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Say frittata!


















Há palavras de que gosto muito e outras de que não gosto nada.
Há palavras cómicas, há palavras leves, há outras pesadas e cinzentas, que ainda que os seus significados sejam inofensivos provocam-me calafrios.

Quando era pequena costumava associar cores às palavras, aos números e às letras. Por exemplo, o A para mim é branco, o E é amarelo, o I é vermelho, o O é castanho e o U é preto. Há por aí alguém com esta mania? Ou sou só eu que sou maluquinha ;)?

Isto para dizer que adoro a palavra 'frittata'. E apesar de ser uma palavra italiana, apetece-me dizê-la sempre com uma entoação asiática exagerada, bem ao estilo de Mr. Chow do filme "A Ressaca". Got the picture? Aposto que já estão a treinar aí desse lado, eheheh!

Não é novidade que os ovos são aquele ingrediente que melhor nos pode salvar de apuros, quando estamos com a despensa vazia, estamos sem inspiração ou sem grande vontade de cozinhar. Com eles facilmente criamos um prato saboroso e nutritivo. Como esta frittata. Mas a receita que vos trago é só uma ideia, sintam-se livres de fazer outras combinações, mais ao vosso gosto e ao que tiverem no frigorífico. Só têm de me prometer que vão dizer "frittataaaa"!















FRITTATA DE BATATA DOCE E AGRIÃO

(Para 4 pessoas como refeição leve ou para cerca de 6 pessoas como entrada)

1 batata doce grande
6 ovos
1 cebola
2 dentes de alho
50 g de bacon partido em cubos
1 chávena almoçadeira de agriões
1 folha de louro
Sal
Pimenta preta
Azeite
50 g de queijo feta ou queijo de cabra (opcional)
Salsa picada para servir (opcional)

Lave bem a batata doce e leve a cozer com pele num tacho com água abundante temperada com sal.
Numa sertã (idealmente daquelas que podem ir ao forno, como esta da Le Creuset), leve a saltear num fio de azeite a cebola e os alhos picados, juntamente com a folha de louro. A meio do processo junte os cubos de bacon e deixe cozinhar. Entretanto ligue o forno nos 200º.
Quando a batata doce estiver cozida, retirar da água para um prato. Assim que tiver arrefecido o suficiente para lhe poder retirar a pele, faça-o e junte a batata-doce à sertã, retirando antes a folha de louro. Não faz mal se a batata estiver bastante cozida, pode ficar uma espécie de puré. Envolva bem no salteado e tempere com pimenta preta acabada de moer e mais sal, se necessário.
Entretanto bata bem os ovos e tempere-os igualmente de sal e pimenta. Espalhe na sertã os agriões, os pedacinhos de queijo e por fim verta os ovos batidos. Com um garfo, pressione com cuidado os agriões, para ficarem cobertos pelo ovo.
Leve ao forno cerca de 20 minutos ou até os ovos estarem no ponto de que gosta, eu gosto que não cozam completamente...
Polvilhe com salsa picada, se tiver, e sirva com pão e salada.




Celebrar.



















Esta foi a minha primeira receita para a secção Lifestyle do jornal online Observador, publicada por altura do Dia dos Namorados. Uma colaboração que me tem dado bastante prazer e que espero que os leitores do jornal (e os fãs do blog) estejam a gostar de seguir.

E porque não há dia certo para festejar o amor ou para brindar às outras coisas boas da vida, aqui fica esta tarte de aspecto delicado mas de sabor intenso.

Claro que apesar de podermos e devermos viver todos os dias gratos e em clima de celebração, não vamos fazer esta tarte todos os dias, certo? 

[Achei que era melhor colocar aqui esta advertência, uma vez que parece que anda tudo doido com o açúcar, como se só agora se tivesse descoberto que consumido em excesso faz mal à saúde. Se a nossa dieta for equilibrada, dando clara prioridade aos legumes, às leguminosas e à fruta e evitando alimentos processados, podemos de vez em quando 'pecar' com uma fatia desta ou de outra tarte gulosa. Já agora, a propósito deste tema, gosto especialmente de uma frase de Michael Pollan, que é um dos seus princípios para uma alimentação correcta: "Não coma nada que a sua avó não reconhecesse como comida". Ora a minha avó Maria, que é a pessoa que eu conheci que melhor se soube alimentar - e viveu até aos 99 anos - nunca baniu o açúcar da sua dieta]

Se quiserem, como eu, usar saco pasteleiro para cobrir a tarte, certifiquem-se de que usam natas que ficam bem firmes depois de batidas; podem também usar natas vegetais (à venda em lojas de artigos para bolos) ou juntar Chantifix, omitindo neste caso o sumo de limão.



TARTE DE CHOCOLATE E CARAMELO

Para a massa
50 g de miolo de avelã moído
100 g de farinha de trigo sem fermento
10 g de açúcar baunilhado
40 de manteiga ou margarina fria
5-10 ml de água fria

Para a camada de chocolate
200 ml de natas para bater (mínimo 35% de gordura)
1 tablete de chocolate de culinária (200 g)

Para a camada de molho toffee
100 g de açúcar amarelo ou mascavado
125 g de natas para bater (mínimo 35% de gordura)
20 g de manteiga

Para a cobertura
180 g de natas para bater (mínimo 35% de gordura) bem frias
(mesmo depois de terem estado no frigorífico, pode colocá-las uns 15 minutos no congelador antes de batê-las para garantir um melhor resultado)
Algumas gotas de limão
230 g de leite condensado cozido


Pré-aqueça o forno nos 180º e comece por preparar a massa: junte todos os ingredientes numa taça, à exceção da água. Misture-os com as pontas dos dedos, formando uma base homogénea e junte, aos poucos, a água, amassando e vendo sempre se necessita de mais antes de acrescentar. Deve ficar uma massa macia. Passe as mãos por farinha, se for necessário, e forme uma bola. Divida esta em pedaços e espalhe-os pela forma de tarte que vai utilizar e, com a ajuda dos polegares, forre a forma, pressionando, esticando a massa e unindo os pedaços (é mais fácil do que parece; se usar o rolo, a massa vai partir-se). Coloque por cima papel vegetal, encha de feijão, arroz ou pesos próprios e leve ao forno cerca de 15 minutos, retire o papel vegetal e os pesos e volte a levar ao forno cerca de 10 minutos ou até achar que a massa está bem cozida e dourada. Retire do forno e dexe arrefecer completamente.

Entretanto, parta o chocolate em pedaços para uma taça de vidro, cerâmica ou metal e reserve. Leve as natas ao lume médio e, quando fervilharem, coe-as diretamente para a taça do chocolate. Espere uns 5 minutos e mexa bem com um batedor de varas, até obter um creme liso, espesso e brilhante. Deixe arrefecer um pouco e verta sobre a massa da tarte já fria.

Noutro tachinho leve ao lume todos os ingredientes para o molho toffee. Mexa, até a manteiga estar bem derretida e deixe ferver durante alguns minutos para engrossar um pouco (o açúcar mascavado carameliza mais rapidamente, deixe fervilhar apenas 5 minutos; se usar açúcar amarelo vai precisar de mais alguns minutos).
Deixe ficar morno e verta por cima da camada de chocolate. Leve ao frio.

Para a cobertura, bata as natas em chantilly firme (sem adicionar açúcar). A meio do processo junte umas pinguinhas de limão, vai ver que ajuda a ficarem mais espessas (também pode usar natas vegetais, das que se compram em lojas de artigos para bolos e pastelaria e que ficam bastante firmes).
Noutra taça, coloque o leite condensado cozido e mexa bem com um batedor de varas, desfazendo eventuais grumos e deixando-o bem cremoso. Com uma espátula, incorpore delicadamente as natas no leite condensado. Passe este creme para um saco munido de bico pasteleiro e cubra a tarte.
Leve ao frio antes de servir.



Para ver a publicação original, é só clicar aqui.


Um prato de Inverno nos primeiros dias de Primavera.



















Apesar de nos últimos dias a Primavera ter resolvido aparecer, a verdade é que ainda a semana passada andávamos a tiritar (eu, pelo menos, porque sou muito, mas mesmo muito friorenta), e o que apetecia eram pratos quentes e reconfortantes, como este 'cevadotto' de beterraba e laranja.

A primeira vez que comi 'cevadotto' foi na Casa de Pasto Palmeira. Era de gambas e era delicioso. Foi também a primeira vez que ouvi falar da 'cevadinha': o grão de cevada com que é feito o 'cevadotto', prato que vai buscar o nome ao facto de ser cozinhado à semelhança do risotto. Até aí, só associava a cevada às bebidas de pequeno-almoço e à cerveja.Vim a saber depois, que no tempo dos meus avós a cevadinha era muitas vezes adicionada à sopa.

Assim que encontrei 'cevadinha' - procurem-na em mercearias e lojas de sementes ou na secção de produtos saudáveis/alternativos dos hipermercados - experimentei fazer com camarão e fez sucesso cá em casa.
Já mais recentemente, fui almoçar ao LSD (cujo chef, na altura, ainda era o mesmo da Casa de Pasto Palmeira), e provei um 'cevadotto' de beterraba fenomenal.

Esta é a minha versão, inspirada também num risotto de beterraba que vi fazerem no MasterChef Austrália.
Beterraba, laranja e queijo de cabra... só pode ficar bom, certo?

Se por estes dias não vos apetecer este tipo de prato, ou já não encontrarem beterrabas, guardem a receita para dias mais frios: vão ver que vai valer a pena a espera ;)
















CEVADOTTO DE BETERRABA COM LARANJA E QUEIJO DE CABRA

Para 2

160 g de cevadinha*
1 beterraba
1 cenoura
1 molho de salsa
2 cebolas
4 dentes de alho
1 molho de salsa
1 folha de louro
1 talo de alho-francês
1 laranja - sumo e raspa
2 colheres e sopa de vinagre balsâmico
1/2 copo de vinho branco
1 queijo de cabra tipo Palhais (cerca de 125 g)
Azeite qb
Sal e pimenta preta acabada de moer

Lavar muito bem a beterraba e levar a cozer, com a casca, numa panela com bastante água, juntamente com uma cebola, a cenoura descascada, a folha de louro, a salsa, o talo de alho-francês, dois dentes de alho esmagados, sal, pimenta e um fio e azeite.
Quando a beterraba estiver bem cozida, retirar do caldo e deixar arrefecer antes de retirar a pele e cortar em cubos. Retirar eventuais impurezas do caldo, coar e reservar (deve perfazer cerca de 700 ml).

Entretanto, levar ao lume num fio de azeite uma cebola e dois dentes de alho bem picados. Deixar cozinhar um pouco e juntar a cevadinha. Adicionar o vinho branco e deixar evaporar. A partir daqui, vá juntando o caldo aos poucos, mexendo sempre, cerca de 20 minutos. Raspe uma laranja e reserve a raspa. Extraia o sumo da laranja e junte-lhe duas colheres de sopa de vinagre balsâmico. Se achar esta mistura muito ácida, junte-lhe uma colher de chá de açúcar. Adicione à panela e mexa bem. Deixe evaporar um pouco, veja se o grão já está no ponto de cozedura ideal - deve ficar al dente -  e junte mais caldo se necessário. Pouco tempo antes de atingir o ponto ideal, junte a beterraba em cubos e metade do queijo de cabra. Envolva bem e prove para retificar os temperos, adicionando por fim a maior parte da raspa da laranja. No total, deverá demorar cerca de 30 minutos a ficar no ponto.
Sirva com mais queijo de cabra por cima, polvilhado com raspa de laranja e pimenta preta acabada de moer.


*Há quem demolhe a cevadinha de véspera. Eu já experimentei e não notei que cozesse mais rápido...



A Primavera vai e volta sempre.



















A poucos dias de entrarmos oficialmente numa das minhas estações do ano favoritas, recordo-me da cantiga que a minha avó Maria tantas vezes cantarolava e cujo refrão dizia: "A Primavera vai e volta sempre, a mocidade vai e não volta mais".

A minha avó vivia a cantar. Cantava enquanto cozinhava, cantava enquanto costurava, cantava enquanto estendia ou apanhava a roupa da corda que ainda hoje existe no quintal dos meus pais.
Apesar de estar sempre a cantar, fazia-o de uma forma muito serena e tranquila. Lembro-me muitas vezes da sua calma (e penso como gostava de ter herdado essa característica), sobretudo naquelas alturas em que tropeço em contrariedades minúsculas, mas que, pelo menos durante alguns minutos, me parecem gigantescas.

Este bolo é para isso: um pretexto para fazermos uma pausa, para respirarmos fundo e desvalorizarmos os contratempos. Com uma fatia de um lado e uma chávena de chá do outro, fazemos tranquilamente uma viagem às coisas boas que já passaram e alinhavamos planos para o futuro. Porque mesmo que a letra da música o negasse, a minha avó sabia que a mocidade é um estado de espírito.



BOLO DE CITRINOS E PASSAS COM GLACÊ DE LIMÃO

Para o bolo:
120 g açúcar
3 ovos médios
85 g de farinha
10 g de fermento em pó
25 g de sumo de laranja + 1 pouco para demolhar as passas/sultanas
25 g de sumo de limão
25 g de azeite suave, óleo vegetal ou manteiga amolecida
Raspa de 1 laranja
1/2 chávena de uvas-passas e/ou sultanas
Vinho Moscatel qb

Para a calda:
Sumo de 1 laranja
Açúcar a gosto

Para a cobertura:
200 g de açúcar em pó
Sumo de 1 limão

Para a decoração:
Folhas de hortelã
Clara de ovo
Açúcar qb

Com algumas horas de antecedência coloque numa taça as passas e/ou sultanas e cubra com uma mistura de sumo de laranja e vinho moscatel. Também com alguma antecedência, lave as folhinhas de hortelã, seque-as bem em papel de cozinha, pincele-as com clara de ovo e passe-as por açúcar que colocou numa tacinha. Sacuda o excesso e deixe as folhas a secar sobre papel vegetal.

Entretanto ligue o forno nos 180º.
Unte bem uma forma pequena de buraco e polvilhe-a com farinha (este é um bolo relativamente pequeno, se quiser usar uma forma normal/média, dobre a receita).
Numa taça, junte os ovos, o açúcar, a raspa de laranja, o azeite (ou outra gordura escolhida), o sumo dos citrinos, a farinha e o fermento. Misture tudo, até ficar uma massa uniforme, mas não mexa em demasia. Retire as passas/sultanas da taça e seque-as com papel de cozinha. Envolva-as em farinha e junte-as à massa do bolo*. Verta a massa para a forma e leve a cozer cerca de 25-30 minutos. Faça o teste do palito antes de retirar o bolo do forno.

Para fazer a calda, junte ao sumo de laranja açúcar a gosto. Leve ao lume até o açúcar estar dissolvido. Verta com cuidado por cima do bolo. Se este já tiver arrefecido, pique-o com um palito antes de regar com a calda, para que esta se infiltre mais facilmente.
Passe o bolo para o prato de servir e deixe arrefecer completamente.

Para fazer o glacê, deite 150 g do açúcar em pó numa taça e vá juntando sumo de limão, mexendo energicamente com um batedor de varas. Deve ficar um creme brilhante, opaco e sem grumos, mas pode não precisar de usar o sumo todo. O açúcar em pó que colocou de lado pode servir para engrossar o glacê, caso ache que esteja líquido. Este glacé fica bastante ácido, se não apreciar, dilua o sumo de limão em água ou então use clara de ovo em vez do sumo. Quando atingir o ponto desejado, verter com cuidado sobre o bolo. Terminar com as folhas cristalizadas de hortelã.


*Supostamente, envolver as passas e as sultanas em farinha faz com que se prendam à massa e não desçam até ao fundo da forma. No meu caso não resultou e acabaram por ficar concentradas no topo do bolo. Para a próxima vou introduzir as passas ou as sultanas na massa já depois desta estar na forma.

Hoje há queques para o lanche.


















Quem tem filhos em idade escolar e precisa de lhes preparar lanches todos os dias, sabe que não é fácil quebrar-lhes a rotina. Os meus habituaram-se de tal forma ao pão com queijo ou fiambre + iogurte (a fruta fica para o pequeno-almoço e para o final das refeições), que sempre que lhes aceno com algo um bocadinho diferente torcem o nariz. Mas de vez em quando experimento receitas para ver se são do seu agrado, até porque nesta fase parecem estar sempre com fome! Fazem três lanches por dia, dois deles à tarde, e mesmo assim chegam à hora do jantar cheios de apetite e a fazer a mesma e invariável pergunta: "mãe, o que é o jantar?". Mesmo conhecendo a minha resposta mais frequente, que tantas vezes ouvi da minha mãe: "o jantar são línguas de perguntador." Rimo-nos e pronto: mesmo que o prato não seja um dos favoritos, já não reclamam tanto. Acho que tenho muita sorte com os meus piratas.

Estes queques não são para mandar na lancheira todos os dias, claro que não. São um mimo para de vez em quando e espero que venham a fazer parte das suas (boas) recordações de infância. Pelo menos, ficaram aprovados à primeira fornada. A receita é do livro 'Mãos à obra', da autora de um blog que sigo de forma fiel, o Saídos da Concha. A Constança Cabral, aka Concha, é uma inspiração para mim e suspirava pelo seu livro desde que saiu. No meu aniversário, um grupo de amigas atendeu aos meus desejos e, como vêem, já comecei a arregaçar as mangas ;)

















QUEQUES
(receita deste livro)

Fiz metade da receita original e rendeu-me 17 queques.
As quantidades que usei e os procedimentos que segui são os que coloco aqui.

250 g de açúcar
150 g de manteiga amolecida
6 ovos à temp. ambiente
150 ml de leite morno
250 g de farinha de trigo
1/2 colher de chá de fermento em pó

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Prepare as formas para queques, forrando-as com forminhas de papel ou cortando quadrados de papel vegetal (ficam bonitos com o papel vegetal, mas é bem mais prático usar formas de papel; concluí que a forma mais fácil de forrar as cavidades com o papel vegetal é amachucá-lo primeiro).
Bata bem o açúcar com a manteiga, até obter um creme esbranquiçado. Junte os ovos, um a um e continue a bater. Adicione o leite, mexa bem e por fim envolva a farinha e o fermento. Distribua pelas formas e leve a cozer cerca de 15 minutos (usei a função ventoinha, uma vez que coloquei dois tabuleiros no forno ao mesmo tempo e acho que assim o calor se distribui mais facilmente, mas o melhor é fazer o testo do palito, quando começarem a ficar dourados: se sair limpo, estão prontos. Retire das formas e coloque-os a arrefecer sobre uma grade.

P.S.: Esqueci-me de contar aqui no blog que estou a colaborar com o jornal Observador! De quinze em quinze dias é publicada uma receita nova saída da cozinha do Lume Brando. Vejam aqui a mais recente: minitartes de limão e framboesa.



Do meu tipo de pratos favoritos.


















Adoro um bom gratinado. Acho que é um exemplo maior da chamada comida de conforto.
E estamos em plena época dos gratinados, pois é uma forma deliciosa de utilizar os legumes de Inverno: a batata-doce, o nabo, a beterraba, a abóbora...

Tanto mais que, apesar do tempo ter espevitado durante o Carnaval, as temperaturas voltaram a baixar, chove lá fora e afinal o forno não é para deixar de usar tão cedo - na verdade, quem já me conhece, sabe que são poucos os dias no ano em que não o ligo, o mau tempo é só um argumento que ajuda a apaziguar a minha consciência relativamente ao gasto de energia!

Encarem este gratinado mais como uma sugestão do que uma receita, pois podem fazer imensas alterações, a começar pelos próprios legumes. Podem usar batata 'normal', podem omitir um ou mais legumes, podem usar natas em vez de leite (omitindo o queijo-creme), entre outras variações.

O importante é ficar bastante tempo no forno para os legumes ficarem bem macios e absorverem bem os sabores. Por motivos de 'logística familiar', tive de fotografar antes da cozedura ter terminado. Estas belezas voltaram para o forno depois da sessão fotográfica e foi aí que o gratinado ganhou a cor final, um dourado mais acastanhado, e a superfície crocante a contrastar com os legumes macios do interior.

Bom fim-de-semana!

















GRATINADO DE BETERRABA, NABO, BATATA-DOCE E CENOURA

(para 4 cocottes)

1 cenoura média
1 nabo médio
1 beterraba média
1 batata-doce média
300 ml de leite (usei magro, mas podem usar outro tipo)
1 colher de sopa de queijo-creme tipo Philadelphia
Queijo parmesão a gosto
Queijo cheddar a gosto
Sal qb
Pimenta preta qb
Tomilho seco qb
Noz-moscada qb
Manteiga qb

Ligue o forno nos 200º.
Descasque os legumes e, com a ajuda de uma mandolina, corte-os em rodelas o mais finas que conseguir, para taças diferentes.
Unte as cocottes com manteiga.
Junte o queijo-creme ao leite, tempere com um pouco de sal, noz-moscada e pimenta preta acabada de moer e mexa bem com uma vara de arames. Vão ficar alguns grumos de queijo, não se preocupe. Reserve.
Faça uma camada generosa de um dos legumes nas cocottes, rale um pouco de parmesão e cheddar diretamente para a cocotte e salpique com uma pitada de tomilho seco; faça nova camada de legumes, rale novamente um pouco de parmesão e cheddar, adicione mais um pouco de tomilho e assim sucessivamente até ter uma camada de cada legume, terminando com mais queijo ralado e tomilho (a minha última camada foi de beterraba).
Verta a mistura do leite só até cerca de metade de cada cocotte. Tape (se as suas cocotte não tiverem tampa, cubra-as com alumínio) e leve ao forno cerca de 25 minutos. Isto vai fazer aumentar o líquido e fazer com que o gratinado não seque demasiado na fase seguinte. Como pode escorrer algum líquido da cocotte, pode proteger o fundo do forno com um tabuleiro ou papel de alumínio. Destape e deixe cozer mais cerca de 30 minutos ou até estar bem dourado e ao introduzir uma faca sentir os legumes macios. Deixe repousar uns 10/15 minutos antes de servir, como entrada, acompanhado de uma salada de rúcula ou outras folhas verdes.


Combinação provável.


















Juntar chocolate e castanha em sobremesas não é nada de novo.
Ao mesmo tempo que escrevia este post, resolvi fazer o teste do google: em resposta às palavras-chave "chocolate e castanha" recebi "cerca de 519.000 resultados em 0,35 segundos".
E um resultado extra: a vontade imediata de experimentar mais receitas com esta dupla de peso.

Às vezes faço mousse de castanha e coloco raspas de chocolate negro por cima (um dia destes tenho de fotografar a receita e publicar no blog), outras vezes faço crepes com recheio de castanha e molho de chocolate, mas em bolo nunca tinha experimentado, à excepção de uma torta de chocolate recheada com um creme feito de natas e creme de castanha, delicioso, mas que se partiu e eu não consegui fotografar.

A semana passada o meu pai fez anos e não sabia que bolo fazer. Acho que já disse aqui que não ando muito virada para bolos de aniversário de chocolate, mas pensei que o mais certo era a família já ter saudades. Resolvi então fazer um bolo de chocolate - uma versão um pouco diferente desta receita - com recheio e cobertura novos. Fez sucesso e adorei a experiência de juntar o creme de castanha ao mascarpone: ficou um creme leve, pouco doce (o bolo é doce quanto baste) e permite usar o bico pasteleiro. Que mais podia desejar? Só um pouco de cacau em pó antes de servir!



BOLO DE CHOCOLATE COM RECHEIO DE CASTANHA E COBERTURA DE CASTANHA E MASCARPONE

2 chávenas* de açúcar amarelo
4 ovos
1 chávena de óleo vegetal (girassol, por exemplo)
1 chávena de água a ferver
1 colher de sopa de café solúvel (Nescafé, por exemplo)
1/2 chávena de chocolate em pó
1/2 chávena de cacau em pó
2 chávenas de farinha
2 colheres de chá de fermento em pó
+
1/2 chávena deste molho de chocolate diluído em água (opcional)
1 frasco de doce de castanha baunilhado Bonne Maman**
150 g de queijo mascarpone
Cacau em pó para servir

Pré-aqueça o forno nos 180º. Unte com manteiga e polvilhe com farinha duas formas redondas de 20 cm de diâmetro, forre-lhes o fundo com papel vegetal e unte/polvilhe o papel também.
Numa taça, bata bem o açúcar com os ovos e o óleo. Junte a água a ferver, mexa bem e junte o café em pó. Mexa bem e junte o chocolate e o cacau em pó. Quando estiverem bem dissolvidos, envolva a farinha e o fermento. Distribua pelas formas e leve ao forno cerca de 30 minutos ou até um palito sair seco do seu interior. Poderão abrir umas rachas à superfície, não se preocupe.
Retire do forno e deixe arrefecer bem.
Quando estiverem frios, coloque um dos bolos no prato de servir, pique-o com um palito e regue com um pouco deste molho, mas diluído num pouco de água - até ficar mais fluído - e depois aquecido e coado (este passo de regar os bolos é opcional, eu tenho sempre medo de que os bolos fiquem secos e normalmente adiciono-lhes calda, mas neste caso não é obrigatório).
Reserve 200 g de doce de castanha e use o restante para rechear, espalhando-o pela superfície do bolo. Coloque o outro bolo por cima, com a parte mais perfeita para cima (se quiser um resultado profissional, nivele os bolos retirando com uma faca os excessos de massa; eu não fiz isso). Pique também este bolo e regue com mais um pouco de molho (antes de começar a decorar/montar, talvez seja melhor colocar um pouco de papel vegetal debaixo do bolo, a toda a volta, para não sujar o prato; no final é só puxar os pedaços de papel vegetal e o prato estará limpo).
Junte ao mascarpone o creme de castanha  Mexa bem para conseguir um resultado uniforme. Reserve cerca de 3/4 de chávena para a decoração final e barre todo o bolo com o creme restante. Por fim, com um saco e bico pasteleiro em forma de estrela, faça os efeitos no topo do bolo. Polvilhe com cacau em pó antes de servir.

*Chávena-medida utilizada = 250 ml de capacidade

**Eu sou fã deste doce e acho que é daqueles casos em que não compensa fazer o doce em casa. Em todo o caso, podem experimentar fazer o doce de raiz com esta receita maravilhosa do blog Coco e Baunilha.