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7.1.16

Feliz 2016!













Esta sopa foi feita quando a dupla outono-inverno ainda não tinha dado um ar de sua graça.
Se bem se lembram, novembro e dezembro foram meses invulgarmente amenos e falava sobre isso no texto que escrevi para o Observador. Ainda que não goste do tempo cinzento, do frio e da chuva, que nos últimos dias não têm dado tréguas, senti na altura um certo desconforto pelas trocas e baldrocas climáticas. Se é para bater o dente e apanhar molha, que seja na altura de que falam os livros infantis sobre as quatro estações e que aprendemos quando andávamos na escola (bem sei que também tenho a minha quota parte de responsabilidade nestas alterações... mas esse mea culpa ficará para outra ocasião).

Janeiro, ao que parece, vai fazer jus à sua estação no hemisfério norte. E para lhe fazermos frente (assim como aos excessos típicos das últimas semanas) nada como uma sopa que seja ao mesmo tempo saudável e reconfortante. E esta vem com um bónus: umas bruschettas de cogumelos deliciosas.
Bom Ano!













CREME DE ABÓBORA E CENOURAS ASSADAS COM BRUSCHETTAS DE COGUMELOS

Para duas pessoas, como refeição leve

Para o creme de abóbora e cenouras assadas:
200 g de abóbora menina ou manteiga
200 g de cenoura
1/2 cebola roxa
2 dentes de alho
450 ml de água a ferver
Azeite qb
Sal qb
Pimenta preta qb
Tomilho seco qb
Leite de coco e pevides de abóbora para servir

Para as bruschettas:
4 fatias de pão de mistura
200 g de cogumelos marron
2 dentes de alho
1 fio de azeite
Sal e pimenta preta qb
Queijo-creme qb
Uma mão-cheia de rúcula

Ligue o forno nos 200º.
Descasque a abóbora e as cenouras e parta-as em pedaços.
Parta a cebola roxa em meias-luas e esmague os dentes de alho.
Coloque tudo num tabuleiro de ir ao forno e tempere com azeite, sal, pimenta preta e tomilho.
Leve ao forno durante cerca de 1 hora ou até a cenoura e a abóbora estarem bem macias.
Retire do forno e descarte as peles do alho.
Coloque o alho, a cebola, a abóbora e a cenoura num tacho (ou num robot de cozinha) e junte a água a ferver. Mexa bem e deixe levantar fervura.
Triture tudo com a varinha mágica (ou com o robot).
Prove e retifique os temperos. Se achar que está muito espesso, junte mais água e deixe levantar fervura novamente.

Entretanto, prepare as bruschettas.
Aproveite o calor do forno para tostar as fatias de pão.
Numa frigideira antiaderente salteie os cogumelos fatiados num fio de azeite com os alhos picados. Tempere com um pouco de sal e pimenta preta.
Barre as fatias de pão com queijo-creme e tempere com pimenta preta.
Disponha os cogumelos salteados e termine com a rúcula.

Quando servir, adicione ao creme um fio de leite de coco e polvilhe com sementes de abóbora (se a abóbora que usou tiver sementes, pode aproveitá-las tostando-as no forno — siga as indicações desta receita).

Receita publicada no jornal Observador em 18/11/2015. 

1.11.13

Uma salada fria de Outono // Autumn cold salad.


Eu sei, seu sei que ultimamente tem apetecido coisas mais quentes, mas na verdade esta salada é tão boa, que até por estes dias sabe bem. Na verdade, é uma salada para todo o ano, desde que se encontrem laranjas sumarentas à venda. Se possível das algarvias, o que nesta época não é difícil de encontrar (pelo menos nas frutarias, nas feiras e nos mercados; nos hipermercados é outra história, infelizmente).

15.10.12

Uma salada de Outono.





















































É verdade que quanto mais avançamos no Outono, menos nos apetece saladas frias.
Mas esta é especial.

No Mercado de Sabores do Continente do passado fim-de-semana, numa das banquinhas de legumes de produtores nacionais, provei sopa de abóbora Hokkaido, um tipo de abóbora que não conhecia.
Apesar de ter achado o sabor um pouco forte, fiquei curiosa quando me disseram que esta era uma abóbora que se podia comer crua. E trouxe dois exemplares para casa.

Experimentada primeiro numa sopa, voltei a achar que se notava demasiado o seu sabor, mesmo quando misturada com vários legumes (estranhamente, os meus rapazes não reclamaram).
Mas crua, numa salada em que se juntou à rúcula, à cebola roxa e ao queijo de cabra, foi uma agradável surpresa.

Em cru, o seu sabor pareceu-me estar entre a abóbora 'porqueira' e a abóbora 'menina', mas mais doce do que estas. Raspada num ralador, como se faz com a cenoura, pode mesmo passar por esta, devido à sua cor (se não soubessem, não diriam que era cenoura?)

A salada serviu para acompanhar um suculento hamburguer de carne alentejana (DOP), também comprado no Mercado de Sabores, e ambos foram temperados com produtos oferecidos pela Casa do Sal da Figueira da Foz: na salada, usei Flor de Sal; no hamburguer, usei o Sal para Saladas, que resulta muito bem em grelhados e assados (inclui orégãos, hortelã mourisca e alho).

Foi feita um dia ao almoço, só para mim, mas gostei tanto, que decidi repeti-la ao jantar. O rapaz grande também gostou muito.








































Salada de Outono para dois

(as quantidades são meramente indicativas, adaptem-nas ao vosso gosto)

Rúcula - 1/2 emb.
Abóbora Hokkaido - 1 fatia grossa, descascada e limpa de sementes
Cebola roxa - 1/2
Queijo de cabra - 1/2 queijo Palhais
Nozes - miolo de 4 ou 5
Laranja - sumo de 1/2
Azeite qb
Flor de sal qb
Pimenta preta moída na altura qb

Numa taça, fazer uma cama de rúcula
Ralar a abóbora num ralador (tipo o que podemos usar para a cenoura) e juntar.
Partir a cebola às meias-luas e juntar.
Desfazer o queijo grosseiramente e espalhar por cima.
Temperar com o molho, feito numa taça à parte com o azeite, o sumo de laranja, a flor de sal e a pimenta.
Terminar com as nozes picadas.
Envolver antes de servir.


27.4.12

Frutos da terra.





A beterraba não é um frequentador habitual desta cozinha, mas depois de ter lido alguns posts inpiradores no Gourmets Amadores, onde este legume é muitas vezes o rei da mesa, fiquei com vontade de voltar a usá-lo, até porque o rapaz grande cá de casa é um grande apreciador.

Noutro dia, em que a minha sogra tinha beterraba cozida para acompanhamento de um assado, o G. até disse: "Quem gosta de ostras, tem de gostar de beterrabas: comer ostras é beber o mar, comer beterraba é comer a terra".

Bem, apesar de ter achado a comparação muito bonita e poética, não sei se concordo a 100% com a teoria: afinal, não gosto de ostras, mas consigo comer beterraba com algum prazer.

Na visita mais recente à frutaria ao pé de casa, encontrei beterrabas (e cenouras ainda com rama) e não resisti a trazer algumas.

Quanto à receita, já estava marcada há muito tempo na Everyday Food de Janeiro/Fevereiro de 2010.

Ontem, foi o dia de lhe dar vida.







































Salada de beterraba e cenoura
(Everyday Food - Janeiro/Fevereiro 2010)

Para 4


Cerca de 450 g de beterraba com as folhas*
(3 bolbos médios)
2 cenouras médias
1/4 de chávena de sumo de laranja natural
2 colheres de chá de vinagre de vinho tinto (usei vinagre de sidra)
2 colheres de sopa de azeite
1,5 colheres de chá de mostarda de Dijon (usei mostarda normal)
Sal e pimenta qb

*Como já comprei as beterrabas sem as folhas, substituí estas por um talo de alho francês (parte branca).


Numa taça, fazer a vinagreta: juntar o sumo de laranja, o azeite, o vinagre e a mostarda.
Temperar com sal e pimenta preta acabada de moer e mexer bem com um batedor de varas.
Cortar as folhas das beterrabas e descartar os talos. Lavar, secar e cortar as folhas em tirinhas finas (ou em alternativa cortar o alho-francês em rodelas finas).
Lavar bem as beterrabas, descascar e ralar em juliana para um coador (é melhor usar luvas).
Colocar o coador debaixo de água corrente até a água deixar de sair cor-de-rosa.
Deixar escorrer bem e secar em papel de cozinha (o papel fica manchado na mesma, mas como as tirinhas de beterraba ficam secas, garante-se uma salada mais bonita).
Lavar, descascar e ralar as cenouras.
Juntar os legumes numa taça de servir, adicionar a vinagreta e misturar bem.
Deixar assentar uns 15 minutos antes de servir.