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5.7.13

No país dos gelados, parte II. // In ice cream land, part II.

 

























































A primeira paragem desta minha curta viagem a Itália foi Bérgamo, a pequena cidade do norte onde nasceu a polenta, e que fica apenas a 50 km de Milão.
É a cidade mais próxima da sede da empresa onde o G. trabalha e por isso muito dos seus colegas italianos são daqui. Alguns já se tornaram amigos e foi um verdadeiro luxo sermos guiados pela cidade por verdadeiros bergamascos, que a conhecem tão bem.

Passeámos pelas duas grandes zonas de Bérgamo: a 'cidade alta', com os seus monumentos medievais, praças e ruelas pitorescas, e a 'cidade baixa', mais cosmopolita, onde se situava o nosso simpático B&B.
Gostei da cidade: tranquila, limpa, onde é fácil encontrar gente atenciosa e boa comida (estamos em Itália, certo?).

De facto, foi aqui que fizemos as duas melhores refeições deste fim-de-semana comprido.
A primeira foi um jantar no restaurante Casanova, especializado em peixe e que apresenta imensos pratos com este ingrediente em cru (e não é que gostei? Digamos que achei o cru de inspiração mediterrânica bem diferente do cru oriental...).
Carpaccio de atum com burratina e molho pesto, gambas (cruas) da Sicília com ravioli de porcini e bacalhau da islândia cozido a baixa temperatura, foram algumas das coisas boas que vieram para a mesa, num jantar acompanhado por diversos tipos de espumante de uma cave italiana, que nessa noite dava a conhecer os seus produtos.
Foi um jantar tão delicioso quanto divertido, com dois casais amigos italianos, que no final me apresentaram ao talentoso chef Daniele Casanova (grazie Marco, Valentina, Ivan e Marina).

Para o dia seguinte, estava marcada a outra grande aventura gastronómica desta viagem: um almoço no Da Vittorio, considerado um dos melhores restaurantes de Itália e detentor de três estrelas Michelin (calma, não somos loucos nem milionários: o menu de degustação estava em promoção!).
Serviço impecável, pratos que pareciam obras de arte, muitas texturas e sabores para descobrir, com destaque para a esferificação de ginseng com pó de ouro, incluída na sobremesa.
Foi uma experiência memorável, a vários níveis, mas confesso que gostar, gostar, gosto de comida descomplicada, num ambiente menos clássico e mais descontraído.

Agora fica apenas a faltar uma 'mini-foto-reportagem' sobre a nossa passagem por Pádua, à ida e à vinda de Veneza.

E enquanto faço os posts sobre esta escapadinha, mais vontade ganho de voltar a Itália sem demora. Quero voltar a sentir no ar aquela língua cantada deliciosa, quero provar tudo aquilo que desta vez não consegui, quero consolar a vista com as paisagens do meu imaginário (o Lago Como desde que vi o "Amor à beira do Lago"; o litoral; a Toscânia rural; o sul), quero em Roma ser romana.

Italia, aspettami...

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The first stop of these short trip to Italy was Bergamo, a small town on the north (the 'birthplace' of polenta), 50 km away from Milan.
It is the closest town to the headquarters of the company where G. works, so many of his Italian fellows  live here. Some have become friends and it was a real luxury to be guided around the city by real bergamascos who know it so well.

We walked through the two major areas of Bergamo: the upper town, with its medieval monuments, picturesque squares and old alleys, and the 'lower city', more cosmopolitan, and where was our friendly B & B.
I liked the city: quiet, clean, where is easy to find nice people and good food (we are in Italy, right?).

In fact, it was here that we had the two best meals of this long weekend.
The first was a dinner at Casanova restaurant, specialized in fish and presenting a lot of raw fish dishes (which, surprisingly, I loved. Let's say that the Mediterranean-inspired raw is very different from the oriental raw ...).
Tuna Carpaccio with burratina and pesto, (raw) Sicilian prawns with porcini ravioli, and Iceland cod cooked at low temperature, were some of the good things that came to the table for a great dinner that was accompanied by various types of sparkling wine from an Italian cellar, which was making a degustation of their products that night.
We had a lot of fun in this delicious dinner, in the company of two Italian couples, who at the end made me meet the talented chef Daniele Casanova (grazie Marco, Valentina, Ivan and Marina).

For the next day was scheduled another great culinary adventure: lunch at Da Vittorio, considered one of the best restaurants in Italy and home of three Michelin stars (keep calm, we are not crazy or millionaires: the degustation menu was on sale!).
Faultless service, dishes that looked like art, many textures and flavors to discover, especially the ginseng spherification with real gold powder, included in the dessert.
It was a memorable experience at various levels, but I confess that I prefer uncomplicated good food, in a less classical and more relaxed atmosphere.

Now is just missing a 'mini-photo-report' on our passage through Padua, when we was going to (and coming from) Venice.

And while I write the posts on this escapade, my desire to go back to Italy soon gets stronger.
I want to feel in the air that delicious language again, I want to taste everything this time I couldn't, I want to fulfil my view with the landscapes I have in my head since I was young (Lake Como, since I saw 'A month by the lake'; the coast; the rural Tuscany; the south), I want to be Roman in Rome.

Italia, aspettami...

12.12.12

Viena e uma receita para o Natal.


 



































































Uma viagem de trabalho do G. a Viena, há umas semanas atrás, transformou-se numas miniférias a dois.
A altura não podia ter sido melhor, com a cidade já envolta numa alegre e colorida atmosfera natalícia.

Deu para perceber que esta é uma época muito importante para os austríacos, na sua maioria católicos. Nas ruas do centro não faltam iluminações, as coroas de advento vendem-se em todo o lado e os mercados de natal surpreendem-nos a cada esquina. Estes são uma espécie de feiras de artesanato, onde se destacam as bancas que vendem bolas e outros enfeites de natal - lindos mas caríssimos - e as bancas que servem os famosos punsch e glühwein, as bebidas quentes que ajudam os grupos de amigos e as famílias que se juntam nas praças ao fim da tarde, a afastar o frio.

Já não nos lembrávamos de andar tanto a pé. A cidade é bem maior do que imaginávamos e, apesar da excelente rede de transportes públicos, caminhar pareceu-nos a melhor maneira de ficar a conhecê-la.
O resultado, para além dos músculos cansados e da alma cheia de mundo, foram centenas de fotografias, que só agora consegui seleccionar.

Algumas ajudam a ilustrar o meu toptwelve desta visita a Viena:

1. Os mercados de natal e o ambiente mágico que neles se vive, com destaque para o da Rathaus;
2. Os cafés e o café (gostei especialmente do Kleines Café, com uma atmosfera muito informal e intimista e onde, só agora descobri, foi filmada uma cena do filme 'Antes do Amanhecer', com o Ethan Hawke e a Julie Delpy);
3. A missa de domingo na Capela Imperial do Palácio Hofburg, com um grupo de canto gregoriano, os Pequenos Cantores de Viena e um organista da Filarmónica de Viena;
4. A divertida visita guiada ao edifício da Ópera (acho que tivemos sorte com o guia);
5. Os mercados, especialmente o Naschmarkt;
6. A subida à cúpula da Karlskirche, onde se podem apreciar os frescos a muito pouca distância e ainda ter uma panorâmica sobre a cidade (ainda que seja aos quadradinhos, devido à rede de segurança);
7. O Museum Quartier, com vários museus, lojas e um ambiente cosmopolita fresco e moderno que contrasta com as clássicas atracções da cidade;
8. Os Palácios Schloss Schönbrunn e Belvedere, sobretudo pela forma como foram implantados, com espaço à volta e vista sobre a cidade (num dos Palácios Belvedere pode ver-se o beijo mais famoso do mundo, de Gustav Klimt e no Schönbrunn há esquilos simpáticos);
9. A simpatia dos austríacos, que fisicamente são mais parecidos connosco do aquilo que eu poderia imaginar;
10. As lojas Blaulicht e Kokon, onde me senti uma criança numa grande loja de brinquedos, com vontade de comprar tudo, mas onde comprei apenas duas singelas colheres de café e uma pequena rena prateada;
11. As castanhas que se vendem na rua, enormes e doces, que não sujam as mãos pois são assadas em fogareiros a gás;
12. O jantar inesperado no Zweitbester, um restaurante industrial chic que encontrámos por acaso e onde comemos muito bem sem pagar muito - o meu risotto de castanha estava delicioso e o peixe, de rio, que o G. escolheu, também.

E agora a receita. Inspirada nesta viagem.
Na segunda visita que fiz ao Naschmarkt, descobri uma banquinha liderada por dois rapazes novos que vendiam doces com aspecto caseiro. Os que mais me chamaram a atenção foram umas rodelas rústicas de chocolate cobertas com amêndoa caramelizada, o tamanho era pouco maior do que uma bolacha maria. Havia em todas as versões: chocolate preto, branco e de leite. Perguntei quanto custavam e disseram-me que era ao peso. Pegaram numa, como exemplo, e colocaram na balança, informando-me de que aquela passava dos 3 Euros. Sorri de olhos arregalados, agradeci, mas não comprei, decidida a tentar fazê-las eu, assim que voltasse.

Aqui estão elas: uma espécie de florentinas simplificadas, quem nem de forno precisam e que podem transformar-se num mimo de natal, com imensas variações.
Desta vez fiz só com chocolate preto e amêndoa, mas já estou a magicar usar pistáchios, sultanas e casca de laranja cristalizada...







'Pseudoflorentinas' de chocolate e amêndoa

Para cerca de 10

200 g de chocolate de culinária
50 g de miolo de amêndoa laminado (ou aos palitos)
1/2 colher de sopa de manteiga ou margarina
1 a 2 colheres de sopa de açúcar amarelo

Numa sertã, colocar o açúcar e a manteiga. Deixar derreter a manteiga, mexer bem e juntar a amêndoa.
Deixar cozinhar em lume médio, até a amêndoa começar a caramelizar e ganhar uma cor bonita, mexendo sempre com cuidado, para não partir as láminas de amêndoa e ficarem douradas por todo.
Retirar do lume e deixar arrefecer sobre uma folha de papel vegetal.
Levar o chocolate a derreter em banho-maria, tendo atenção para que a água do tacho não toque no recipiente do chocolate.
Quando o chocolate estiver bem derretido, verter colheradas sobre papel vegetal (usei uma colher de sopa, para círculos com cerca de  6 cm.
Espalhar por cima a amêndoa já arrefecida.
Se sobrar chocolate, passar uns fios sobre as bolachas para 'prender' melhor a amêndoa.
Deixar secar bem.
Destacar do papel vegetal com cuidado, embrulhar e oferecer!


2.7.12

Mais perto do céu, parte II



Finalmente, os momentos mais apetitosos do fim-de-semana que passámos no Douro.

Logo no primeiro dia, e depois de um pequeno-almoço tardio, impunha-se a visita à adega, que vale a pena não só pelo evidente valor enológico, mas também pela componente arquitectónica.

A extensa prova no final da visita embalou-nos até à piscina, onde petiscámos queijos, pão, enchidos e, digamos, continuámos a prova ;)
E nem os miúdos reclamaram deste almoço leve e relaxado, que para eles incluiu sanduíches e limonada.

Dos jantares, também não nos podemos queixar: comida tradicional bem confeccionada e, claro, bom vinho a acompanhar. E houve uma sobremesa tão boa, que tentarei reproduzir em casa: carpaccio de laranja com redução de vinho do Porto e lascas de chocolate. Pena não haver registo fotográfico apresentável.

Mas a refeição mais especial destes dias foi, sem dúvida, o almoço na Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, onde já tínhamos estado o ano passado, e que agora dispõe de uma identidade e de uma filosofia próprias para o restaurante, baptizado de Conceitus.

As quatro últimas composições de imagens referem-se a esse repasto, onde houve não um, não dois, não três momentos vínicos... mas oito!
Em registo de prova, claro, que o caminho de volta apresentava muitas curvas...

Shot de melancia e gengibre, folhado de alheira em cama de grelos, infusão de videira para limpar o palato, bacalhau assado com batata gratinada (deliciosa!), crumble de frutos vermelhos com leite-creme de lúcia-lima e marshmallows caseiros... 

Que bem que se esteve ali debaixo da ramada, pela tarde fora, enquanto os miúdos se entretinham no providencial quarto das brincadeiras da quinta, mesmo ao nosso lado.

Nesse dia, Portugal venceria a Holanda, qualificando-se para os quartos-de-final do Europeu: mais uma coisa boa neste fim-de-semana memorável.


Mais sobre as escapadinhas de final de Primavera:



25.6.12

Mais perto do céu, parte I




Todos os anos, por esta altura, costumamos fazer uma escapadinha de quatro ou cinco dias.
Vamos para fora, cá dentro: o Alentejo recebeu-nos dois anos seguidos, o ano passado foi o Douro e este ano voltámos a esta região que, merecidamente, está classificada como Património Mundial da Humanidade.

O Douro não é só paisagem e néctar dos deuses. Não que isto seja pouco: beber um copo de bom vinho a olhar os vários verdes dos socalcos é, só por si, uma experiência que nos reconcilia com a vida, normalmente demasiado buliçosa para que a apreciemos como deve ser.

Mas o Douro são também as pessoas, genuinamente simpáticas, a boa comida, o sossego e o clima, que no Inverno pode ser muito agreste, mas que nos finais da Primavera sabe comportar-se como gostamos: com sol e calor do bom, mesmo quando, num ano atípico, no resto do país faz frio e chove. 

Desta vez, a nossa casa durante quatro dias foi esta.
E uso o termo casa porque foi mesmo assim que nos sentimos: nós, o casal amigo que repetiu connosco este destino e as nossas crianças.

Vê-las felizes a descobrir os recantos da quinta ou a brincarem na piscina enquanto se punha a conversa em dia, foi uma das partes boas deste fim-de-semana prolongado, que incluiu ainda refeições suculentas e preguiçosas,
de que darei conta no próximo post...



27.6.11

Boa vida no Douro.




Sol, boas leituras, pessoas simpáticas, bons vinhos, bons amigos, paisagem perfeita e crianças felizes: a semana que passou incluiu tudo isto em doses generosas.

Depois de nos últimos anos termos passado as nossas mini-férias de Junho no Alentejo (alguns detalhes aqui e aqui), optámos desta vez pelo Douro. E que boa escolha, esta.

Não foi a primeira vez que visitámos a região, de que somos absolutamente fãs, mas foi a primeira vez que ficámos aqui.

Um cenário de sonho - ainda que lá chegar não seja fácil! - e um atendimento extremamente simpático e disponível (um agradecimento especial à Maria, que até babysitting fez, para que pudéssemos ir jantar divinalmente, aqui), transformou estes dias na companhia de um casal amigo, em pausa maravilhosa num ano especialmente cansativo para os meus lados.

As crianças portaram-se muito bem, até porque não faltou a piscina nem uma sala cheia de brinquedos só para elas.
O passeio de barco a partir do Pinhão também fez sucesso junto dos mais novos, e os grandes gostaram de tudo, sobretudo dos dias praticamente sem relógio e dos brindes à boa vida.

Ontem, ao deitar, os miúdos só diziam "oh mãe, tenho saudades do hotel!"
Pois... Eu também...