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18.7.16

Havia um pessegueiro na ilha.
























Havia um pessegueiro na ilha. E havia o recanto na falésia, o azul do horizonte e o poente improvisado.
O Alentejo inspirou Rui Veloso. A fruta da época e a época das sobremesas frescas, que se partilham depois do peixe grelhado da canção, inspirou esta tarte.

Não são precisos ingredientes sofisticados e até o forno se pode suprimir. Se não houver forma de tarte, usam-se copinhos de iogurte e serve-se em doses individuais.
Esteja onde estiver, perto do mar ou em pleno interior, esta tarte vai saber-lhe a Verão. Basta acompanhar com uma banda sonora a gosto.

Texto e receita publicados no jornal Observador em Agosto de 2015.














TARTE FRESCA DE PÊSSEGO

1 pacote de bolacha maria
70 g de manteiga amolecida
350 g de pêssegos ou nectarinas maduros – pesados já descascados e descaroçados
120 g de açúcar 5 folhas de gelatina
1 pacote de natas para bater (mínimo 35% de gordura)
1/2 limão
Folhinhas de hortelã

Para decorar:
3 pêssegos ou nectarinas partidos aos cubos

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Pique a bolacha grosseiramente e junte a manteiga, envolvendo bem. Forre o fundo de uma forma amovível – 18 ou 20 cm de diâmetro – com esta mistura, pressionando com os dedos de forma a criar uma base compacta.
Leve ao forno cerca de 10 minutos. Retire e deixe arrefecer.
Entretanto coloque as folhas de gelatina a amolecer num prato fundo com água.
Triture a fruta com um fio de sumo de limão e o açúcar até obter um puré (se a fruta for especialmente doce, diminua ao açúcar).
Escorra as folhas de gelatina e derreta-as no micro-ondas (bastam alguns segundos na potência máxima; mexa o líquido que se formou para ter a certeza de que está bem dissolvida. Se não tiver micro-ondas, leve as folhas ao lume num tachinho, mexendo sempre até estarem bem dissolvidas).
Junte ao preparado da fruta misturando bem.
Monte as natas com a batedeira elétrica. Quando começarem a ficar firmes, adicione algumas gotas de limão, que vão ajudar a ‘prender’ as natas, e junte estas ao preparado anterior envolvendo com cuidado.
Verta para a forma entretanto arrefecida.
Tape com película aderente e leve ao frigorífico, idealmente de um dia para o outro.
Sirva decorado com pêssegos frescos, ou nectarinas, regados com um fio de limão para não oxidarem, e folhinhas de hortelã.

Nota: se não quiser ou puder usar forno, triture as bolachas (pode omitir a manteiga) e distribua por copinhos de vidro, encha depois com o preparado de pêssego e leve ao frigorífico. No momento de servir, distribua a fruta e a hortelã pelos copinhos.


5.7.16

A salicórnia, um livro e uma salada fresquinha.




Só recentemente dei conta de que esta receita tão especial não estava no blog!
Especial porque foi criada para ser inserida num livro sobre a gastronomia da Figueira da Foz, uma publicação da Divisão da Cultura da Câmara Municipal da Figueira, cujo convite para participar me deixou muito feliz e entusiasmada.

Na introdução da obra, escrita por Guida Cândido, mentora do projecto e também ela blogger de cozinha, pode ler-se: "Reunidas estão as receitas que se julga serem as mais fiéis à tradição do concelho. Receitas que passaram de boca em boca; receitas que ficaram registadas em cadernos de mercearia ou em diários mais elegantes em casas de família; receitas que foram cristalizadas em edições municipais a partir da segunda metade do século passado; referências que chegam de escritos bem mais antigos e que lembram as tradições das casas figueirenses e, finalmente, as receitas que hoje é possível ouvir das pessoas mais velhas. Ou de outras mais novas que aprenderam com mães e avós, que teimam em não deixar cair no esquecimento as afamadas papas de moado, ou as caldeiradas de enguias, ou achora dos homens da faina maior." (...) "No capítulo Velhos Produtos, novas receitas, os ingredientes são os mesmos de outros tempos mas vestem-se agora de outra forma. As receitas sugeridas resultam de uma generosa colaboração da comunidade virtual. Partindo dos foodblogers, que tanto têm contribuído para despertar o gosto e a curiosidade pela culinária e gastronomia junto do público em geral ou, mais especificamente, por aqueles que vêm na mesa um lugar central nas suas vivências, apelou-se à criação ou recriação de receitas que destacassem esses ingredientes. Eis que surge um conjunto de atrativas sugestões que respeitam a identidade do produto procurando, no entanto, corresponder à cozinha dos nossos dias."

À cozinha do Lume Brando chegou o desafio de usar salicórnia, esse ingrediente ainda tão desconhecido entre nós, apesar das populações da Figueira da Foz (e de outras zonas junto ao mar) a conhecerem há muito. A salicórnia cresce espontâneamente em ambientes salinos e outrora era vista como erva daninha. Faz lembrar espargos verdes e por isso é muitas vezes apelidada de 'espargos do mar' ou ainda de 'sal verde', pois dada a enorme concentração de sal que apresenta, poder ser usada como substituto do sal. Este foi, precisamente, o principal uso que lhe dei nesta salada fresca e sumarenta, mesmo a calhar para dias quentes como os que temos tido.

Se ficou com curiosidade e vontade de usar salicórnia, poderá adquiri-la aqui ou aqui (entre outros locais, suponho).

O livro pode ser adquirido em vários locais da Figueira: Museu Municipal Santos Rocha, Biblioteca Municipal, Núcleo Museológico do Sal, Núcleo Museológico do Mar, Posto de Turismo e Casa do Paço. Pode ainda ser enviado pelo correio. Informações através do email: arqfoto@cm-figfoz.pt


SALADA FRIA DE GAMBAS E CITRINOS COM SALICÓRNIA
Para 2, como entrada ou refeição leve

12 gambas cruas e descascadas
2 laranjas
1 toranja
1 limão
3 dentes de alho
30 ml de vinho branco
Azeite qb
Pimenta preta qb
Paprika qb
3 colheres de sopa de salicórnia fresca picada*
2 chávenas de rúcula
Nozes picadas grosseiramente para servir

Para a maionese:
90 g de óleo de girassol
30 g de azeite
1 ovo à temp. ambiente
1 colher de café de mostarda
Pimenta preta acabada de moer qb
2 colheres de sopa de salicórnia fresca picada* + um pouco para servir

Regue as gambas com sumo de limão. Coloque a salicórnia num almofariz e esmague-a  de forma a extrair os sucos salgados.
Numa sertã anti-aderente, coloque um bom fio de azeite e os alhos picados. Leve ao lume e assim que começarem a estalar e a ganhar um pouco de cor,  junte as gambas, a paprika e a salicórnia, juntamente com os sucos que tenham ficado no almofariz. Deixe cozinhar um pouco e refresque com o vinho branco. Tempere com pimenta preta acabada de moer e deixe cozinhar até as gambas estarem no ponto. Prove para ver se necessita de mais salicórnia e retifique os temperos. Retire do lume, deixe arrefecer e conserve depois no frio até ao momento de montar a salada.

Para fazer a maionese, comece por triturar no almofariz a salicórnia. Coloque no copo da varinha mágica o ovo, o óleo, o azeite, a mostarda, a pimenta preta e a salicórnia esmagada, juntamente com os sucos que tiverem ficado no almofariz. Coloque a varinha mágica no fundo do copo e, lentamente, vá emulsionando de baixo para cima, repetindo o movimento até a maionese estar uniforme e no ponto desejado. Confirme o ponto de sal e, se achar necessário, coloque mais um pouco de salicórnia ou sal marinho.

Antes de montar a salada, descasque a toranja e as laranjas e corte em gomos descartando as peles. Para servir, coloque numa taça as gambas intercaladas com os gomos de laranja e toranja, e verta por cima o molho que tiver sobrado de saltear as gambas. Espalhe algumas folhas de rúcula e nozes e sirva com a maionese ao lado, salpicada com um pouco de salicórnia.

*Como o teor de sal da salicórnia varia ao longo da época, estas quantidades devem ser encaradas apenas como uma referência.


21.6.16

Hello Summer!



Rapazes de férias, calor a mais, trabalho a acumular-se. Uma trilogia que me empurra para a cozinha na procura de outro três em um: entretê-los, refrescarmo-nos e traçar um plano B. Sim, porque o A — mantê-los sossegados, ter a casa fresca e conseguir despachar o trabalho — desapareceu tão depressa como os folhadinhos de salsicha nos lanches partilhados.

No momento de tirar as fotos, sinto que se calhar não foi assim tão boa ideia incluí-los como assistentes: queriam à força que os baldes de praia e as formas de plástico fizessem parte do cenário. Se fossem aquelas peças vintage, de lata, que às vezes aparecem nas feiras de velharias e antiguidades, aceitaria de bom grado, mas baldes riscados com asas partidas e formas desemparelhadas, lamento meus amores, mas não posso deixar que ganhem estatuto de props.
Tento disparar rapidamente e, pouco depois, os piratas têm direito ao seu tesouro gelado.
Dez minutos de paz fresquinha.

Falta muito para recomeçarem as aulas?


Texto e receita publicados no jornal Observador em junho de 2015.





GELADINHOS FÁCEIS DE CARAMELO E CHOCOLATE
Para 6
(a quantidade pode variar de acordo com o tamanho das formas)

3 iogurtes naturais tipo grego

180 g de doce de leite ou leite condensado cozido

150 g de chocolate de culinária

Avelãs qb


Numa taça, misture bem o doce de leite ou o leite condensado cozido com o iogurte, até obter um creme uniforme.
Distribua pelos moldes, insira os pauzinhos e leve ao congelador no mínimo oito horas (o ideal é fazer de um dia para o outro).

Um pouco antes de servir, prepare as avelãs: torre-as numa frigideira anti-aderente e retire-lhes a pele, embrulhando-as num pano limpo de cozinha e friccionando-o contra a bancada de trabalho. Pique-as grosseiramente e reserve.

Leve a derreter o chocolate em banho-maria e verta-o para um copo relativamente estreito, mas onde possa mergulhar os gelados.
Retire estes do congelador e dos moldes, mergulhe-os no chocolate derretido e salpique com as avelãs.
Deixe o chocolate endurecer e sirva.