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13.7.15

Sobreviver aos almoços solitários.
















[Texto e receita publicados no jornal Observador em 14 de abril de 2015]

Admiro quem tem coragem para almoçar sozinho, num restaurante ou numa praça de alimentação. Já o fiz, mas senti-me sempre desconfortável.

Os telemóveis espertos e os tablets dão uma ajuda aos comensais solitários dos dias de hoje, é certo. Mesmo assim, tenho dúvidas de que seja um momento absolutamente tranquilo e que a comida seja saboreada com verdadeiro prazer.

A conversa à mesa com colegas de trabalho, à hora de almoço, talvez seja aquilo de que sinto mais falta desde que passei a trabalhar em casa. E isto leva-me a outra situação que me deixa sempre hesitante: cozinhar só para mim ao almoço. Fazer comida só para nós encerra em si uma certa contradição, resumindo o ato de cozinhar à sua função mais básica e anulando aquela maravilhosa componente da partilha. Nos dias em que por questões de trabalho não posso ir almoçar a casa dos meus pais (em cuja mesa, desde que me conheço, cabe sempre mais um, seja filho, neto, ou amigo dos netos), tenho de fazer um esforço para não ir diretamente à prateleira dos cereais ou das papas que de vez em quando os meus rapazes ainda comem (acho que quem costuma almoçar sozinho em casa sabe do que falo).

Estas tostas foram feitas numa dessas ocasiões e podem ser preparadas em menos tempo, se a ‘tomatada’ for preparada de véspera. No dia é só aquecer, tratar do pão e escalfar os ovos. As quantidades da receita são para 4, porque dão uma boa entrada num almoço ou jantar ‘alargado’, onde vão saber ainda melhor.














PÃO COM TOMATADA E OVO ESCALFADO

4 ovos
4 fatias de pão saloio
4 colheres de sobremesa de queijo-creme
1 cebola
2 dentes de alho
½ pimento vermelho
2 tomates maduros
1 folha de louro
Azeite qb
Sal qb
Pimenta preta qb
Vinagre qb
Óregãos qb

Coloque um fio de azeite numa sertã e leve a saltear a cebola cortada em meias-luas, com os dentes de alho picados e a folha de louro. Deixe cozinhar cerca de 10 minutos - ou até a cebola ficar mole e translúcida - e junte o pimento partido em tiras finas. Deixe cozinhar mais 10 minutos e junte os tomates sem pele*, cortados em cubos pequenos. Tempere com sal e pimenta preta acabada de moer e deixe cozinhar tapado até o tomate estar bem desfeito, cerca de 10 minutos. Descarte a folha de louro e reserve.
Entretanto ligue o forno nos 180º. Parta as fatias de pão e leve ao forno num nível alto e na posição grill, entre 5 a 10 minutos ou até o pão estar estaladiço por fora, mas ainda relativamente fofo por dentro.
Para escalfar os ovos, leve um tacho com água ao lume com um fio de vinagre. Quando estiver a atingir o ponto de ebulição, baixe o lume – a água deve estar bem quente mas não a ferver. Parta um ovo para uma chávena pequena (ou para uma colher-medida, por exemplo) e deite-o dedicadamente na água. Repita com os outros ovos, se couberem todos ao mesmo tempo na panela, e deixe cozinhar cerca de 6 minutos. Retire-os com uma escumadeira e se não for para colocar logo no pão, reserve-os numa taça baixa com um pouco de água no fundo, para não colarem.
Para montar as tostas, barre cada uma delas com o queijo-creme. Coloque por cima uma porção da tomatada, tentando abrir uma covinha no meio. Coloque aí o ovo escalfado. Tempere com pimenta preta acabada de moer e orégãos. Repita com as restantes tostas. Sirva com uma salada verde.


*Para pelar os tomates, faça-lhes uma incisão em cruz na parte de baixo, coloque-os numa taça e cubra-os com água a ferver. Passados alguns minutos escorra a água e deixe arrefecê-los um pouco: a pele sairá facilmente com a ajuda de uma faca.

7 comentários:

Su M disse...

Oh o que eu adoro isto. Curiosamente, as refeições que cozinho para mim quando estou sozinha vão também tocar nos ovos e tomate :D

Miranda disse...

Interessante, durante o tempo em que trabalhei fora de casa sempre fiz de tudo para almoçar sózinha, para poder descansar a cabeça, fazer uma pausa comigo mesma. Nunca me senti desconfortável nem pouco á vontade nem fora da norma por estar sentada num restaurante ou área de alimentação sózinha, pelo contrário, para mim aquela horita era sagrada, era quando desligava o resto do mundo de mim. Só me apercebi de que deveria passar uma imagem estranha num dia em que uns colegas de trabalho me começaram a chamar para a mesa deles por estarem cheios de pena de mim ali a almoçar sózinha... e eu achei estranho foi da parte deles, depois de passarem quatro horas a "aturarem-se" sabendo que iriam passar mais quatro, ainda iam almoçar em bando, quando tudo o que a minha cabeça pedia era silêncio e sossego... mas sim, acho que realmente o problema aí deve ser mesmo meu, uma atitude normal será realmente o almoçar com os colegas ou com amigos, mas isso são outros 300. Percebo perfeitamente isso do ir ali á despensa e comer qualquer coisita, uns cereais e tal, antes de o meu filho entrar no básico nunca fazia almoço só para mim, e muitas vezes comia só uma sopa ou umas frutas ou lá está... cereais!!!
http://bloglairdutemps.blogspot.pt/

cozinha100segredos disse...

Essas tostas estão a chamar por mim!

Diogo Marques disse...

Sobreviver com um sorriso nos lábios! Uma delicia :)
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Diogo Marques
Blog: A culpa é das bolachas! | Facebook | Instagram
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Cozinhar sem Lactose disse...

Por acaso nunca tive dificuldade em comer sozinha ou fazer comida só para mim! Como vivi sozinha alguns anos, não tinha outro remédio. :-) Acho que o segredo é ter prazer na comida, mesmo quando falta essa parte da partilha. Para mim, cozinhar sempre foi um momento de relaxamento e comer o que preparei, uma espécie de prémio. Por isso não me importo nada de cozinhar só para mim! Essas tostas têm todo o ar de me agradar. :-)

Ondina Maria disse...

Como te percebo. Quando o Marco foi trabalhar para a cozinha de um restaurante e eu me vi sozinha a todos os jantares, comia sempre gelado com fruta - aliás, a situação foi inclusivé partilhada no blog pois foi o que me levou a ser sugar-free. Claro, assim não podia continuar. Fazer refeições apenas para um é muito gratificante, pois permite-nos comermos aquilo que gostamos. Há o problema das quantidades e o facto de algumas comidas não se justificarem apenas para um. Mas em dia sei que adoro cozinhar só para mim e que quase tudo se pode fazer em unidose (ou no meu caso, bidose, pois há que sobrar comida para o almoço do dia seguinte!)

Pitú disse...

Esta receita foi feita para mim! Adoro tudo o que leva pão e adoro ovos escalfados!!!! Mistura fabulosa :)