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7.4.16

Saborear a vida.





















O leite condensado Nestlé faz parte das minhas memórias de infância, quando o comia às colheradas. 
Na adolescência, tive uma amiga ainda mais gulosa, que levava uma lata consigo sempre que tinha de passar uns dias fora: fazia um furo na lata, que guardava debaixo da cama, e ia bebendo sempre que as saudades da família apertavam.


Foi por isso com bastante prazer que aceitei o desafio da Nestlé, para criar uma receita que simbolizasse o lado mais doce da minha vida com o seu leite condensado Tradicional.
Para mim, um ‘dia doce’ é um dia passado em família. Os fins de semana prestam-se a esta doçura e foi para tornar o domingo ainda mais guloso, que fiz esta tarte e a levei para casa dos meus pais: o final perfeito de mais um animado almoço com três gerações à mesa.














TARTE DE LIMÃO E FRAMBOESA

1 lata de leite condensado Nestlé Tradicional
4 gemas
2 claras
180 g de bolacha Maria integral
90 g de manteiga amolecida
1 colher de chá bem cheia de cacau em pó
250 g de framboesas frescas + 100 g framboesas frescas ou congeladas
25 g de açúcar amarelo + 2 colheres de sopa
Sumo de 1,5 limões
Uma pitada de sal
Folhinhas de hortelã e raspas de chocolate preto para servir

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Triture as bolachas grosseiramente, junte o cacau em pó e a manteiga amolecida e volte a triturar, envolvendo bem a manteiga nas migalhas de bolacha.
Forre uma tarteira com esta mistura, pressionando bem com os dedos.
Leve ao forno já quente cerca de 5 minutos, apenas para ‘prender’ a base de bolacha. Reserve.
Triture 100 g de framboesas frescas, junte as gemas e bata muito bem.
Passe esta mistura por um coador, para descartar as grainhas das framboesas - use uma espátula para pressionar a mistura contra a rede do coador, de forma a obter o máximo de líquido.
Verta o leite condensado para uma taça, junte-lhe a mistura de gemas e framboesas e o sumo de 1 limão. Mexa bem e verta por cima da base de bolacha (pode ser que não use o recheio todo, depende do tamanho da sua forma).
Espalhe algumas framboesas frescas e leve ao forno cerca de 15 minutos.

Entretanto, prepare o coulis de framboesa: leve ao lume 100 g de framboesas frescas ou congeladas com 25 g de açúcar amarelo (ou a gosto) e sumo de ½ limão. Deixe cozinhar em lume brando até as framboesas estarem bem desfeitas e terem largado o sumo, formando uma calda. Passe por um coador, para descartar as grainhas, pressionando com uma espátula, de forma a extrair todo o coulis. Deixe arrefecer e reserve até servir.

Para preparar o merengue, bata duas claras em castelo com 2 colheres de sopa de açúcar amarelo e uma pitada de sal até ficar bem firme (guarde as outras duas claras no frigorífico ou no congelador para futuras utilizações).
Coloque o merengue num saco pasteleiro e faça pequenos montes de merengue por toda a tarte. Queime com um maçarico de cozinha ou leve ao forno quente na posição grill durante cerca de meio minuto ou até os montinhos ganharem um pouco de cor (é muito rápido). Depois de arrefecida, leve ao frio.
Decore com folhinhas de hortelã, as restantes framboesas frescas e raspas de chocolate, e sirva acompanhada do coulis.

1.4.16

Um bolo de tigela [e uma novidade com nervoso miudinho]

































O ano passado, os bolos de caneca fizeram bastante sucesso.
Confesso que nunca fiz nenhum mas, recentemente, vi uma reinterpretação desta tendência numa revista francesa, em que usaram taças ou tigelas (ou malgas, para quem é do norte, como eu).
Achei esta versão mais interessante pela possibilidade de serem desenformados - possivelmente os de caneca também podem ser, mas a forma e o aspecto final é capaz de não ser tão apelativo.

Há uns meses, comprei pela primeira vez uma embalagem de açúcar de coco que andava ansiosa por provar e usar e achei que uma receita 'pequena', como um 'bolo de tigela', seria a oportunidade ideal. Para além de ter utilizado o açúcar de coco na massa do bolo, fiz também com ele o molho de caramelo e resultou muito bem.

O açúcar de coco, extraído das flores do coqueiro, é menos processado que o açúcar branco, e apresenta nutrientes como potássio, ferro, zinco e fósforo e vitaminas do complexo B. Apesar de ter um índice glicémico baixo, ou seja, a sua absorção pelo organismo é mais lenta do que no caso dos açúcares refinados, é bastante calórico e deve ser usado igualmente com moderação. Gosto de usar produtos novos e gostei desta experiência - provado ao natural o açúcar tem aroma e sabor torrados característicos e é um pouco ácido, mas no bolo e no molho de caramelo não notei qualquer diferença em relação a um açúcar amarelo ou mascavado - no entanto, não me parece que vá passar a fazer parte dos ingredientes básicos cá de casa, sobretudo pelo seu preço elevado.

Quanto a este bolo de maçã, é um bolo de micro-ondas: fácil, rápido e um pouco esponjoso, mas em que a maçã e o molho de caramelo disfarçam de forma maravilhosa a técnica preguiçosa.

E antes de passarmos à receita, uma revelação com alguns nervos à mistura...

... estou a trabalhar num livro! Sim, um livro de cozinha!

Há uns tempos, fui desafiada por uma editora e, depois de muito ponderar, muito questionar e muito panicar, decidi avançar com a empreitada. Para já, só vos posso dizer que tem sido uma aventura e pêras. Pensar nas receitas, testá-las, dá-las a provar, aproveitá-las ou descartá-las e começar de novo, cozinhá-las para a sessão fotográfica, fotografá-las, escrever os textos e as receitas. E o S. Pedro que tem sido tão mauzinho? Adiar sessões, fotografar quase sem luz, acho que o making of do livro, dava outro livro...

Mas não posso negar que tem sido um desafio estimulante, que me tem ajudado a evoluir e a aprender imenso, nomeadamente sobre os meus próprios limites. Ainda não vos posso falar muito do conceito do livro, nem dizer quando será lançado, à partida será no último trimestre do ano, mas aos poucos irei revelando alguns detalhes, por isso, toca a ficar atento!

E, claro, não podia deixar de agradecer a todos os que me lêem, a todos os que experimentam as receitas que aqui partilho e me dão o seu feedback (quase sempre positivo, o que me deixa muito feliz), a todos os que de alguma forma interagem com o Lume Brando no facebook e no Instagram: sem vocês, a motivação para cuidar do blog e fazê-lo crescer nunca seria a mesma e esta oportunidade nunca teria surgido. Muito, muito obrigada!















BOLO DE TIGELA DE MAÇÃ E CANELA C/ MOLHO DE CARAMELO

Para dois bolos pequenos (tigelas c/ cerca de 10 cm de diâmetro e 7 cm de altura)

1 ovo
2 colheres de sopa de açúcar de coco
1 colher de sopa de azeite extra virgem suave ou frutado
3 colheres de sopa de leite
3 colheres de sopa de farinha com fermento
1 colher de café rasa de fermento em pó
1 maçã média descascada e cortada em pedacinhos
1 fio de sumo de limão para regar a maçã
1 pitada de canela
1 pitada de gengibre

Para o molho:
2 colheres de sopa açúcar de coco
2 colheres de sopa de água ou mais um pouco
2 colheres de sopa de natas

Unte bem as tigelas com manteiga ou azeite e polvilhe com farinha ou use spray desmoldante (que foi o meu caso). Descasque e parta em pedacinhos a maçã, regando-a com o sumo de limão.
Numa taça, junte todos os ingredientes e envolva tudo, sem mexer demasiado.
Divida pelas tigelas e leve ao micro-ondas 3 minutos nos 700 watts.
Retire, deixe arrefecer uns minutos e desenforme com cuidado.

Enquanto arrefecem, prepare o molho: junte a água e o açúcar num tachinho de fundo espesso e leve ao lume médio. Nunca mexa: quando muito, rode a panela, para a água cobrir todo o açúcar quando este começar a derreter. Quando começar a borbulhar e a caramelizar, retire do lume e junte as natas. Mexa bem e sirva com o bolo.

Nota: apesar de ter usado farinha com fermento, juntei mais um pouco de fermento, pois acho fraco o poder levedante das farinhas já com fermento. Aliás, raramente uso farinhas com fermento, prefiro usar sem e juntar o fermento à parte, mas na Páscoa, a farinha sem fermento tinha desaparecido das prateleiras do supermercado onde fui fazer compras!





18.3.16

Um brownie de cerveja para 'pais-chocolate'.


















Sou fã de livros infantis. Desconfio que gosto mais deles do que os meus filhos, que estão a ficar grandes e começam a preferir a literatura pré-adolescente, se é que este género existe, aos livros que eu cuidadosamente escolhia para lhes ler à noite.

Uma das minhas editoras do coração é a Planeta Tangerina. As ilustrações, as histórias que nos obrigam a imaginar porque são contadas por meias palavras, a abordagem inteligente e original aos temas, gosto de tudo. São pequenas jóias que temos cá em casa e se a roupa que já não lhes serve é oferecida, confesso que sou incapaz de me desfazer destes livros, mesmo que por agora os piratas os deixem a ganhar pó na estante.

Há uns anos, ofereci ao pai cá de casa o "Pê de Pai", um livro delicioso que enumera os vários papéis e funções que o pai vai assumindo ao longo do dia ou ao longo do crescimento dos filhos, desde o "pai cabide", em quem os filhos se penduram, até ao 'pai grua", que levanta e puxa o filhote sempre que é preciso, passando pelo 'pai travão', que evita os acidentes, o 'pai seta', que indica de forma firme o que o filho deve fazer, o 'pai casaco', que abriga o filho quando começa a chover, o 'pai cofre', que guarda segredos, ou ainda o 'pai chocolate', que dá vontade de abraçar e trincar.

Porque amanhã é Dia do Pai, aqui fica uma receita dedicada a todos os pais, em especial aos 'pais chocolate': aqueles que se deixam abraçar e se dão aos filhos de forma generosa. Um brownie guloso que leva cerveja e amendoim, para um Feliz 19 de março!

PS: Também temos cá em casa o "Coração de Mãe" e eu, que pareço muito pouco lamechas e emocional, não consigo lê-lo sem que uma lágrima me escape, de tão bonito que é.
















BROWNIE DE CERVEJA COM AMENDOINS
Adaptado de The Kitchy Kitchen

2 ovos
125 g de açúcar mascavado
65 g de farinha sem fermento
20 g de cacau em pó
1 colher de chá de fermento em pó
60 g de chocolate de culinária
60 g de manteiga
60 ml de cerveja preta
1 colher de chá de extrato de baunilha
1/2 chávena de pepitas de chocolate negro (quando publiquei o post tinha-me esquecido deste ingrediente!)
1 chávena de amendoins torrados + sal qb + azeite qb + açúcar mascavado qb

Unte com manteiga e polvilhe com farinha uma forma retangular com cerca de 17 cm x 25 cm. Forre-o com papel vegetal e volte a untar/polvilhar.
Ligue o forno nos 180º.
Peneire a farinha, o fermento e o cacau para uma taça e reserve.
Numa taça maior, bata os ovos com o açúcar.
Derreta a manteiga juntamente com o chocolate e mexa bem. Junte a baunilha e a cerveja.
Alternadamente, vá juntando à taça dos ovos e do açúcar quer a mistura dos secos (farinha, cacau e fermento), quer a mistura líquida (chocolate derretido, cerveja, baunilha), terminando com os secos. Não mexa demasiado e envolva por fim as pepitas de chocolate. Verta sobre a forma.
Entretanto, passe os amendoins por azeite ou óleo vegetal e polvilhe com sal e açúcar mascavado. Envolva tudo muito bem e espalhe os amendoins pela massa do brownie (se usar amendoins com sal ou amendoins caramelizados, omita o sal ou use os amendoins tal como estão, respetivamente).
Leve o brownie ao forno cerca de 25 minutos. Faça o teste do palito, que deve sair com umas migalhas grossas agarradas.
Deixe arrefecer na forma.





25.2.16

Um bolo para onze velas.




Esta é uma semana de festa por aqui.
O mais velho fez a sua primeira capicua. Cantaram-se os parabéns no próprio dia com os avós e os tios, festejou-se no dia seguinte com os amigos e no fim de semana haverá cá em casa o tradicional almoço de família (desta vez seremos uns 35 à mesa!)
Três bolos de aniversário, portanto.
Este foi o primeiro.

Julgo que já falei aqui que massas de chocolate não são a minha primeira opção para bolos de aniversário. Porque os bolos de aniversário querem-se altos e com alguma decoração (sobretudo se estamos a falar de uma criança ou pré-adolescente) e para mim os melhores bolos de chocolate são aqueles que se servem como sobremesa: baixos e húmidos. Mas chocolate é o sabor preferido do aniversariante, por isso tinha mesmo de ser.

Conseguir uma massa de chocolate que se adapte a um bolo alto, que dê para decorar e ao mesmo tempo seja húmida e deliciosa não é fácil. Este bolo foi por isso uma ótima surpresa.
Adaptei uma receita base de bolo de chocolate tipo chiffon, que me foi passada há vários anos e consegui um bolo intenso, húmido e bonito. O aspeto, não sendo a característica principal (para mim, o principal, é sempre o sabor) era neste caso importante. Tenho pena de não vos poder mostrar uma fatia do bolo, para verem como estava escuro e húmido.

E como o formato do bolo que escolhi já tinha um certo ar de festa, a decoração foi bastante simples, a comprovar o princípio de que "menos é mais".





















BOLO DE CHOCOLATE E AMÊNDOA

4 ovos
1 chávena de açúcar branco
1/2 chávena de açúcar amarelo
1 chávena de óleo de girassol
1 chávena de água a ferver
65 g de chocolate em pó
65 g de cacau em pó
1 chávena de amêndoa moída
1 chávena de farinha sem fermento
1 colher de sopa de fermento em pó

Chávena = 250 ml de capacidade

Para a decoração:

1 embalagem de cobertura de chocolate da Vahiné
ou 150 g de chocolate de culinária (mínimo 52% de cacau)
Sprinkles/granulado colorido


Pré-aquecer o forno nos 180º
Untar muito bem a forma, sobretudo se usar uma forma com chaminé, como neste caso, e polvilhá-la com farinha, ou então usar spray desmoldante. Eu usei spray desmoldante numa dose mais generosa do que o normal, pois como o bolo é húmido e nestas formas não podemos usar papel vegetal, não quis correr o risco de ficar com partes do bolo agarrado à forma.
Numa taça grande, bater bem os ovos com o açúcar. Juntar o óleo, mexer bem.
Adicionar a água a ferver e mexer vigorosamente.
Juntar o chocolate e o cacau - mexer bem até estarem bem dissolvidos.
Juntar a amêndoa moída, seguida da farinha e do fermento.
Verter para a forma e levar a cozer cerca de 40 minutos, mas vai depender bastante da forma e do forno. Eu usei uma forma de silicone e nestas, normalmente, os bolos cozem mais rápido. Passados 35 minutos, comece a vigiar e faça o teste do palito: espete-o no centro do bolo e, se sair limpo, está pronto.
Retire do forno, aguarde uns minutos, passe uma faca de manteiga pelos lados da forma e desenforme.
Se tiver usado uma forma de silicone, deixe arrefecer na forma, passe depois uma faca de manteiga pelos lados da forma e desenforme.

Depois de frio, pode decorar.
Eu usei uma embalagem desta cobertura que a Vahiné me ofereceu, mas conseguem o mesmo resultado, fazendo derreter em banho-maria 150 g de chocolate de culinária. Depois de bem derretido, é só espalhar com uma colher pelo topo do bolo, fazendo escorrer de vez em quando, para um efeito mais dramático. Espalhe de imediato os sprinkles coloridos (e as velas, se for caso disso), pois o chocolate seca rapidamente.