer com o Lemon Curd.
Basta fazer uma massa básica de tarte (os mais preguiçosos ou apressados podem já comprar a massa preparada), forrar com ela formas do tamanho desejado e levar a cozer. Depois de arrefecidas as tartes, é só encher com o creme de limão. Uma delícia. Para quem gosta de sabores agridoces.

3.11.04

Amo-te limão.

Para além da paixão por castanhas, tenho uma tara por limões. Gosto de tudo o que leva limão. Bem, tudo, tudo, não. Ainda não aderi, por exemplo, à Frize Limão nem à concorrência “copiona”. Continuo a preferir o velhinho “pneu”. Sem açúcar, claro. Adoro sorvete de limão, tarte de limão, mousse de limão, refresco de limão. Basta uma rodela de limão no jarro da água para torná-la aromática e muito mais refrescante. E já que se aproxima o Natal, não há verdadeiro leite-creme ou genuína calda de açúcar para os sonhos, que não leve uma casquinha de limão. Para não falar do tempero dos pratos ditos “salgados”: os filetes de peixe, a carne que se põe a marinar antes de assar e muitos outros, só têm a ganhar com o sumo deste citrino amarelo. E quando há constipações à vista - sobretudo quando uma barriga cada vez mais proeminente não permite que se tome mais nada - uma das soluções é juntar sumo de limão a uma colher de mel e mummm… que rico xarope. Ora, foi por causa da paixão assolapada pelo limão, que no fim-de-semana passei umas boas horas na cozinha. Não sem antes ter colhido uma dúzia de exemplares directamente do limoeiro de casa dos pais. Algo que, aliás, aconselho vivamente: fica muito mais barato. Do resultado, dou-vos conta no post abaixo.

Receita #3



Lemon Curd (Doce de Limão)

Antes de mais: em quase todas as receitas que vi deste doce de origem inglesa, a manteiga mencionada é “sem sal”. Eu usei a Vaqueiro “clássica” (com sal, portanto), e acho que não ficou nada mal. O açúcar referido é sempre “em pó”. De facto, o açúcar que usei foi quase todo em pó mas, para “contrariar” o sal da manteiga, juntei mais um pouco de açúcar normal e resultou. Julgo que se poderá usar só açúcar normal ou então açúcar amarelo: parece-me que o tempo que está ao lume é suficiente para derretê-lo bem. Mas em cozinha, não há nada como experimentar. Por último, os ingredientes e as quantidades que se seguem são as que eu utilizei.


4 limões (aproveitar raspa e sumo)
4 ovos
125 g manteiga ou margarina
385 g de açúcar (preferencialmente em pó)

Num recipiente que dê para levar ao lume dentro de outro com água (banho-maria), misturar a raspa e o sumo dos limões, o açúcar, a manteiga (ou margarina) e os ovos já ligeiramente batidos. Com o lume no médio, mexer continuamente até a manteiga (ou margarina) derreter por completo, usando para tal uma colher de pau ou um batedor de varas. Depois, pode-se baixar o lume e deve-se continuar a mexer frequentemente até o creme espessar. Não é preciso o creme ficar demasiado espesso, pois ele vai engrossar depois de arrefecer. Bastam uns 35/40 minutos ao lume (a receita que segui de forma mais fiel falava em 20 minutos, mas não achei suficiente). Dá-se a cozedura por terminada quando o creme se apresentar brilhante e escorregar muito lentamente pelas costas da colher de pau. Depois, é só verter o doce para frascos previamente esterilizados, fechá-los, deixar arrefecer e guardar no frigorífico. Ou então, usá-lo logo que arrefeça para rechear bolos, tartes ou crepes, servi-lo tipo compota com scones ou… comê-lo às colheradas!
Ainda segundo as receitas consultadas, este doce aguenta no frigorífico cerca de duas semanas.