14.12.09

O Natal está no forno!







As minhas primeiras bolachas deste natal saíram do forno este fim-de-semana, para mimar duas grandes amigas e as suas pequenas e adoráveis princesas.
Desta vez peguei numa receita retirada de uma Blue Living antiga e gostei bastante do resultado, sobretudo porque se adaptou muito bem a esta versão lollipop.
A massa é muito fácil de fazer e as bolachas ficaram saborosas e estaladiças.
Na primeira fornada, para testar a receita, tive a ajuda do L. que, como sempre, adorou amassar, cortar as bolachinhas e comê-las mal saíam do forno, quase não tinham tempo de arrefecer!
A segunda fornada foi feita já a horas tardias, com direito a decoração colorida.
Fiz uma primeira experiência com chocolate branco derretido, mas depois fiz o glacé da receita, com água e açúcar em pó, a que juntei umas pinguinhas de limão.
Com chocolate branco ficam mais gulosas, mas com o glacé (nas fotos), ficam mais bonitas.

Bolachinhas de Natal*

300 g de farinha sem fermento
150 g de açúcar
150 g de manteiga
2 ovos

Glacé e Smarties para decorar

Pré-aquecer o forno nos 180º.
Colocar a farinha, o açúcar e os ovos numa taça.
Juntar a manteiga bastante amolecida
(derreter ligeiramente no microondas, por exemplo) e amassar com as mãos até obter uma massa uniforme e macia.
Dividir em duas porções, achatá-las em forma de disco, envolvê-las em película aderente e levar ao frigorífico durante meia hora. Retirar um disco de cada vez do frigorífico e, sobre a superfície de trabalho ligeiramente enfarinhada (ou sobre papel vegetal) esticar a massa com o rolo até ficar com cerca de 4 ou 5 mm de espessura. Fazer bolachas com os cortantes natalícios, transferi-las para um tabuleiro anti-aderente ou forrado com papel vegetal e introduzir-lhes um palito de espetada até pelo menos metade da bolacha (eu corto os palitos em altura, antes de aplicá-los, para que a 'bolacha chupa-chupa' fique com uma proporção equilibrada; o tamanho e o tipo de palito dependem dos cortantes que utilizar).
Levar ao forno durante cerca de 12 minutos ou até começarem a dourar à volta (mas não devem dourar por todo, convém que fiquem relativamente clarinhas).
Arrefecê-las preferencialmente sobre uma rede.
Proceder de igual modo com a restante massa.
Depois de frias, decorá-las com chocolate branco derretido ou glacé
(ver indicações a seguir) e smarties 'mini'.
Deixar secar durante a noite, de preferência em recipiente tapado para não amolecerem.

Glacé branco
Para decorar

125 g de açúcar em pó
Cerca de 5 colheres de sopa de água fria
Umas gotinhas de limão


Peneirar para uma taça o açúcar. Juntar a água aos poucos, mexendo bem, até atingir uma consistência densa, homogénea e brilhante. Espremer umas gotinhas de sumo de limão para aromatizar e cortar um pouco a doçura do glacé. Espalhar o glacé com uma colher de sobremesa, alisando a superfície com as costas da colher.
Decorar com smarties 'mini'. Deixar secar um pouco ao ar e depois acabar de secar em recipiente fechado para não amolecerem.
Demora várias horas a secar, por isso o melhor é decorá-las de véspera.

Embrulhar e oferecer :-)


*Não sei dizer ao certo para quantas bolachas dá esta dose de massa, depende bastante do tamanho dos cortantes. Com estas quantidades fiz as das fotos e ainda sobrou para cerca de 25 mais pequeninas.

8.12.09

Laranja e chocolate: o par perfeito.




Esta sobremesa costuma fazer sucesso cá em casa.
E quando a levo para casa de amigos, também.
Mas o mérito não é meu, é do Jamie.
É uma receita adaptada de uma tarte de ricotta e mascarpone do seu livro Jamie's Kitchen (aproveito para dizer que este é um dos dois livros dele que me faltam, não vá andar por aí algum Pai Natal com falta de ideias ;-).
Como lhe mudei a massa de base e simplifiquei também noutras coisas, prefiro chamar-lhe cheesecake de laranja e chocolate.
Um cheesecake perfeito para o Inverno.

Cheesecake de laranja e chocolate

1 pacote de bolacha Maria
80 g de manteiga amolecida

250 g de queijo ricotta (1 emb.)
250 g de queijo mascarpone (1 emb.)
125 g de açúcar em pó
Raspa de 3 laranjas
2 ovos, separados
100 g de bom chocolate de culinária, partido aos pedacinhos ou às lascas
(meia tablete)

Picar a bolacha, juntar a manteiga e forrar com esta mistura o fundo de uma tarteira ou forma de fundo amovível de cheesecake. Levar ao forno pré-aquecido nos 200º uns 8/10 minutos para "cozer" esta base, tornando-a mais crocante. Retirar, reservar e reduzir o forno para os 170º.
Numa taça, misturar os queijos, o açúcar, as gemas e as raspas de laranja. Bater as claras em castelo e juntá-las a este preparado. Verter sobre a base de bolacha. Cobrir toda a superfície da tarte com raspas ou pequenos pedacinhos de chocolate
e levar ao forno nos 170º durante 40-45 minutos. Deixar arrefecer e levar ao frigorífico pelo menos 1h e 30 m antes de servir. Decorar com tirinhas finas de casca de laranja.

5.12.09

Uma ida ao dentista que deu em risotto.



O que se faz enquanto se espera por uma consulta?
As respostas podem variar. Há quem aproveite para fazer telefonemas, para mandar mensagens, ler um livro....
Eu, como sou uma esquecida e nunca ponho o livro que ando a ler na carteira (ler 'na mala', se não for do norte), ou escrevo headlines e bodycopies para o dia seguinte, ou folheio as revistas disponíveis na sala de espera.
O que se pensarmos bem não é uma coisa muito higiénica, ainda por cima agora, com o vírus da gripe A a espalhar-se por tudo o que é sítio.
Mas pronto, agarrar numa revista foi um acto a que não consegui resistir na minha última visita ao dentista.
E ainda bem: ao folhear uma Happy de trás para a frente, dou de caras com várias receitas de risotto, acompanhadas de fotos bastante apetecíveis.
Peguei no meu Moleskine e apontei as receitas por alto.
A que mais me chamou a atenção foi a de risotto de tomate seco, uma vez que tinha em casa uma embalagem destes tomates e ainda não tinha decidido como lhes dar uso.
Estava encontrado o prato para o jantar.
E ainda que às vezes me pareça caricato ter ido buscar a inspiração a uma revista de consultório, tendo tantos livros de cozinha em casa, o que é certo é que ficou óptimo.
Em relação à receita original, apenas respeitei a quantidade de tomate e o uso do manjericão. Quanto aos restantes ingredientes, usei praticamente os mesmos e nas mesmas proporções que sigo noutros risottos.

Risotto de tomate seco

Para 2

160 g de risotto (usei arborio da marca Gallo)
50 g de tomate seco (usei da marca Seeberger)
2 dentes de alho
500 ml de caldo de aves quente
(ou um pouco menos se usar a água de hidratar o tomate)
1/2 copo de vinho branco
60 g de queijo parmesão ou a gosto
40 ml de azeite
6 folhinhas de manjericão + algumas para decorar
Sal qb

Hidratar os tomates numa tacinha com água a cobri-los. Levar ao lume um tacho com um fundo de azeite e o alho picado. Deixar o alho cozinhar um pouco em lume médio. Escorrer e picar o tomate, reservando a água. Juntar o tomate, mexer e passado menos de um minuto juntar o risotto, mexendo para envolver o tomate por todo. Adicionar o vinho branco e deixar evaporar. Aos poucos ir adicionando o caldo
(eu usei a água de hidratar o tomate, que ficou avermelhada e ajudou a dar cor e sabor ao arroz, para perfazer os 500 ml de líquido/caldo). Deve demorar cerca de 20 minutos a cozer, devendo ficar al dente. No final, juntar metade do parmesão, ralado na altura, temperar de sal, se achar necessário e juntar folhinhas de manjericão picadas. Levar à mesa mais parmesão e um ralador para que cada pessoa o adicione a gosto.

3.12.09

Algo doce, para variar.



Este blog estava a precisar de açúcar. Há muito que não aparecia nada doce por aqui, o que é uma falha grave, sendo eu tão gulosa e estando o Natal a chegar.
Ora aqui está uma óptima maneira de me redimir: uma tarte de chocolate e caramelo, adaptada do primeiro livro de Clotilde Dusoulier, de que já falei aqui. Não posso dizer que é a minha forma favorita de comer chocolate, mas é uma tarte especial, de facto, com um subtil e surpreendente recheio de 'caramelo de nata'. O meu homem grande, muito exigente em tudo o que diz respeito a comida, e muito especialmente no que toca ao chocolate, diz que é de comer e chorar por mais. Vamos lá confirmar?

Tarte de Chocolate e Caramelo

Para a base:

A base da receita original é de massa quebrada, mas eu simplifiquei e fiz uma base típica de cheesecake.

1 pacote de bolacha Maria
80 g de manteiga amolecida


Picar a bolacha, juntar a manteiga, amassar até formar uma areia grossa e húmida e forrar uma tarteira de 25 cm com esta mistura, calcando bem com os dedos
(fiz na Bimby: parti ao meio as bolachas e coloquei-as junto com a manteiga - à temperatura ambiente - no copo, Vel.4 cerca de 20 seg.*). Se o forno estiver ligado, aproveite e leve ao forno uns 10 minutos, para "prender" a base e tornar esta mais crocante. Se não estiver, não se justifica ligar o forno só para "cozer" a base de bolacha, uma vez que o resto da tarte não exige forno.

Para o recheio de caramelo:

90 g de açúcar amarelo
1 colher de sopa de mel de boa qualidade
1/2 colher de chá de flor de sal
80 g de natas para bater
(ainda que não sejam para bater, têm maior teor de gordura, por isso substituem melhor o double cream da receita original)
30 g de manteiga sem sal
1 colher de sopa de água


Medir e pesar todos os ingredientes. Num tachinho de fundo espesso, juntar o açúcar e a colher de sopa de água e manter em lume médio-baixo, até o açúcar ficar derretido. De vez em quando, inclinar ligeiramente o tachinho e com um movimento suave circular fazer com que o açúcar derreta por todo, mas sem cair na tentação de mexer (confesso que esta parte não é muito fácil para quem, como eu, não costuma fazer caramelo!). Assim que a mistura ficar homogénea e com uma cor bonita (se ficar escuro é sinal de que já esteve tempo demais ao lume e vai ficar amargo), juntar o mel e mexer para misturar bem. Juntar o sal e as natas, mexendo novamente. Retirar do lume, acrescentar a manteiga e mexer para que esta se misture uniformemente. Verter este creme na tarteira, por cima da base de bolacha. Deixar arrefecer um pouco e levar ao frio no mínimo 40 minutos.

Para a camada de chocolate:

280 g de chocolate de culinária de qualidade
240 g de natas para bater
(ainda que não sejam para bater, têm maior teor de gordura, por isso substituem melhor o double cream da receita original)

Partir o chocolate aos pedaços para uma taça, preferencialmente em inox. Levar ao lume as natas num tachinho de fundo espesso e deixá-las aquecer muito bem sem no entanto chegarem a ferver. Verter metade das natas sobre o chocolate. Tapar o tachinho para as restantes natas não arrefecerem. Esperar uns 20 segundos, para que as natas quentes contactem com o chocolate e misturar bem com uma vara de arames. Voltar a verter mais uma porção de natas e repetir o procedimento. Juntar as natas restantes, misturar bem, retirar a tarteira do frigorífico e verter esta ganache de chocolate sobre a camada de caramelo, espalhando bem por todo e alisando a superfície com uma espátula. Colocar de novo no frigorífico no mínimo 1 hora, antes de servir.

*Inicialmente, por lapso, tinha dado aqui a indicação de mais tempo e maior velocidade, o que deixaria a base de bolacha demasiado ligada!

27.11.09

Brincar com a comida.



Estes e outros brinquedos deliciosos, aqui.

25.11.09

Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.




Depois de uma primeira tentativa algo falhada, no último Verão, de fazer pão, eis que consigo presentear os mais novos da família com estes apetitosos pães de hambúrguer (ainda que na verdade não tenham ficado muito parecidos com pães de hambúrguer...).

A falha estival não teve tanto a ver com a massa mas com o forno. Também, quem é que me manda cozer o primeiro pão da minha vida num forno a lenha? Claro que não podia dar certo. Aliás, se conhecerem algum livro, blog ou site que fale dos segredos do forno a lenha, digam-me por favor! Na casa onde passo muitas vezes os fins-de-semana e as férias existe um e gostava de tirar partido deste privilégio.

Voltando ao pão. Sei que devo ser a única food blogger à face da terra que ainda não experimentou o no-knead bread ou a receita base do Artisan Bread, para não falar de outras receitas e versões mais clássicas. Não porque me falte a vontade. Mas porque me falta o tempo. Durante a semana praticamente não cozinho. Chego a estar fora de casa doze horas e o pouco tempo que resta tem de ser dedicado aos três homens cá de casa. Felizmente, tenho quem me cozinhe, e bem, todos os dias.
Daí que me resta o fim-de-semana - e não todos! - para transformar a cozinha em laboratório. E foi num destes últimos fins-de-semana, em que a casa ganhou três novos inquilinos temporários e com muito apetite - três sobrinhos em plena fase da adolescência - que resolvi fazer os pães que tinha visto no Webos Fritos - o blog da espanhola Su, cheio de receitas tentadoras.

Foram o ponto de partida para uma noite do hambúrguer muito animada, onde ninguém ralhou e todos tiveram razão. E onde até os hambúrgueres foram caseiros.


Pão de hambúrguer

Daqui, a partir daqui.

Para 8 pãezinhos

300 ml leite meio gordo
1 ovo
30 ml óleo de girassol
1 colher café de sal
550 g farinha "de fuerza"
(usei farinha T65)
1 pitada de açúcar
1 pacote de fermento de padeiro em pó
(usei Fermipan)
Sementes de sésamo

À mão:

Juntar o leite, o ovo batido, o óleo e o sal numa taça. Noutra taça juntar a farinha, o açúcar e o fermento em monte, tipo vulcão, e juntar aos poucos os líquidos a estes secos pelo "cume" do monte, até se formar uma massa. Retirar a massa e colocá-la num recipiente tapado a repousar durante pelo menos uma hora, para que dobre de volume. Passado este tempo, voltar a amassar para retirar o ar que a massa entretanto ganhou e formar oito pãezinhos arredondados. Deixá-los repousar por mais uma hora, para que cresçam. Pré-aquecer o forno nos 220°. Quando já tiverem dobrado o seu volume, pincelar os pães com água e polvilhá-los com as sementes de sésamo. Baixar o forno para os 200°. Pulverizar o interior do forno com água (esqueci-me e não pulverizei) e introduzir os pães que devem cozer cerca de 10-15 minutos ou até ficarem douradinhos.

Na Bimby:

Colocar no copo o leite, o ovo, o óleo e o sal. Programar 2 minutos a 37°, Vel.3. Juntar a farinha, o açúcar e o fermento e programar primeiro uns segundos na Vel. 3, e depois 5 minutos na Vel. Espiga.
Retirar a massa e colocá-la num recipiente tapado a repousar durante pelo menos uma hora, para que dobre de volume. Passado este tempo, voltar a amassar para retirar o ar que a massa entretanto ganhou e formar oito pãezinhos arredondados. Deixá-los repousar por mais uma hora, para que cresçam.
Pré-aquecer o forno nos 220°. Quando já tiverem dobrado o seu volume, pincelar os pães com água e polvilhá-los com as sementes de sésamo. Baixar o forno para os 200°. Pulverizar o interior do forno com água
(esqueci-me e não pulverizei) e introduzir os pães que devem cozer cerca de 10-15 minutos ou até ficarem douradinhos.

Sugestões da Su:

- Deixá-los bem separados no tabuleiro enquanto levedam porque crescem bastante.
- Ir vigiando o forno para que cozam uniformemente. Se for necessário, tapar com folha de alumínio nos últimos minutos de cozedura para que terminem de cozer sem queimar.
- Polvilhar abundantemente com as sementes porque há sempre algumas que ficam pelo caminho.
- Podem ser congelados ainda mornos ou conservados em película aderente.


E pronto, neste dia, de acordo com o dito antigo que li algures e que afirma que uma casa não é um lar até que nela se faça pão, a minha casa tornou-se oficialmente num :-).

21.11.09

Massa folhada, continuação.




Folhado de legumes, cogumelos e bacon

Com o que sobrou da massa do post anterior fiz este folhado, que serviu de jantar para mim e para o G., acompanhado de uma salada de alface, rúcula, couve-roxa, milho e rodelinhas finas de alho francês. Foi quase um jantar vegetariano, não fossem os cubinhos de bacon do recheio, que era essencialmente de legumes: cenoura, alho francês e cogumelos castanhos salteados em azeite e alho e o já referido bacon. Recheada a massa, pincelei-a com gema de ovo e salpiquei com sementes de sésamo. Foi ao forno pré-aquecido nos 180º cerca de 30 minutos.

Ficou uma delícia. Aqui notou-se claramente a diferença de sabor entre a massa folhada de compra e a caseira. E como a massa tinha repousado no frigorífico durante três dias, folhou mais do que nas tarteletes de queijo de cabra. A repetir!