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Amor e café.






Segundo dados recolhidos na net, um casamento em Portugal dura em média cerca de 14 anos.
Num dos últimos domingos, tive o privilégio de participar numa festa em que se celebrou um número completamente fora da média: 50 anos de casados.

Tratou-se das Bodas de Ouro da minha tia Z. e o meu tio M.: uma festa muito bonita e cheia de detalhes ternurentos, preparada pelas filhas e pelos netos. Tenho um enorme carinho pelos meus tios "do Porto" e foi uma honra poder fazer-lhes o bolo de andares que vêem nas fotos.

Foi o meu maior desafio até agora, pois eram 60 os convidados. A decoração foi inspirada no bolo dos noivos de há 50 anos atrás, mas com a devida alusão a uma data tão valiosa.

Para agradar a todos os gostos, fiz três bolos diferentes: chocolate, noz e café. O de café era o do topo e incluí este sabor pois é um dos preferidos da tia. A receita é da Leonor de Sousa Bastos, e decidi-me a fazê-la depois de a ver replicada aqui.

Resultou muito bem (como era uma receita da LSB não tive medo de fazê-la pela primeira vez para o grande dia!) e atrevo-me a dizer que é um dos melhores bolos de café de sempre. Substituí o glacé da receita original por um creme básico de manteiga e café e fez-me lembrar uns bolinhos de uma casa de chá de Vila do Conde*, que eu adoro mas não como há anos...

Como na festa não tive oportunidade de fotografar o bolo aberto e como gostei realmente da receita, esta semana repeti-a para poder partilhá-la.

Porque tudo o que é bom deve ser partilhado.
Seja em forma de receita ou em forma de casamento longo e feliz. Se possível com muito café, para que nada nos escape pelo caminho...


*Ao Bom Doce: assim se chama a pastelaria de Vila do Conde, que perdeu o charme e a localização privilegiada de outros tempos, mas que julgo continuar a fazer aqueles doces maravilhosos, com os quais apenas conseguem rivalizar os petit fours da confeitaria Magariños, no Porto. Que saudades destes mimos! Tenho de tratar disso...




















Bolo de café (com recheio e cobertura de creme de manteiga e café)
Receita original aqui

Estas foram as quantidades e os ingredientes que usei, para um bolo pequeno redondo com 14 cm de diâmetro:

90 ml de café quente
1,5 colheres de sopa de café instantâneo em pó
120 g de farinha
5 g de fermento em pó
Uma pitada mínima de sal
85 g de manteiga amolecida (usei Vaqueiro)
1 ovo L
120 g de açúcar

Para o creme de manteiga e café:
220 g de açúcar em pó
80 g de manteiga ou margarina
3 colheres de sopa de café forte frio

Pré-aquecer o forno a 180º.
Forrar com papel vegetal duas formas redondas pequenas, untá-las com manteiga e polvilhá-las com farinha ou usar spray desmoldante.
Misturar o café com o café em pó e deixar dissolver bem. Reservar até arrefecer.
Peneirar para uma taça a farinha, o fermento e o sal.
Noutra taça, e com a batedeira eléctrica, bater a manteiga com o açúcar até ficar cremoso.
Adicionar a gema e voltar a bater até ligar.
Baixar a velocidade da batedeira para o mínimo e ir adicionando a farinha alternadamente com o café, terminando com a farinha.
Bater a clara em castelo e envolvê-la com cuidado ao preparado anterior.
Distribuir pelas duas formas e levar ao forno cerca de 20 minutos ou até um palito sair seco do seu interior.
Retirar do forno e deixar arrefecer um pouco. Com a ajuda de uma faca fina, descolar o bolo das laterais da forma e desenformar.
Deixar arrefecer bem antes de aplicar o creme de manteiga.

Entretanto, preparar o creme de manteiga e café:

Na Bimby ou com a batedeira eléctrica, bater muito bem a manteiga a velocidade baixa/média até ficar bem cremosa. Juntar aos poucos o açúcar, batendo sempre. Por último, juntar o café, bater mais um pouco e está pronto a aplicar.

Aromas, afectos e uma tarte de ameixas.










































Há uns tempos, a caixa do correio reservou-me uma surpresa.
Um postal dos CTT informava-me de que havia algo para eu ir levantar.
A letra enviesada do carteiro não me deu certezas quanto ao remetente, mas desconfiei que fosse algo vindo d'A Festa de Babette, esse blog tão simpático, cuidado e genuíno.

Um contentamento interior, difícil de explicar, levou-me o mais depressa possível aos correios, e sim: vinha da parte da Babette!

Dentro de um envelope com marcas de extravio, chegaram, intactos, dois sabonetes lindos, com um perfume delicioso, acompanhados de uma bonita mensagem da Babette.

Entre o Lume Brando e a Festa houve desde o início uma empatia mútua.
Os nossos blogs fizeram-nos chegar uma à outra e, post a post, fomos descobrindo gostos e interesses comuns e cozinhando uma amizade simples e despretensiosa. Mas ainda que um encontro para nos conhecermos pessoalmente tenha estado mais do que uma vez apalavrado, diversas circunstâncias das nossas rotinas agitadas foram impedindo que acontecesse.

Na Páscoa, decidi compensar os adiamentos sucessivos com um pequeno mimo, cujos detalhes podem ver aqui e aqui. E agora, completamente de surpresa, a Babette decidiu retribuir desta forma tão aromática!

Como sei que a Babette gosta de mesas cuidadas e gosta de receber os seus convidados com loiça e flores bonitas, juntei a este post a mesa cá de casa do passado domingo e a tarte improvisada que servi de sobremesa, feita com ameixas do quintal dos meus pais.

Uma forma de agradecer o seu gesto e de lhe dizer que ela é sempre bem-vinda à minha mesa.

Espero que gostes, Babette!

























Tarte tatin de ameixas

500 g de ameixas maduras descascadas e descaroçadas
40 g de manteiga
70 g de açúcar mascavado ou a gosto, de acordo com a acidez da fruta
1 base redonda de massa folhada

Levar ao lume numa sertã a manteiga e o açúcar.
Deixar dissolver e juntar a fruta.
Deixar cozinhar lentamente até espessar e caramelizar levemente.
Entretanto ligar o forno nos 180º.
Verter a fruta e os sucos sobre uma tarteira e tapar com a base de massa folhada.
Levar ao forno até a massa estar bem dourada e folhada, cerca de 35 minutos.
Retirar do forno, deixar arrefecer um pouco e virar com cuidado para um prato de servir.
Servir ainda morna com gelado de nata ou baunilha.

Mais perto do céu, parte II



Finalmente, os momentos mais apetitosos do fim-de-semana que passámos no Douro.

Logo no primeiro dia, e depois de um pequeno-almoço tardio, impunha-se a visita à adega, que vale a pena não só pelo evidente valor enológico, mas também pela componente arquitectónica.

A extensa prova no final da visita embalou-nos até à piscina, onde petiscámos queijos, pão, enchidos e, digamos, continuámos a prova ;)
E nem os miúdos reclamaram deste almoço leve e relaxado, que para eles incluiu sanduíches e limonada.

Dos jantares, também não nos podemos queixar: comida tradicional bem confeccionada e, claro, bom vinho a acompanhar. E houve uma sobremesa tão boa, que tentarei reproduzir em casa: carpaccio de laranja com redução de vinho do Porto e lascas de chocolate. Pena não haver registo fotográfico apresentável.

Mas a refeição mais especial destes dias foi, sem dúvida, o almoço na Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, onde já tínhamos estado o ano passado, e que agora dispõe de uma identidade e de uma filosofia próprias para o restaurante, baptizado de Conceitus.

As quatro últimas composições de imagens referem-se a esse repasto, onde houve não um, não dois, não três momentos vínicos... mas oito!
Em registo de prova, claro, que o caminho de volta apresentava muitas curvas...

Shot de melancia e gengibre, folhado de alheira em cama de grelos, infusão de videira para limpar o palato, bacalhau assado com batata gratinada (deliciosa!), crumble de frutos vermelhos com leite-creme de lúcia-lima e marshmallows caseiros... 

Que bem que se esteve ali debaixo da ramada, pela tarde fora, enquanto os miúdos se entretinham no providencial quarto das brincadeiras da quinta, mesmo ao nosso lado.

Nesse dia, Portugal venceria a Holanda, qualificando-se para os quartos-de-final do Europeu: mais uma coisa boa neste fim-de-semana memorável.


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