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9.10.16

Gulodice pura [Minipavlovas de café]



































Mil e uma revisões feitas, detalhes de última hora acertados, livro na gráfica. Alívio!

Para comemorar, umas pavlovas de café a que é praticamente impossível resistir - um pecado da gula assumido e de difícil arrependimento. Soube bem voltar à cozinha e preparar esta coisa boa. Nos últimos tempos, só lá tenho ido basicamente para preparar o jantar. E a correr. Com o ultimar do livro e novos compromissos profissionais a acontecerem em paralelo, tenho andado com pouco tempo para novas publicações, mas já fiz uma promessa a mim mesma: reservar algumas horas, todas as semanas, para me dedicar ao blogue. Se eu não cumprir, puxem-me as orelhas!

E o que dizer destas pequenas maravilhas? Que são uma adaptação de uma receita deste livro de Nigella Lawson e que são maravilhosas. Substituí o molho toffee da receita original por molho de chocolate e café e resolvi juntar os bagos de romã, essa fruta tão bonita e sexy, que nesta época do ano nos pisca o olho da prateleira das frutarias ou dos supermercados. Foi a sobremesa para o almoço deste domingo, mas como não éramos muitos à mesa, resolvi usar parte do merengue para fazer suspiros.

Mas voltando ao meu livro: está quase, quase a chegar às livrarias (e posso revelar que terá também uma receita de pavlova!). Estejam atentos à página de facebook do Lume Brando, pois será aí que divulgarei, em primeira mão, a data e o local da sessão de lançamento, assim que estiver confirmada. Uma vez mais, obrigada por estarem desse lado: foram vocês que me proporcionaram esta aventura!















MINIPAVLOVAS DE CAFÉ COM MOLHO DE CHOCOLATE E CAFÉ E BAGAS DE ROMÃ

Para as pavlovas e suspiros
(adaptado de uma receita de Nigella Lawson)

125 g de claras de ovo (cerca de 4)
100 g de açúcar
100 g de açúcar em pó
50 g de açúcar amarelo
2 colheres de chá de café em pó instantâneo (usei dois pacotinhos de Nescafé)
1/2 colher de café de cremor tártaro

Para o molho de chocolate e café

80 g de chocolate de culinária
25 g de água
25 g de café

Para finalizar/decorar:

1 pacote de natas para bater (devem estar bem frias)
Bagos de 1/2 romã
Cacau em pó

Pré-aqueça o forno nos 130º função ventoinha.
Forre dois tabuleiros de forno com papel vegetal.
Numa taça, junte os açúcares, o café em pó instantâneo e o cremor tártaro.
Comece a bater as claras em castelo e, quando estas estiverem a fazer picos suaves, comece a juntar a mistura anterior, colher a colher, continuando a bater. Deve obter um merengue bem espesso, liso e brilhante.
Coloque um pouco de merengue nos cantos do papel vegetal e pressione contra o tabuleiro, para que o papel não fuja nem levante quando estiver a fazer as pavlovas.
Deite colheradas de merengue sobre o papel vegetal dos tabuleiros, bem espaçadas entre si, de forma a fazer cerca de 10 pavlovas pequenas; em alternativa, faça menos pavlovas e use o restante merengue para fazer suspiros - para isso usei um bico estrela largo e um saco de congelação (os sacos de pasteleiro descartáveis que costumo usar tinham acabado!).
Leve a cozer entre 45 a 50 minutos: estão prontos quando se soltarem muito facilmente do papel.
Desligue o forno e deixe a porta entreaberta.

Enquanto arrefecem, aproveite para tratar da romã, do molho de chocolate e das natas.
Para o molho de chocolate, junte os ingredientes numa taça e leve ao micro-ondas cerca de 1 minuto numa potência elevada. Retire e mexa bem. Confira a espessura do molho e, se achar muito espesso, junte mais um pouco de água ou café.
Bata as natas com a batedeira, sem açúcar, até obter picos bem firmes (quando começarem a prender, junte umas gotinhas de limão e verá que ficarão bem consistentes).

Coloque as pavlovas no prato de servir. Com as costas de uma colher, bata no topo de cada pavlova para ganhar espaço para as natas. Coloque uma boa colherada de natas, um fio generoso de molho de chocolate, os bagos de romã e, por fim, polvilhe com cacau em pó. Se sobrarem, sirva à parte o molho, as natas e os bagos de romã, para quem quiser colocar mais.




18.8.16

Cozinha Tradicional Portuguesa para nuestras hermanas.














Recentemente, fui desafiada pelo site espanhol Ellas Hablan a falar um pouco sobre cozinha tradicional portuguesa e a escolher as minhas receitas favoritas da nossa gastronomia.

Ainda que, no dia a dia, não recorra às receitas ou às técnicas originais da culinária tradicional, é um tema de que gosto bastante e tenho vários livros sobre esta componente da nossa história e cultura, tão rica e surpreendente para quem vem de fora. Sim, porque tenho a certeza de que quem visita Portugal a saber muito pouco da nossa gastronomia, sai do nosso país absolutamente rendido e deliciado.
Da minha estante, destaco o “Cozinha Tradicional Portuguesa” de Maria de Lourdes Modesto e a coleção “Coração,Cabeça e Estômago” do saudoso Alfredo Saramago.

Mas a minha ligação à cozinha tradicional portuguesa dá-se não só pelos livros e pelas escapadinhas culinárias que faço de vez em quando, como também pelas receitas de família e pelas refeições, sempre especiais, em que elas eram ou ainda são servidas. O bacalhau coberto da minha avó Luísa, o pão-de-ló de Ovar da minha Tia Céu, os rojões tenros e suculentos da minha mãe, o bazulaque (estufado de miúdos de cabrito) da minha sogra, isto para nomear apenas algumas das iguarias que tenho tido a sorte de saborear.
Sendo do norte, é a esta cozinha, nomeadamente ao Minho, que vou buscar mais referências, no entanto sou igualmente apaixonada pelos sabores alentejanos: a açorda, a sopa de cação e os coentros por tudo e por nada: adoro!

Temos ingredientes e produtos maravilhosos em todo o país, do Minho ao Algarve, dos Açores à Madeira, que fazem da nossa cozinha mediterrânica um caso de sucesso, dentro e fora de portas.

E são tantos os pratos de cozinha tradicional portuguesa de que gosto, que a escolha não se adivinhava fácil. Resolvi cingir-me às receitas publicadas no Lume Brando e a escolha ficou bem mais simples, pois verifiquei que tenho de aumentar urgentemente o repertório de pratos e sobremesas tradicionais! Mesmo assim, consegui encontrar três receitas que podem compor uma refeição com sabores tradicionalmente portugueses. Espero que as leitoras do Ellas Hablan gostem e se sintam inspiradas a saber mais sobre a culinária de Portugal.

Bom apetite!




Entrada
MINITARTES DE BROA DE AVINTES COM ALHEIRA E ESPINAFRES

Para 4 ou 5 minitartes, dependendo do tamanho das formas

130 g de broa
20 g de azeite
¼ de alheira de boa qualidade
2 chávenas almoçadeiras de espinafres frescos
Azeite qb
2 dentes de alho picados
4 ou 5 ovos de codorniz
Pimenta preta acabada de moer

Pré-aqueça o forno nos 180º. Unte forminhas de queque com manteiga ou azeite e polvilhe com farinha. Rale a broa num processador de cozinha. Junte o azeite e envolva, deve ficar uma massa moldável. Forre as forminhas de tarte com a massa, pressionando-a no fundo e à volta, esticando-a bem com os polegares; não precisa de forrar as paredes das formas até cima. Retire a pele à alheira e distribua o recheio pelas formas. Leve ao forno cerca de 15/20 minutos, até a alheira começar a borbulhar e massa de broa começar a ficar crocante. Entretanto salteie os espinafres (ou outras folhas verdes, como por exemplo grelos previamente cozidos al dente, com 1 dente de alho picado num fio de azeite. Retire as tartes do forno, distribua os espinafres, pressione um pouco para formar uma cavidade em cada tarte e coloque aí um ovo de codorniz (para partir os ovos de codorniz, pouse o ovo numa tábua, segure-o com cuidado e abra-o com uma faca afiada, começando por espetar esta na casca, sem pressionar demasiado). Leve ao forno mais 10 minutos ou até o ovo estar ao seu gosto (vá espreitando). Deixe arrefecer um pouco, desenforme com a ajuda de uma faca, salpique com um pouco de pimenta preta acabada e moer e sirva acompanhado de uma salada.


Prato principal
POLVO NO FORNO COM LARANJA


Cozer o polvo de forma habitual.
Entretanto lavar e descascar as batatas, de preferência das novas, pequeninas, temperá-las com salalho picado, um fio de azeite e outro de vinagre de cidra, e levá-las aí uns 10 minutos ao micro-ondas na potência máxima. Isto vai permitir que elas assem depois mais rápido, pois de outra forma o polvo precisaria de estar muito mais tempo no forno até elas ficarem bem douradinhas.

Preparar a assadeira: cobrir o fundo com azeite e rodelas finas de cebola.
Escorrer o polvo, parti-lo em pedaços mais pequenos e colocá-lo na assadeira. Juntar as batatas pré-cozinhadas. Dissolver uma colher e meia de sopa de polpa de tomate ou ketchup no sumo de uma laranja e verter sobre o polvo e as batatas. Levar ao forno bem quente até o polvo começar a ficar tostadinho e as batatas bem douradinhas. Durante a assadura, ir regando o polvo e as batatas com o molho formado.

Acompanhar com grelos salteados, por exemplo.


Sobremesa
TORTA DE VIANA

6 ovos, separados
Raspa de limão qb
125 g de açúcar
100 g de farinha sem fermento
Açúcar para polvilhar
Doce de ovos*


Pré-aquecer o forno nos 200º.

Forrar um tabuleiro (usei um com 36 x 24 cm) com papel vegetal e untar com manteiga ou spray desmoldante.
Bater bem as gemas com o açúcar e a raspa de limão com uma colher de pau, durante cerca de 5 minutos).
Bater as claras em castelo e envolvê-las na mistura das gemas.
Adicionar a farinha, envolver bem para que fique integrada na massa.
Verter sobre a forma, alisar e levar ao forno cerca de 14 minutos ou até o palito sair seco do seu interior (usar um palito fino, para não deixar marca).
Desenformar sobre um pano de cozinha húmido e polvilhado com açúcar.

Retirar o papel vegetal com cuidado e barrar com o doce de ovos.
Aguardar uns 10 minutos e enrolar com a ajuda do pano.
Deixar que arrefeça mais um pouco, aparar as extremidades, se desejar, e passar para o prato de servir.

*Doce de ovos

6 gemas + 1 ovo inteiro
250 g de açúcar
125 g de água
1 pedaço de casca de limão
1 pau de canela


Num tachinho,  levar ao lume a água, o açúcar e os aromatizantes (limão e canela).

Sem mexer, deixar levantar fervura. Quando começar a borbulhar (bolhas grandes em toda a superfície da calda), contar 3 minutos. Retirar do lume, descartar o limão e a canela e verter em fio sobre as gemas e o ovo previamente desfeitos numa taça de metal, mexendo sempre. Coar para o tacho e levar ao lume até engrossar, cerca de 10/15 minutos, mexendo sempre para não ganhar grumos e sem deixar ferver. Colocar num frasco, deixar arrefecer e conservar no frigorífico (dura várias semanas). O que sobrar, pode usar para rechear outros bolos e utilizar noutras sobremesas.

Podem ver o artigo original, clicando aqui.