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19.9.12

Um livro, uma receita #26






























Os limoeiros do quintal dos meus pais são férteis praticamente todo o ano.
Uma benção da natureza particularmente apreciada pela filha, que os traz aos cestos cheios para casa.
Ainda assim, neste livro apetitoso da Isidora Popovic, criadora da marca inglesa Popina, a receita do bolo de limão com cobertura de chocolate branco não foi, de todo, a que mais me cativou. Mas na hora de escolher por onde começar, as taças de limões espalhadas pela cozinha falaram mais alto.

Costumo dizer que se vê logo se um bolo é bom ao provar a massa, antes de cozer. Mas ontem esta minha teoria sofreu um revés: o sumo e a raspa de dois limões para tão pouca quantidade dos restantes ingredientes obrigou-me a fazer uma careta quando provei a massa: demasiado ácida.

Lá o levei ao forno, entre a desilusão e uma certa esperança de que a cozedura e o chocolate branco da cobertura suavizassem esta sensação. E não é que no final, os sabores acabaram por se equilibrar?
A ganache de chocolate branco cortou com a acidez, contribuindo com uma doçura extra, e a sua suavidade garantiu um adequado contraste de texturas.

Com a confiança no livro restaurada, já só penso nas outras receitas que quero experimentar, a começar pelas lindas tartes de legumes assados. Até porque após um mês e meio de forno praticamente parado, há muitas saudades para cozer, assar, gratinar, tostar...







































Bolo de limão com cobertura de chocolate branco da Popina

65 g de manteiga sem sal à temperatura ambiente (usei com)
135 g de açúcar amarelo (usei mascavado claro)
2 ovos
135 g de farinha sem fermento
1,5 colheres de chá de fermento em pó
2 limões - raspa e sumo

Para a cobertura:
150 g de chocolate branco, mais algum para raspar e decorar
75 g de natas (para bater)

Pré-aquecer o forno a 170º com a função 'ventoinha' ligada (se o seu forno não tiver ventoinha, aumente a temperatura ou o tempo de cozedura).
Untar e forrar com papel vegetal, que também se unta, o fundo uma forma relativamente pequena (usei uma redonda de 18 cm).
Com a batedeira eléctrica, bater o açúcar com a manteiga.
Juntar os ovos e bater até ficar fofo e pálido.
Envolver com cuidado a farinha e o fermento.
Acrescentar por fim a raspa e o sumo dos limões.
Levar ao forno até ficar dourado e um palito sair praticamente seco (no meu forno demorou cerca de 35 minutos).

Para a cobertura, partir o chocolate em pedaços para uma taça. Levar as natas a levantar fervura e verter por cima do chocolate, esperar um minuto e mexer bem com um batedor de varas. Deixar arrefecer antes de usar ou levar ao frigorífico, depois de arrefecer um pouco, se quiser optar por uma cobertura mais densa e espessa. Decorar com raspas de chocolate branco.


12.4.12

Um livro, uma receita #25 (ou o elogio do Minho)































Na outra encarnação, devo ter nascido minhota.

No Minho, sinto-me em casa. E um dia gostava de lá viver. Numa quinta pequenina e rústica, com jardim e horta e uma cozinha enorme com uma grande janela em frente ao balcão, onde passaria largas horas a fazer bolos, biscoitos e pão e a experimentar receitas novas com os legumes acabados de apanhar.
Provavelmente esse dia nunca há-de chegar, mas o Minho é uma terra generosa, e por isso dá-me muito, mesmo não vivendo lá.

Gosto de tudo no Minho: das pessoas de sorriso aberto e com uma certa vaidade na sua origem; das feiras e romarias (viva a feira de Barcelos! viva a feira de Cerveira!); da zona litoral (com um fraquinho por Caminha, onde passo férias desde a adolescência), das vilas e cidades do interior; dos campos pequenos divididos com muros baixos de pedra, dos espigueiros, do artesanato (sobretudo da ourivesaria e dos bordados), da comida...

Esta paixão vem de família. Era ainda pequena e a minha mãe levou-me às costureiras e bordadeiras de Cardielos, para me fazerem um traje regional à medida. E mãe sensata manda fazer a roupa de forma a que dure muito tempo, por isso o fato 'de lavradeira' ainda me serve (digamos que também não saí alta nem espadaúda).
Adoro a camisa, o corpete, a algibeira em forma de coração, as chinelas...

Com o tempo, o Minho foi entrando na minha vida de outras formas: temporadas regulares em Caldelas, com as primas, a fazer companhia à nossa avó, que lá fazia tratamentos termais, universidade e primeiro emprego em Braga, colegas de trabalho, amigos, cunhada...

E foi na casa de Viana da minha cunhada, em Meixedo, que almoçámos esta segunda-feira de Páscoa. Um rico almoço temperado pelo sol e, como sempre, pela paisagem retemperadora, que incluiu a visita do compasso pascal e de músicos com gaitas de foles.

Quando cheguei a casa, apeteceu-me pegar neste livro, que folheio sempre que as saudades do Minho apertam. Queria escolher uma receita, queria fazer uma espécie de homenagem a esta região de Portugal que me diz tanto.
A Torta de Viana pareceu-me o desafio perfeito: será que o amor ao Minho me ajudará a enrolá-la na perfeição? É que no meu curriculum de home baker constam várias experiências falhadas neste domínio.

Se conhecem este livro ou outros livros desta colecção, sabem que as receitas são pouco detalhadas e muitas vezes descritas tal e qual como foram recolhidas. Nesta, por exemplo, não é referida a temperatura nem o tempo de forno. Guiei-me por outras fontes e pelo instinto e cheguei a bom porto (e dei saltinhos de alegria assim que vi que a torta não tinha rachado e estava bem enrolada).

Quando a provei, ficou aprovada: leve, saborosa (os ovos caseiros ajudaram), com a proporção ideal de açúcar para um bolo que se quer recheado com doce de ovos. Ou outra coisa boa, como compota ou chocolate. Sim, porque por enquanto não quero mais nenhuma receita de rolo e esta presta-se a várias versões.

Uma nota para o recheio de ovos: a descrição deste na receita é muito evasiva e como eu tinha doce de ovos no frigorífico já feito, aproveitei. É um doce de ovos muito versátil e fácil de fazer, que eu já publiquei algures no blog e aqui deixo novamente.

Um brinde ao Minho. De preferência, com Alvarinho ;)































Torta de Viana
(do livro Cozinha do Minho de Alfredo Saramago)


A receita original pede o dobro destas quantidades:


6 ovos, separados
Raspa de limão qb
125 g de açúcar
100 g de farinha sem fermento
Açúcar para polvilhar
Doce de ovos*


Pré-aquecer o forno nos 200º.
Forrar um tabuleiro (usei um com 36 x 24 cm) com papel vegetal e untar com manteiga ou spray desmoldante.
Bater bem as gemas com o açúcar e a raspa de limão (usei colher de pau e bati cerca de 5 minutos).
Bater as claras em castelo e envolvê-las na mistura das gemas.
Adicionar a farinha, envolver bem para que fique integrada na massa.
Verter sobre a forma, alisar e levar ao forno cerca de 14 minutos ou até o palito sair seco do seu interior (usar um palito fininho, para que o furo não se note depois, como aconteceu na minha!).
Desenformar sobre um pano de cozinha húmido e polvilhado com açúcar.
Retirar o papel vegetal com cuidado e barrar com o doce de ovos.
Aguardar uns 10 minutos e enrolar com a ajuda do pano.
Deixar que arrefeça mais um pouco, aparar as extremidades, se desejar, e passar para o prato de servir.

*Doce de ovos
(receita do chef Luís Francisco)


6 gemas + 1 ovo inteiro
250 g de açúcar
125 g de água
1 pedaço de casca de limão
1 pau de canela


Num tachinho,  levar ao lume a água, o açúcar e os aromatizantes (limão e canela).
Sem mexer, deixar levantar fervura. Quando começar a borbulhar (bolhas grandes em toda a superfície da calda), contar 3 minutos. Retirar do lume, descartar o limão e a canela e verter em fio sobre as gemas e o ovo previamente desfeitos numa taça de metal, mexendo sempre. Coar para o tacho e levar ao lume até engrossar, cerca de 10/15 minutos, mexendo sempre para não ganhar grumos e sem deixar ferver. Colocar num frasco, deixar arrefecer e conservar no frigorífico (dura várias semanas, se não meses!). Para a torta, usei um pouco menos de metade desta receita.

5.2.12

Um livro, uma receita #24









































À semelhança do que tem acontecido noutras cozinhas blogosféricas, também por aqui as laranjas e as tangerinas têm chegado com fartura.

A maior parte delas tem sido consumida ao natural ou em sumo, para ajudar a combater as maleitas da época, mas na quinta-feira passada, o meu pirata mais novo, retido em casa precisamente por uma gripe jeitosa, pediu-me para fazer queques.
Esta receita não é especificamente para queques, mas sim para bolo em formato rectangular, tipo bolo inglês, como podem ver na foto.

Quando folheei o livro, retirado um pouco à sorte da prateleira, gostei tanto da combinação de ingredientes, que decidi juntar a minha vontade de experimentá-la à solicitação do piratinha fanhoso.

Achei que ficaram muito bons, com uma casquinha crocante e um interior húmido qb. O açúcar mascavado escuro, juntamente com o mel e a laranja, originou um sabor rico e intenso, quando comparado com um queque de chocolate comum.

A repetir em breve, mas com a receita toda: desta vez fiz apenas metade e os seis queques souberam a pouco...

Queques de Chocolate e Laranja
(receita de Bolo de Chocolate e Laranja deste livro de Nigella Lawson)

Para cerca de 12
150 g de manteiga sem sal (usei com)
30 ml de mel de cana (usei de abelha)
175 g de açúcar mascavado escuro
160 g de farinha sem fermento
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
25 g de cacau peneirado
2 ovos
Raspa de 2 laranjas e sumo de 1

Pré-aquecer o forno nos 170º
Bater a manteiga com o mel e o açúcar até obter um creme (eu usei colher de pau, mas para a póxima uso a batedeira ou a Bimby).
Misturar os secos: a farinha, o cacau e o bicarbonato.
Juntar um pouco dos secos à mistura de manteiga e açúcar.
Juntar um ovo, de seguida os restantes secos, e o outro ovo.
Continue a bater, junte a raspa de laranja e por fim o sumo, de forma gradual.
Distribua a massa pelas formas de papel até cerca de 2/3.
Leve ao forno cerca de 30 minutos, mas vá confirmando com o palito: quando sair seco, estão prontos.

Se fizer em formato bolo, forre a forma com papel vegetal e aumente o tempo de cozedura para cerca de 45 minutos.

5.1.12

Um livro, uma receita #23 (desafio More Than Cookies)











































Coisas bonitas funcionam como inspiração para coisas boas.
Assim foi com os guardanapos apetitosos que me foram oferecidos pela More Than Cookies: uma loja online de loiça e acessórios de cozinha lindos de morrer (espreitem!), que desafiou o Lume Brando a participar na sua rubrica "Blogs Convidados".

Mal os vi e aos seus passarinhos cantores, decidi que faria outra estreia neste post: usaria este prato de pé azul-bebé, comprado recentemente. Já só faltava seleccionar a receita.

Andava a pensar nas diferentes possibilidades, e eis que recebo no Natal o livro da Hummingbird Bakery. A fonte, pelo menos, estava escolhida: o beija-flor desta confeitaria londrina tinha de vir fazer companhia ao resto do bando.

Depois de folhear várias vezes o livro e de me perder nas suas páginas, o eleito foi este bolo de café.
De sabor suave (usei menos café na massa do bolo do que na receita original), amanteigado qb, e com óptima textura, fica ainda mais guloso com a cobertura de baunilha e café.

Uma receita que, à semelhança das coisas bonitas da More Than Cookies, nos deixa sonhar acordados...


















Bolo de Café da Hummingbird
(fiz metade desta receita, à excepção da cobertura de baunilha)

Essência de café*
450 g de manteiga sem sal à temp. ambiente (usei com sal)
450 g de açúcar em pó
8 ovos
450 g de farinha sem fermento
2 colheres de sopa de fermento em pó
2 colheres de sopa de cacau em pó
1 dose de cobertura de baunilha**
60 g de chocolate preto raspado em lascas para decorar (usei de culinária)
Grãos de café para decorar (opcional - não usei)

*Para a essência de café:
2 colheres de sopa de café instantâneo em pó (usei Nescafé)
170 ml de água

*Para a cobertura de baunilha:
250 g de açúcar em pó
80 g de manteiga à temp. ambiente
25 ml de leite gordo (usei meio gordo)
Algumas gotas de essência de baunilha (usei extracto)
1 colher de sopa da essência de café

Juntar o café em pó à água numa caçarola e deixar levantar fervura em lume médio.
Deixar ferver até que o líquido tenha reduzido para metade e fique ligeiramente mais espesso. Deixe arrefecer.
Pré-aquecer o forno nos 170º.
Untar e polvilhar com farinha uma forma de buraco com cerca de 25 cm.
Numa taça, misturar a manteiga, o açúcar e a essência de café fria (reservando uma colher de sopa para o creme da cobertura) com a ajuda de uma batedeira eléctrica.
Adicionar os ovos, um a um.
Juntar a farinha, o fermento e o cacau e mexer bem até a massa estar bem ligada.
Verter para a forma e levar a cozer cerca de 40 minutos (no meu forno levou cerca de 50 m, o melhor é fazer o teste do palito).

Entretanto, preparar a cobertura: com uma batedeira ou num robot de cozinha, bater a manteiga e o açúcar até ficar um creme macio. Numa tacinha, misturar bem o leite, a baunilha e a essência de café e depois ir juntando esta mistura ao creme de manteiga, batendo em velocidade elevada cerca de 5 minutos.

Espalhar o creme por cima do bolo e finalizar com as raspas de chocolate.
Um bolo de lanche perfeito!

29.7.11

Um livro, uma receita #22 (ou uma pausa nos preparativos...)





Enquanto imagino layouts e faço pequenos trabalhos manuais, para que a minha sobrinha I. tenha na sua festa de aniversário uma mesa de sobremesas muito catita, preparo um bolo para gastar as pêras que trouxe do quintal dos meus pais.

Uma receita deste livro maravilhoso, ao qual muitos blogs e revistas já prestaram a mais do que justa homenagem.
Nigel Slater é considerado por muitos o melhor food writer inglês, e basta folhear os seus livros para perceber porquê.

Um bolo com travo a canela e caramelo, com um textura fofa e ao mesmo tempo ligeiramente húmida, muito, muito agradável. E acho que o podemos adaptar a várias frutas (já nesta experiência as pêras não se revelaram suficientes e juntei algumas maçãs).
Ontem servi-o ainda morno com uma bola de gelado de baunilha: um sucesso!



Bolo de pêras e canela
(receita de Nigel Slater, do livro Tender II)

750 g de pêras maduras
Sumo de meio limão
40 g de manteiga
3 colheres de sopa de açúcar mascavado
1/2 colher de chá de canela
+
200 g de manteiga
(usei apenas 170)
200 g de açúcar amarelo
3 ovos L ligeiramente batidos
200 g de farinha
1 colher de chá de fermento em pó


Pré-aquecer o forno nos 160º (eu usei 180º de temperatura).
Untar uma forma de fundo amovível anti-aderente ou forrá-la com papel vegetal e untar este.
Descascar as pêras e cortá-las em pequenos pedaços, colocando-as numa taça com água e sumo de meio limão. Reservar.
Levar ao lume a manteiga e o açúcar mascavado, deixar derreter e juntar a fruta entretanto escorrida.
Deixar cozinhar até caramelizar e os sucos derem origem a um xarope espesso. Pouco antes de terminar, juntar a canela (foi assim que fiz, embora o livro, por gralha, não diga qual o momento da adição da canela).
Preparar a massa do bolo: bater a manteiga com o açúcar até ficar esbranquiçado.
Juntar alternadamente os ovos e a farinha e o fermento.
Juntar a esta massa a fruta caramelizada, envolver e verter para a forma.
Levar ao forno retirar cerca de 45 minutos depois ou quando um palito sair seco do seu interior.

10.5.11

Um livro, uma receita #21






Um gratinado que há muito queria experimentar e me encheu as medidas.
Aromático, cheio de sabor, delicioso.

Mas se eu sou suspeita a falar, a prova de que vale mesmo a pena fazê-lo está na reacção "Mmmm... muito bom!" das minhas colegas de trabalho, ontem, quando lhes dei a provar as sobras, que foram o meu almoço.

Estou ansiosa por repeti-lo num dia especial, e assim mimar ainda mais gente com esta coisa boa.

E mortinha que chegue a Feira do Livro do Porto: uma boa ocasião para completar esta colecção de livros e trazer mais alguns que tenho andado a namorar.



Gratinado de Legumes com crosta de Ervas

(adaptado do livro "Cozinha Saudável")

3 batatas doces médias
3 cenouras médias

(a receita original inclui ainda batata normal)
150 ml de natas
150 ml de caldo de legumes
2 dentes de alho picados
1 chávena almoçadeira de pão ralado
(de preferência pão fresco ou do dia anterior ralado em casa)
1 colher de sopa de queijo parmesão
1 raminho pequeno de salsa
Tomilho seco qb

(na receita original, as ervas são Salva e Alecrim)
Manteiga para untar
Sal, se necessário


Pré-aquecer o forno nos 200º.
Untar um pirex quadrado com manteiga.
Descascar as cenouras e as batatas doces e cortá-las às rodelas.
Fazer uma camada de legumes, intercalando a batata com a cenoura e sobrepondo ligeiramente as rodelas.
Espalhar uma parte do alho picado e sal, se achar que o sal do caldo de legumes não é suficiente.
Fazer mais camadas como a descrita até acabarem os legumes.
Misturar o caldo com as natas e levar a aquecer.
Verter por cima dos legumes, certificando-se de que o líquido passa por todos.
Misturar o pão ralado com o parmesão, a salsa e o tomilho.
Espalhar o pão ralado pelos legumes.
Levar ao forno durante 1 hora ou até os legumes se mostrarem bem macios quando inserir uma faca.
Quando o pão ralado começar a ficar dourado, cobrir com papel de alumínio e retirá-lo um pouco antes do final para acabar de dourar e parte do líquido se evaporar.

Servir como acompanhamento de carne assada ou grelhada, ou então, acompanhar com uma salada de alface para uma refeição mais leve, como foi o caso.

20.10.10

Um livro, uma receita #20





Este livro foi a minha prenda do Dia da Mãe de 2007.
Em nome dos piolhos, o G. escreveu na primeira página que o objectivo era eu poder ter mais ideias para mimar a família. E ler isso dá-me sempre imenso prazer, ao contrário de muitas pessoas que conheço, que detestariam receber livros de cozinha, nomeadamente do marido, por acharem que isso significaria terem de cozinhar por obrigação.

Folheio-o muitas vezes. Está cheio de receitas realmente simples, rápidas e fáceis, como a capa promete. Imensas de frango, muitas de peixe e vegetarianas, inúmeras sugestões com massa e algumas sobremesas. Já me tinha inspirado algumas vezes, mas esta foi a primeira vez que segui uma receita mais 'à risca'.

No talho onde costumo ir, o senhor ficou algo hesitante quando lhe pedi que me picasse carne de frango, que a máquina não era a mais indicada e que não costumava fazê-lo. Mas depois de um vá lá persuasivo e da referência a uma receita especial, lá acedeu ao meu pedido.

O resultado, depois de acrescentados os restantes ingredientes, foram uns hambúrgueres suculentos e saborosos, que se portaram lindamente mesmo depois de congelados. Aconselho por isso a fazer-se uma grande quantidade de cada vez e a congelá-los já moldados e embalados individualmente em película aderente. Nas fotos não têm muito bom aspecto, mas posso garantir que são mesmo bons e até os miúdos adoraram (e nem sequer deram conta da cenoura e da cebola lá metida!)



Hambúrgueres de frango e queijo
Para 6/8 unidades

1 colher de sopa de óleo de girassol (usei azeite)
1 cebola picada
1 dente de alho esmagado ou picado

1/2 pimento vermelho (não tinha e usei 1 cenoura pequena ralada)
450 g de carne de frango picada (usei peito)
2 colheres de sopa de iogurte grego magro (usei natural normal)
50 g de pão fresco ralado grosseiramente, idealmente integral ou de mistura
1 colher de sopa de salsa picada ou outra erva.
50 g de queijo Cheshire esfarelado
(usei flamengo ralado grosseiramente)
Sal e pimenta a gosto

Levar ao lume num tacho ou frigideira o azeite com a cebola e o alho.
Deixar cozinhar por cerca de 5 minutos e juntar o pimento ou a cenoura
(se for cenoura deixar cozinhar mais alguns minutos).
Transferir para um taça, juntar a carne picada de frango, as migalhas finas de pão, a erva e o queijo. Temperar com sal e pimenta e moldar em pequenas bolas que depois se achatam formando os hambúrgueres.
Levar ao frigorífico cerca de 20 minutos antes de os grelhar no grill do forno: eu não os refrigerei e grelhei-os numa frigideira anti-aderente pincelada com azeite.
Quando cozinhei os congelados, deixei-os descongelar um pouco primeiro.

Servir no pão com alface e tomate ou no prato com uma boa salada
(que não foi o caso da salada da foto, que era uma singela salada de alface temperada com azeite e balsâmico).

8.9.10

Um livro, uma receita #19





Já falei aqui desta colecção de livros muito apetitosa, que comecei a fazer na Feira do Livro do Porto deste ano. Na altura comprei três, mas entretanto já tenho cinco...

Também já tinha partilhado aqui, como gosto do par 'laranja e chocolate'. Esta mousse estava por isso marcada desde que folheei o livro pela primeira vez.

Muito simples, perfeita para quem gosta de sabor forte a chocolate e não é nenhum exagero calórico: se por um lado leva natas (e imagino que possam ser light ou até de soja, apesar do livro não especificar e eu ter usado das 'normais'), por outro não leva açúcar nem manteiga.

Para a próxima, vou experimentar com o licor de laranja Grand Marnier, que a receita sugere. Deve ficar ainda mais potente!

Mousse de chocolate e laranja*

Para 4 (ou mais, dependendo das tacinhas)

175 g chocolate culinária em pedaços
100 ml de natas
Raspa de 1 laranja

2 colheres de sopa de licor Grand Marnier (não usei)
3 ovos separados
cacau em pó para polvilhar


Derreter o chocolate com as natas em banho-maria, mexendo até ficar bem dissolvido. Deixar arrefecer por cinco minutos e juntar a raspa de laranja e o licor.
Adicionar as gemas uma de cada vez.
Bater as claras em castelo e envolver com cuidado na mistura de chocolate.
Distribuir pelas tacinhas ou ramekins
(deu-me para cinco) e levar ao frigorífico durante 2 horas. Polvilhar com cacau em pó antes de servir (para a próxima vou tentar ainda outra finalização, talvez algo crocante e caramelizado para pôr por cima...)

*Esta não é a receita principal desta página do livro, mas antes uma variação que a autora sugere.

25.7.10

Um livro, uma receita #18





O bolo de aniversário do G.
Tinha de ser de chocolate.
Cá em casa, os bolos de chocolate funcionam por 'fases'.
Agora estamos na fase deste, uma receita que vem no livro da Leonor de Sousa Bastos, mais uma das aquisições na última Feira do Livro do Porto.
É já a terceira vez que o faço e desta feita em dose dupla: cozi dois e uni-os, com recheio igual à cobertura - ganache de chocolate.
Não há muito a dizer sobre ele, a não ser que é muito fácil de fazer e muito bom.
Ainda não experimentei muitas receitas da Leonor, mas o rigor que se nota no seu trabalho e a elegância das suas sugestões, fazem adivinhar que a qualidade e o sucesso estarão sempre garantidos...


Bolo de chocolate
(receita de Leonor de Sousa Bastos)

200 g chocolate negro 52% cacau (usei Nestlé)
200 g manteiga
5 ovos
150 g açúcar
1 pitada de sal
50 g amido de milho peneirado
(usei Maizena)

Para a ganache:
200 g chocolate 52% cacau (usei Nestlé)
50 g natas (como queria maior quantidade, para rechear, desta vez usei 100 g)
50 g manteiga amolecida

Pré-aquecer o forno a 180º. Untar uma forma redonda com manteiga e forrar o fundo com papel vegetal (untei também o papel).
Derreter o chocolate com a manteiga (usei o microondas).
Bater os ovos com o açúcar e o sal.
Juntar a mistura do chocolate à mistura de ovo, adicionar o amido de milho, envolvendo com cuidado e verter para forma e levar a cozer durante 20 a 22 minutos
(depende dos fornos mas a ideia é ficar pouco cozido no centro).
Retirar do forno e deixar arrefecer na forma.

Preparar a cobertura:
Picar o chocolate ou cortá-lo em lascas muito finas e reservá-lo numa taça resistente ao calor. Levar as natas ao lume até levantarem fervura e depois juntá-las aos poucos ao chocolate, mexendo com cuidado até este estar bem derretido. Juntar a manteiga e mexer até ficar homogéneo e brilhante (eu cobri o bolo directamente no prato, mas a Leonor sugere que se desenforme o dito sobre uma grade de pastelaria, que se espalhe aí a ganache e só depois se transfira o bolo para o prato de servir).

9.7.10

Um livro, uma receita #17





Este livro faz parte de uma colecção muito apetitosa das editoras DK/Civilização. Comprei este e ainda os volumes dedicados à Cozinha Vegetariana e ao Chocolate na última Feira do Livro do Porto, mas há muitos outros temas interessantes. E o preço até é simpático: 10 euros na Feira, 11 euros na Fnac, onde já os vi à venda.

Não se deixem enganar pelo formato pequeno dos livros, que poderia indiciar uma obra menor: as fotos são muito actuais e inspiradoras e as receitas prometem resultar. Um detalhe curioso é que não são 200 receitas mas sim o dobro, pois para cada receita o livro sugere uma versão alternativa.

Indecisa por que salada começar, o facto de me terem oferecido beterrabas (e courgetes amarelas, e couve roxa, e alface, e pepinos, e ovos, tudo caseiro!) iluminou a escolha.

Não sou particularmente fã de beterraba e nunca tinha cozinhado esta raiz, apesar do G. adorar o seu sabor "a terra". Mas agora que experimentei, estou tentada a incluí-la mais vezes nas ementas cá de casa. Esta salada resultou muito saborosa e sumarenta, e assumiu o papel principal no nosso jantar do último domingo.

Salada de beterraba e laranja
Para 2 pessoas como refeição leve ou 4 como acompanhamento

7 beterrabas pequenas (usei 3 médias)
1 colher de chá de sementes de cominhos (usei uma mistura óptima de sementes de cominhos e pimenta à venda na escola Segredos&Cozinha)
1 colher de sopa de vinagre de vinho tinto (usei de sidra)
2 laranjas (usei 3)
65 g de agriões (adicionei a olho)
75 g de queijo chèvre (usei Palhais Original)


Para o molho:
1 colher de sopa de mel
1 colher de chá de mostarda com sementes
(usei mostarda normal e misturei uma colher de café de sementes de mostarda)
1 1/2 colher de sopa de vinagre de vinho branco (usei de sidra)
3 colheres de sopa de azeite
Sal e pimenta
(não adicionei mais pimenta)

Pré-aquecer o forno nos 190º. Lavar e esfregar as beterrabas, aparar as extremidades, dispô-las num tabuleiro forrado com papel vegetal, envolvendo-as no vinagre e nos cominhos.
Levar a assar durante cerca de 30 m ou até uma faca penetrar facilmente na beterraba. Deixar as beterrabas arrefecer um pouco e, usando luvas de cozinha, esfregá-las e remover-lhes a pele, partindo-as em quartos ou em fatias grossas consoante o tamanho.
Descascar as laranjas e separá-las em gomos sem pele.
Misturar os ingredientes do molho.
Dispor a laranja numa taça, juntar a beterraba e os agriões, envolver no molho e esfarelar o queijo por cima. Já está!

6.7.10

Um livro, uma receita #16






Este é o mais recente do Jamie e foi uma surpresa do G., que o encomendou sem eu saber. Como sempre, é um livro com fotos inspiradoras, receitas apetecíveis e comentários do autor genuínos e ternurentos.

Desta vez, Jamie aborda no mesmo volume gastronomias de seis países diferentes - Espanha, Marrocos, Suécia, França, Grécia e Itália - resultado de viagens curtas e recentes a estes destinos, realizadas propositadamente para o livro.

França é a inspiração desta primeira receita que experimentei.
Ora aqui está algo que nunca tinha feito: uma espécie de risotto no forno, que tanto serve de acompanhamento como de prato principal vegetariano.

Ficou delicioso. Mesmo. Mas atenção: leva natas, queijo, caldo... digamos que não é uma receita para fraquinhos, nem para todos os dias. Perfeita para surpreender convidados num dia especial.

Gratinado de curgete e arroz
(para 6-8 pessoas como acompanhamento)

2 colheres de sopa de banha de pato (?) ou azeite (usei azeite)
3 cebolas às rodelas finas (usei 1 grande)
180 g de arroz basmati
7 curgetes medias partidas às rodelas finas (usei 2 curgetes amarelas grandes e achei suficiente)
500 ml de caldo de galinha ou de legumes (usei de galinha)
4 colheres de sopa de crème fraîche (usei natas)
150 g de queijo Emmental ou Cheddar ralados (usei Emmental)
Sal marinho e pimenta preta acabada de moer
Azeite para untar a assadeira

Pré-aquecer o forno nos 190º.
Colocar um tacho grande em lume brando, juntar o azeite e borrifar com água.
Quando estiver quente, adicionar as cebolas e deixar cozinhar até elas ficarem bem macias, aí uns 15/20 minutos.
Passar o arroz por água
(algo que fiz pela primeira vez: nunca lavo o arroz, seja lá de que tipo for) até a água sair limpa.
Quando a cebola estiver bem cozinhada e amarelada, juntar as curgetes e o arroz ao tacho, envolver e juntar o caldo bem quente.
Aumentar o lume e cozinhar por 5 minutos, mexendo de vez em quando.
A mistura deve estar relativamente solta no líquido, se necessário juntar um pouco mais de caldo.
Retirar do lume e juntar suavemente as natas e 100 g do queijo ralado.
Temperar de sal e pimenta preta. Provar e ajustar os temperos se for necessário.
Untar com azeite uma assadeira com cerca de 25 x 32 cm e verter nela o preparado, assegurando que o arroz se espalha por todo. Tentar que a maior parte das curgetes fiquem no topo, para ficar bonito e para manter o preparado com líquido até ao fim da cozedura.
Aqui fiz batota: cortei mais curgete e coloquei as rodelinhas no topo do preparado.
Polvilhar com o restante queijo e levar ao forno cerca de 40 minutos.
Servir idealmente com carne ou peixe grelhados e uma salada.


Apesar do aspecto entre as minhas fotos e a do livro diferirem bastante - o gratinado do livro está mais sequinho e por isso com melhor aspecto - em termos de sabor acredito que tenha ficado próximo do original. Estava muito bom e fez sucesso.

Ah! Esta receita também vem na revista Good Food de Junho.

5.7.10

Um livro, uma receita #15






Eis o meu primeiro livro de culinária.

Devia ter aí uns 8 ou 9 anos quando me foi oferecido.
Infelizmente, não me lembro quem foi essa alma visionária.
Nessa época não sonhava sequer que viria a gostar tanto de cozinha, nem poderia imaginar que um dia existiria esta plataforma extarordinária de partilha chamada blog, mas o bichinho já cá estava.

Lembro-me de ser pequena, de andar na primária (o que me custa dizer 1º ciclo!) e ir muitas vezes com o meu pai para o escritório. Enquanto ele trabalhava a sério, eu passava à máquina receitas de cozinha dos livros da minha mãe e da minha tia que vivia connosco.

Fiquei por isso radiante quando há uns meses o descobri em casa dos meus pais e o pude trazer para lhe dar o merecido lugar na minha colecção. Afinal, este foi o primeiro dos setenta e tal livros que se acotovelam nas prateleiras (e que ainda me sabem a pouco).

Tratando-se de uma adaptação, esta versão portuguesa é de Maria de Lourdes Modesto, o que o torna ainda mais especial. E não é que as receitas continuam bem apetitosas e actuais?

Trufas de chocolate

200 g chocolate em tablete
100 g açúcar em pó
(usei 75 g)
100 g manteiga amolecida (e não derretida!)
1 gema
50 g de cacau em pó
(usei menos, aí uns 35 g)

Derreter o chocolate em banho-maria.
Numa taça, juntar a manteiga com o açúcar, amassando bem com um garfo.
Juntar a gema e por fim o chocolate, já morno.
Se o creme estiver demasiado mole para moldar bolinhas, levar ao frigorífico durante uns 15 minutos.
Moldar bolinhas com ajuda de uma colher de chá e passar pelo cacau em pó.
Colocar em forminhas de papel e levar ao frigorífico cerca de 1 hora antes de servir.
Se estiverem muitas horas no frigorífico
(se sobrarem de um dia para o outro, por exemplo), retirar do frio uma meia hora antes de servir, se não estarão muito duras.

O resultado são uns bombons macios e de sabor intenso, perfeitos para servir com o café. Inicialmente esta empreitada ia ser feita a 6 mãos, com os meus rapazes pequenos a darem uma ajuda, mas ainda bem que trocaram a cozinha por uma sessão de pista de motos. É que não achei a massa muito fácil de moldar por mãos tão pequeninas...

11.4.10

Um livro, uma receita #14






O título deste post também podia ser "O melhor crumble de sempre".
Pelo menos para mim e para o G. Eu adoro crumbles, mas este está no topo do top. Para além do ananás (ou abacaxi) não ser das frutas mais óbvias num crumble, o facto de ser caramelizado antes de ir ao forno dá-lhe um sabor único, com o ácido da fruta a combinar de forma estupenda com o doce do açúcar mascavado.

Quanto ao livro, foi um presente da minha prima A., que carinhosamente mo comprou na Books for Cooks, numa das suas muitas idas a Londres, por altura do Natal.
A A. é uma fervorosa seguidora do Lume Brando e das minhas aventuras culinárias e por isso não podia esperar mais tempo para colocar aqui uma receita deste livro tão especial.

Especial por ter sido um presente inesperado da A.
Especial por ter sido comprado naquela livraria mítica para quem adora cozinha e livros sobre o tema.
E especial por ser de quem é: Clarissa Dickson Wright é uma das Two Fat Ladies: a intrépida dupla de chefs inglesas que, viajando na sua moto com sidecar, nos ensinava a cozinhar pratos deliciosos de uma forma muito própria e divertida, nos seus saudosos programas de televisão, de que aliás já falei aqui.

Crumble de ananás caramelizado

1 ananás grande ou 1 abacaxi
(das duas vezes que o fiz, usei abacaxi)
25 g de manteiga (usei Vaqueiro)
110 g de açúcar mascavado claro (light brown sugar)
225 g farinha sem fermento
110 g manteiga sem sal + um pouco para colocar por cima antes de ir ao forno (usei Vaqueiro)
75 g de açúcar fino (usei normal)
Água qb

Segundo a receita de Clarissa, pode substituir-se 1/2 ananás ou abacaxi por 6 bananas às rodelas ou o equivalente em maçãs.

Pré-aquecer o forno nos 190º.
Descascar o ananás, retirar-lhe o "talo" central e partir em pedaços.
Derreter os 25 g de manteiga num tacho ou frigideira de fundo espesso, adicionar o açúcar mascavado e um pouco de água
(cerca de meio copo) e deixar ferver até formar uma calda.
Juntar o ananás aos pedaços e deixar cozinhar até este ficar brilhante e caramelizado
(de uma forma cremosa, não em ponto de rebuçado!), o que deve demorar cerca de 20 minutos em lume médio.
Transferir o ananás para um prato de forno
(juntar a camada de bananas, se for caso disso) e verter por cima toda a calda/xarope. Não se intimidem com a quantidade de líquido, coloquem tudo no pirex, mesmo que achem que é calda a mais...
Numa taça, juntar a farinha peneirada, a restante manteiga aos pedaços e o açúcar, e amassar até ficar com aspecto de migalhas grossas.
Espalhar esta mistura por cima da fruta e distribuir por cima uns pedacinhos de manteiga.
Levar ao forno cerca de 45 minutos ou até estar bem dourado, com a fruta a borbulhar.

Clarissa sugere que se sirva com custard (espécie de leite creme) ou natas espessas, mas eu comi simples e não senti grande falta do acompanhamento. É delicioso morno, frio e até no dia seguinte continua crocante :-)