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Patê "Dá-me a receita já!"




Se há uma receita de sucesso infalível, em que toda a gente que come pela primeira vez fica rendida de imediato, é esta. Não me lembro de uma receita ter sido tantas vezes solicitada e transmitida. Tipo esquema de pirâmide, estão a ver? Porque quem prova uma vez, só pensa quando poderá repeti-la em casa e surpreender a família e os amigos. Chegou até mim através da minha prima L., que cozinha divinalmente, mas já lhe tinha sido dada por uma amiga que tinha uma prima que tinha uma tia que tinha uma amiga. Ou seja, o seu autor ou autora é desconhecido. Mas merecia um lugar no céu. Assim que experimentarem e comerem, vão perceber do que estou a falar. Vamos ao que é preciso:

Patê de forno de alho francês e bacon

• 1 pão grande para rechear
• Bacon (comprar uma daquelas porções embaladas, de 200g, e partir aos cubinhos)
• Alho francês (3 talos compridos pelo menos, sem a rama verde)
• Maionese (gosto da Hellmans/Vianeza - a quantidade depende da quantidade dos restantes ingredientes, mas 1 frasco dos pequenos deve chegar)
• Mistura de queijos ralados para gratinar (Ex.: “4 queijos” Dia ou “3 queijos” Président - comprar um pacote e juntar a gosto)
• 1 molho de coentros frescos picados (opcional)
• Tostinhas para acompanhar

Num tacho ou frigideira anti-aderente, juntar o bacon em cubinhos com o alho francês partido às rodelas finas. Deixar cozinhar bem, até o alho francês ficar bem macio e transparente. É preciso bastante alho francês, pois vai reduzir imenso de volume. Deixar arrefecer (se for para levar de imediato ao forno e servir, não é preciso arrefecer). Quando estiver frio, juntar a maionese e o queijo ralado, de forma a obter-se uma pasta cremosa. Juntar nesta altura os coentros, se for caso disso.
Abrir uma tampa no pão e retirar-lhe o miolo. Rechear o pão com o preparado e levar ao forno quente cerca de 20/25 minutos ou até o queijo estar derretido e o patê gratinado (pode ir com a tampa, para não queimar por cima). Podem levar-se também ao forno os pedaços de miolo de pão e usá-los como tostinhas. Servir de seguida
.

É ideal para lanches, festas e dias especiais, com muita gente lá em casa. No dia em que o fizerem e servirem, preparem com alguma antecedência cópias com a receita: vai ser impossível não a implorarem!

Bom gosto no Porto.


Depois do vinho e da sua essência, eis que chega à Invicta um evento dedicado à comida. Claro que já havia o Festival da Francesinha, mas este porto.come promete ser mais abrangente no prato e menos abrangente no público. A decorrer no edifício da Alfândega do Porto de 2 a 10 de Maio é, segundo os organizadores "um grande evento Gastronómico, de promoção dos Sabores do Norte de Portugal e da Galiza e, em especial, do muito rico receituário portuense". Workhops, degustações, apresentação e venda de produtos gourmet, show cooking, jantares especiais e muita animação fazem parte da ementa. Vinte e seis restaurantes da cidade também se juntaram à iniciativa e desde o dia 26 de Abril até 10 de Maio integram a Rota do Gosto, disponibilizando um prato especial, inspirado na cozinha duriense e nortenha, por metade do preço médio da carta. Vamos?

Um livro, uma receita #2




Um dos meus livros preferidos. Pelas fotos, pela apresentação em geral e claro, pelas receitas. Doces (bolos, queques, bolachas, tartes...) e salgados (folhados diversos, pão, pizzas...). Tudo feito no forno, e tudo com óptimo aspecto. Já tenho este livro há algum tempo e nunca tinha experimentado nada. Sempre que não faltava a vontade, faltava um ou outro ingrediente. Mas esta tarte de maçã, como no próprio texto diz, é óptima para iniciados, por isso resolvi arriscar. Conclusão: aprovadíssima. Muito fácil de fazer e ainda mais fácil de comer, acompanhada de uma bola de gelado de nata. Fi-la no sábado. Mas no domingo soube ainda melhor.




Tarte crumble de maçã

Para a base e cobertura crocante de amêndoa:

1 chávena e meia de farinha (usei como medida uma com cerca de 230 ml de capacidade, isto das chávenas serem a medida ainda me deixa um bocado confusa!)
1 chávena + 2 colheres de sopa de miolo de amêndoa moído (ralei finamente na 1,2,3)
Meia chávena + 2 colheres de sopa de açúcar
3/4 chávena de manteiga sem sal à temperatura ambiente (tive que pôr mais um pouco, isto das chávenas...)
(usei Vaqueiro normal, com sal)
1/4 de colher de chá de sal (não usei)

Numa taça grande, misturar a farinha, a amêndoa, o açúcar e o sal. Adicionar a manteiga aos pedaços e juntar tudo apertando a massa com as mãos até atingir a consistência de crumble (migalhas). Se não se usar de imediato pode ir ao frio, tapada, até à sua utilização.

Para o recheio:

Cerca de 600 g de maçãs (podem ser diversas variedades) descascadas e partidas às fatias não muito finas (eu por acaso gosto delas mais para o fino, pois cozem melhor e ficam mais macias)
Sumo de 1 limão - cerca de 2 colheres de sopa
1/3 de chávena de açúcar
3/4 de colher de chá de canela em pó (pus a olho, quem consegue usar a colher para medir isto?!)
1/4 de colher de chá de noz moscada ralada na altura (idem aspas)
2 colheres de sopa de manteiga sem sal em pedacinhos (usei Vaqueiro)
1/4 colher de sopa de sal (não adicionei)

Pré-aquecer o forno nos 180º. Pegar num pouco mais de metade da massa e forrar o fundo e os lados de uma tarteira (de 22,5 cm de diâmetro), pressionando bem. Levar ao frigorífico 15 min. Numa taça, juntar às maçãs o sumo de limão, a canela, o sal, o açúcar e a noz moscada.Envolver bem e verter sobre a massa da tarteira, organizando com as mãos as camadas de maçã. Espalhar os pedacinhos de manteiga por cima e cobrir com a restante massa. Levar ao forno, rodando a tarteira a meio da cozedura, até a cobertura ficar dourada e os sucos estarem a borbulhar, cerca de 1 h. Transferir para uma grade para arrefecer completamente (como não tenho grade própria para bolos, decidir usar a grade que vinha incluída numa assadeira metálica comprada no Ikea).

Cozinha trendy.



Depois de identificadas as tendências para 2009 ao nível da alimentação em geral, o Food Channel mostra-nos as 10 principais tendências para este ano no que às sobremesas diz respeito. A seguir por quem não gosta de estar out na cozinha.

A propósito dos soufflés.



Este é muitas vezes o jantar cá em casa. Um favorito de grandes e pequenos. Lembrava-me de ter visto uma vez numa Teleculinária uma receita deste género. Um dia, na impossibilidade de encontrar rapidamente o exemplar em questão, nas caixas que se amontoam no escritório cheias de revistas, precisei de me apoiar na memória. E desde aí uso esta fórmula, nem sempre seguida à risca, pois depende das quantidades dos ingredientes que tiver na altura. As fotos já mostram o soufflé (do francês souffler que significa "soprar") abatido, mas o certo é que os meus nunca chegam a crescer muito. Agora que tenho o livro de que falei no post anterior, talvez comece a dominar melhor a técnica. Em todo o caso, o soufflé é aquele prato que nunca deve esperar pelos convivas, mas sim ao contrário. Por causa disto, o famoso chef francês Escoffier (1846-1935), num jantar de gala com um longo menu, como não sabia a hora certa a que iria servir o soufflé, foi cozendo sucessivamente soufflés até uma das fornadas poder ser levada rapidamente para a mesa. Em casa, não precisamos de ser tão rigorosos. Pode perder-se um pouco no efeito visual e na textura, mas acho que o sabor supera qualquer falha na conciliação dos tempos de cozedura e serviço.

Soufflé de peixe

Para 4

3 lombinhos de pescada congelados
1 cebola grande
2 cenouras médias/grandes
3 dentes de alho
6 ovos
Azeite
Farinha
Leite
sal, pimenta e noz moscada

Fazer um refogado com a cebola e o alho picado, juntar a cenoura ralada (quanto mais cenoura mais saboroso fica) e deixar ganhar uma ‘corzinha’. Juntar os lombos de pescada e deixar cozer, até se desfazerem. Temperar com sal. Juntar um pouco de farinha e depois leite para o preparado ganhar uma consistência cremosa, tipo bechamel. Temperar com pimenta preta e noz moscada moídas na altura. Juntar as gemas, deixar cozinhar um pouco. Rectificar os temperos e retirar do lume. Bater as claras em castelo e envolver no preparado anterior, Verter para um pirex untado com manteiga (alto, de preferência) e levar ao forno pré-aquecido nos 190º durante cerca de 35 minutos. Servir de imediato com salada de alface e rúcula, por exemplo.

Mais um.




Eis o mais recente ocupante da secção Culinária da biblioteca cá de casa. É um livro americano de pequenas dimensões, só de soufflés. Escrito a dois, um dos seus autores é Ann Amernick, uma chef reputada e premiada, especialista em pastelaria e sócia de um restaurante em Washington, que trabalhou na Casa Branca e em vários restaurantes conceituados da cidade. Depois de uma introdução a este tipo de confecção, com conselhos e referência aos utensílios indispensáveis, o livro divide as receitas em soufflés salgados, doces e frios, com o último capítulo dedicado às preparações complementares: crepes, massas de tarte, bolos e coberturas que fazem parte de alguns soufflés. Graficamente o livro é bastante clássico, parece até mais antigo do que é. Editado em 1989, parece saído de uma colecção dos anos 50, páginas interiores incluídas - sem fotografias, apenas com umas ilustrações esporádicas. No entanto, o texto introdutório e as próprias receitas parecem conseguir amenizar o seu aspecto algo antiquado e a incerteza do resultado final. Mas o dado mais curioso sobre este exemplar da pequena bíblia dos soufflés, é que ele está autografado pela co-autora e foi um presente. Ele há sogras fantásticas, não há?

Um livro, uma receita #1





Este livro vale por dois. Recebi-o duas vezes no mesmo aniversário. Como tinha de trocar um deles, teve de ser o que não recebeu as dedicatórias carinhosas da minha sobrinhada (sorry S., mas não te preocupes que eu troquei por outro livro de cozinha :-). Tem fotografias lindas de morrer, autêntico banco de imagens, e as receitas, pela descrição, são mesmo simples e fáceis de fazer, aparecendo divididas pelo tempo que demoram a confeccionar (10, 20 e 30 minutos). O livro apresenta ainda uma secção de 'pratos rápidos + acompanhamentos', uma de básicos (molho de tomate, massas de pão, de tarte, polmes, caldos, etc.) e um glossário. O único senão são alguns ingredientes menos comuns. Faz-me lembrar o livro da Mafalda Pinto Leite, ou melhor, o livro da Mafalda faz-me lembrar este uma vez que o dela é mais recente. Julgo, no entanto, que este "Cozinha rápida para saborear devagar" acaba por resultar melhor do que o "Cozinha para quem não tem tempo", que é algo massudo e não apresenta fotos para todas as receitas. Mas vamos à receita seleccionada, testada no último domingo à noite. Em minha casa ao domingo não se janta. Mas come-se. Algo simples mas reconfortante que nos ajude a esquecer por breves momentos o regresso à rotina no dia seguinte. No domingo de manhã, ao passar os olhos pelo livro, tinha dado com uma receita em que nunca tinha reparado antes: Ovos no forno. Pareceu-me perfeita para terminar o fim-de-semana. E assim foi. Para a próxima só tenho de deixar os ovos menos tempo no forno, para que a gema assuma toda a sua volúpia e se funda ainda mais com os espinafres, depois de furada com uma torrada estaladiça barrada com manteiga...


Ovos no forno

Espinafres
Ovos
Sal, pimenta preta, azeite e alho qb
Torradas com manteiga para acompanhar

Cozer os espinafres (eu salteei-os em azeite e alho e temperei-os com um pouco de sal. Como ganharam líquido, escorri-os e voltei a levá-los ao lume para apurarem). Forrar as taças com os espinafres, fazendo uma 'cama' no centro (para duas taças gastei uma embalagem inteira de espinafres já lavados). Temperar com sal e pimenta esmagada (não usei) e partir os ovos para dentro das taças. Levar ao forno pré-aquecido nos 180º, durante 12 a 16 minutos (aconselho a retirá-los mal a clara tenha coagulado). Servir com tostas quentes barradas com manteiga. Pode adicionar-se cogumelos salteados ou fatias de queijo Cheddar.

Livros de comer.



Eu adoro livros de cozinha. Não sei até do que gosto mais, se de cozinhar, se de folhear os livros e apenas sonhar com o dia em que terei o tempo e a disposição necessários para concretizar e provar os pratos que mentalmente vou seleccionando. Tenho dezenas de livros e continuo uma eterna insatisfeita, com vários títulos em lista de espera. Uma das coisas que mais gosto nos meus livros é que praticamente todos eles foram presentes. Assim, cada um deles tem uma história e um gostinho especial e sempre que lhes pego lembro-me de quem mos ofereceu. E qualquer ocasião é boa para demorar os olhos nas suas páginas. O meu momento preferido talvez seja quando levo um ou dois exemplares de que já tenho algumas saudades para a mesa, para me acompanharem ao pequeno-almoço aos fins-de-semana. É uma espécie de ritual. Só uma espécie, porque os meus dois piratas madrugadores fazem tudo para retirar à ocasião a tranquilidade, a concentração e o silêncio típicos de um ritual. Muitas vezes consulto os livros sem qualquer objectivo definido, apenas pelo prazer de ver as receitas e os conselhos de quem os escreveu, retendo uma ou outra dica. Outras vezes vou à procura de inspiração para as refeições desses dias. Quase sempre, acaba tudo de novo na estante, à espera de mais tempo, de menos solicitações dos bichinhos carpinteiros e de uma maior vontade de arriscar. Mas agora que retomei o blogue, achei que tinha de fazer um esforço para passar da teoria à prática. Até porque tenho de começar a arranjar argumentos de peso para convencer o meu rapaz grande de que, mais tarde ou mais cedo, vou precisar de novas prateleiras na cozinha e a desculpa "faço colecção" já não chega. Por isso decidi iniciar uma rubrica aqui no Lume Brando. Regulamente, vou escolher e testar uma receita de um dos meus livros que nunca tenha experimentado antes, em detrimento de pratos já testados ou de receitas retiradas da net. "Um livro, uma receita", começa já aqui em cima.

O meu risotto de cogumelos.



Comer risotto fora de casa nunca foi uma experiência memorável. Ou porque estava cozido demais e não al dente, ou porque estava muito salgado, ou porque não tinha grande sabor. Por isso demorei a optar pela via Do It Yourself. Mas um dia lá me resolvi a comprar uma embalagem de risotto Gallo. Depois de ensaiar as primeiras receitas, com base nas instruções do pacote, foi fácil chegar a uma fórmula perfeita. Tão perfeita que tenho resistido a novas combinações. Até porque esta já foi aprovada não só pela malta lá de casa, como por alguns amigos e familiares. Para quem quiser experimentar, aqui fica a receita. Só não digo as quantidades exactas de alguns ingredientes, porque eu própria os coloco a olho. Quanto aos tipos de risotto, já experimentei o arborio (marca Gallo) e o carnaroli (marca Pingo Doce). Gosto mais do primeiro.

Para 2

160 g de risotto
½ litro de água ou caldo de galinha* a ferver
½ copo vinho branco
1 cebola grande
3 dentes de Alho
1 emb. de cogumelos frescos (costumo usar os mais vulgares, brancos)
Bacon
Azeite
1 folha de louro (opcional)
Vinho do Porto
Vinagre balsâmico
Sal
Queijo parmesão (ou ´grana padano’ que é ligeiramente mais barato e idêntico em sabor e textura, talvez mais suave)

Começo por refogar os cogumelos (pode fazer-se isto com antecedência e reservar): azeite, louro, a cebola quase toda, 2 dentes de alho e bacon, estes três últimos aos cubinhos, até começar a alourar. Junto os cogumelos laminados e deixo cozinhar um pouco. Junto sal, vinagre balsâmico e vinho do Porto a gosto e deixo evaporar (não exagerar pois ainda vai levar vinho branco). Deixo apurar em lume brando, até os cogumelos ficarem bastante macios e com cor. Escorro os cogumelos reservando o líquido à parte.
Noutro tacho, coloco um fundo de azeite com o resto da cebola e 1 dente de alho picados e mais um pouco de bacon aos cubinhos. Quando começar a estalar junto o arroz, deixo fritar um pouco e junto a mistura de cogumelos. Deixo cozinhar mais uns minutos e junto o vinho branco. Deixo evaporar. A partir daqui é só ir acrescentando a água ou o caldo e mexer sempre. É importante ir provando para verificar a consistência e rectificar o sal, sendo que o queijo e o caldo tipo Knorr já contribuem com bastante sal. Quando estiver perto do fim da cozedura (demora cerca de 20 minutos para o arroz ficar bem gomoso mas al dente) junto queijo ralado na altura e mexo bem. Levo mais queijo para a mesa para cada um ralar e polvilhar a gosto.

*Este é o único prato em que utilizo caldo tipo Knorr. Mas também já o fiz só com água e ficou bastante saboroso. Uma boa maneira de evitar usar o caldo industrial e garantir o sabor, e porque hoje em dia acho difícil alguém ter tempo para fazer o próprio caldo, é aproveitar o líquido que surge quando refogamos os cogumelos para perfazer a quantidade de água necessária.

Hello!



O bolo de aniversário da M.
Fazer e decorar o bolo da minha sobrinha mais nova foi uma grande aventura. Até agora só tinha feito bolos de aniversário para os meus rapazes e sempre muito simples. Mas como havia esta forma em casa da minha mãe, achei que tinha de tentar fazer uma Kitty. Um pouco aldrabada, é certo: a Kitty não tem queixo! A parte mais complicada foi escolher a cobertura branca e aplicá-la. Açúcar em pó? Chantilly? Claras em castelo? (estas opções não me pareciam grande coisa, mas a minha inexperiência dizia-me que ainda era cedo para tentar a pasta americana ou para experimentar fazer um glacé). Por fim decidi-me pelo chocolate branco de culinária. Nunca tinha usado chocolate branco e digo-vos: não é lá muito fácil. Seca muito rapidamente o que faz dos retoques uma opção ainda pior do que deixar ficar as imperfeições. O que for para aplicar tem de ser colocado logo ou então começamos a repuxar a cobertura, como me aconteceu nos bigodes do lado direito (nota-se!). Mas no geral a gata até ficou castiça. O individual rosa vivo de plástico do Ikea, esquecido numa gaveta, fez de naperon e ajudou à festa. Mas tão ou mais importante do que o aspecto do bolo, é o sabor. E esse foi aprovadíssimo, o que me deixou ainda mais contente. Por dentro, o bolo era um 'bolo mármore' amanteigado - uma receita do Tesouro das Cozinheiras, que resulta muito bem em bolos que se queiram decorar. Como a forma ainda é grande e queria um bolo alto, fiz o dobro da receita.

150 g de manteiga
175 g de açúcar
1 pacotinho de açúcar baunilhado (usei 'confeitos de baunilha' - um pó fino e brilhante)
3 ovos
250 g de farinha
1 colher de sopa de crescente (julgo que este é o termo antigo para fermento em pó)
1,5 dl de leite
1 pitada de sal (não pus uma vez que a manteiga já tinha sal)
2 colheres de sopa de bom cacau (usei chocolate em pó)
(a receita original leva ainda uma colher de café de café em pó, mas nunca ponho)

Bate-se a manteiga ou margarina amolecida até ficar em creme e incorpora-se-lhe o açúcar baunilhado, os ovos batidos inteiros e a farinha e o fermento peneirados juntos. Mistura-se bem, adiciona-se-lhe o leite e o sal. Unta-se muito bem a forma, polvilha-se de pão ralado (eu uso farinha) e enche-se com 2/3 da massa. Ao resto da massa junta-se o cacau e verte-se sobre a outra massa. Com um garfo misturam-se as duas massas ligeiramente, de modo a que a massa fique marmoreada (eu vou vertendo alternadamente as duas massas). Cozer em lume médio (no meu forno 180º é o ideal, uma vez que a minha grade mais central fica um pouco abaixo de meio e por isso acaba por cozer mais lentamente), cerca de 50 minutos ou até o palito sair seco do centro do bolo.

Ah, na cobertura, para além de chocolate branco (Pantagruel), usei chocolate de culinária Nestlé (para mim, de longe, o melhor de todos), que derreti com um pouco de leite no microondas. O chocolate branco derreti com um pouco de manteiga e leite em banho-maria, mas já depois desta aventura, disseram-me que juntar um pouco de água dá bom resultado. Os bigodes são Mikados, os olhos são M&M's de amendoim e o nariz teve de ser um Smartie - distraí-me e os gulosos lá de casa comeram-me os M&M's quase todos!

Two Fat Ladies - Quem se lembra?




Há dias, passei os olhos num blog em português chamado "Three fat ladies", em clara alusão ao mítico programa das duas chefs sénior inglesas, bem rechonchudas e divertidas, de seu nome Jennifer Paterson, que faleceu em 1999, e Clarissa Dickson Wright. E lembrei-me da minha lista de 'wish books', onde figuram vários títulos destas autoras (um dia destes publico-a aqui, não vá haver uma alma generosa que me queira fazer uma surpresa!). Aqui podem ver um trailer de apresentação do DVD de uma das séries protagonizada por esta dupla imparável, que não dava a conhecer apenas receitas, mas a cultura e a paisagem dos sítios por onde iam passando, a bordo da sua moto com sidecar. Julgo que em Portugal o programa apenas passou no cabo, no People&Arts. Ou terá passado também pela RTP2? Já não me lembro. Mas lembro-me de ficar colada ao ecrã a ver as pantominas culinárias daquelas duas. Descubram aqui algumas curiosidades, como por exemplo, o facto de Clarissa ter trabalhado durante anos na Books for Cooks, a famosa livraria temática de Notting Hill, por onde também passou a portuguesa Mafalda Pinto Leite.

Scones fáceis e rápidos



Esta receita, que me acompanha para todo o lado (levei-a comigo quando fui estudar para Braga e quando fiz Erasmus em Salamanca) andava perdida. Tirei-a de um livro antigo da minha mãe, mas não do Tesouro das Cozinheiras ou do Pantagruel, porque esses tenho e não a encontro lá (mas como são livros com centenas de páginas, talvez não tenha procurado bem). Numas arrumações, há uns meses atrás, dei com a folhinha amarelada e suja de gordura escrita a letra de adolescente! Desde aí, encostei a farinha para scones da Branca de Neve e faço estes. O L. adora ajudar-me a misturar os ingredientes e a pincelar com ovo antes de irem ao forno. Simples e rápidos de preparar, fazem um sucesso nos lanches de domingo à tarde.




Scones

225 g farinha com fermento
40 g açúcar
6 colheres de sopa de leite
1 colher de sopa de manteiga
1 ovo
sal fino (se a manteiga tiver sal, não é necessário)

Numa tigela grande, colocar a farinha. Em cima do monte de farinha, colocar os outros ingredientes e amassar ligeiramente (não amassar demasiado, é só preciso ligar os ingredientes numa espécie de crumble). Fazer bolinhas de massa e colocar num tabuleiro anti-aderente (untar com manteiga se não for anti-aderente). Pincelar com gema de ovo e levar ao forno pré-aquecido nos 180º durante cerca de 25 minutos ou até ficarem douradinhos. Obrigatório comer pelo menos 2: um com manteiga, outro com compota!

Goop by Gwyneth



Eu e a Gwyneth Paltrow somos tu cá tu lá. Pelo menos é esta a sensação que dá receber a sua newsletter semanal, muitas vezes dedicada à cozinha. Ler os seus textos faz-nos perceber que é uma mulher normal, casada e com filhos como muitas de nós, com preocupações comuns e interesses vulgares. Claro que a maioria de nós não se pode dar ao luxo de ir jantar a casa do famoso cozinheiro italiano Mario Batali, de quem Gwyneth é amiga (jantar que serviu de tema a uma das suas newsletters, com direito a receitas e tudo). E é claro que a Sra. Martin tem acesso privilegiado a tudo o que é good life, não fosse ela actriz de Hollywood com Óscar ganho pela interpretação em "A paixão de Shakespeare" (filme e prestação de que não gostei particularmente) e mulher do líder de um dos mais famosos grupos de música actuais.
Mesmo assim sabe bem lê-la. Confiram aqui. E desconfio que foi o seu gosto pela cozinha saudável que a fez pôr o nome Apple à filha.

P.S.: Obrigada B. por me teres dado a conhecer o projecto GOOP. Que seria eu sem ti na minha caminhada penosa rumo à geração web 2.0?!

Bolachas ou chupa-chupas?







Numa incursão recente pela net à procura de ideias para cupcakes (e acho que cupcakes é mesmo intraduzível, uma vez que a palavra portuguesa 'queques' não é suficiente para nos transportar de imediato ao mundo colorido e surpreendente deste género de bolos), encontrei umas originais e ternurentas bolachas 'lollipop'.

Os cupcakes 'lollipop' (vejam alguns aqui) parecem-me, pelo menos para já, ousados demais para a minha curta experiência em pastelaria. Mas as bolachas, essas, apaixonaram-me de tal maneira que não resisti a experimentar, com um resto de massa das bolachas do post anterior. Ainda que tenha agora de experimentar com outra massa, até porque esta ficou um pouco quebradiça (já tinha usado esta mesma receita várias vezes e isso não aconteceu, julgo que desta vez trabalhei demasiado a massa!), acho que para primeira tentativa ficaram lindas! E nem sequer precisei de ter pauzinhos de plástico. Os palitos normais e os palitos redondos de espetada serviram perfeitamente!
Depois de arrefecidas, pincelei com chocolate derretido (com umas pinguinhas de leite no microondas) e espalhei por cima as bolinhas de açúcar coloridas.

Depois foi só deixar secar, embrulhar, e oferecer às madrinhas dos meus filhos no Domingo de Ramos.

Mais lollipop cookies aqui. E aqui.

Bolachinhas solidárias.

A sua venda reverteu a favor de um movimento de solidariedade social. E como a Páscoa está mesmo a chegar, usei cortantes a condizer com a época, comprados para fazer companhia ao kit de 100 formas do D-mail. E já que estava com as mãos na massa, decidi fazer alguns lollipop cookies, de que falarei noutro post.





Aqui fica a receita das bolachinhas, retirada e adaptada da Blue Cooking de Dezembro passado:

250 g manteiga sem sal à temperatura ambiente
(usei Vaqueiro com sal)
½ chávena de açúcar em pó (usei açúcar normal)
1 colher chá de essência baunilha (usei ‘confeitos de baunilha’ - pó fininho e brilhante açucarado)
1 ovo à temperatura ambiente
2 + ½ chávena de farinha fina
½ chávena de amido de milho (usei Maizena)

Bater com a batedeira eléctrica a manteiga, o açúcar e a baunilha até obter uma massa fofa e esbranquiçada. Adicionar o ovo e continuar a bater até estar incorporado. Peneirar as farinhas e adicionar ao preparado anterior. Misturar com uma colher de pau.
Amassar tudo com as mãos para misturar e dividir em duas porções. Pressionar cada porção até formar um disco. Envolvê-los em película aderente e levar ao frigorífico durante 20 m. Entretanto aquecer o forno nos 180º. Forrar 2 tabuleiros com papel vegetal (se for anti-aderente não é necessário). Esticar a massa até ficar com uma espessura de cerca de 3 mm. Fazer as bolachas com as 'forminhas-cortantes' e transferir as bolachas para os tabuleiros. Levar ao frigorífico até ficarem firmes (eu não levei). Levar ao forno por 15 minutos ou até cozerem mas não dourarem (eu gosto delas douradas!). Deixar arrefecer no tabuleiro 5 m e depois transferir para uma grade própria para acabar arrefecer completamente (caso tenham a grade, eu não tenho...).

Nota: usei como medida uma chávena almoçadeira grande mas não completamente cheia. Achei uma chávena de chá muito pequena...

As minhas batatas assadas preferidas.




Mesmo que depois não sigamos uma receita de fio a pavio, há sempre algo a retirar dos minutos passados a folhear os livros do Jamie, do Gennaro (sim, tenho o Passione do homem que mais inspirou o cozinheiro inglês do momento!), da Martha (o Martha Stewart's Baking Handbook é absolutamente assombroso), da Vaqueiro ou as apetitosas Blue Cooking, só para citar os favoritos.
É por isso que digo que as batatinhas que se seguem nunca poderiam ter saído das minhas mãos há uns anos atrás. Sei que a partir de agora o tempo vai pedir pratos mais frescos e leves, mas como estive tanto tempo off, sinto necessidade de recuperar e partilhar algumas experiências do último Inverno. Como esta. De que precisei? De batatinhas Primor (aquelas batatas pequeninas 'novas' que estão na zona dos legumes refrigerados; são caras mas em dias especiais valem bem a pena), castanhas congeladas (opcional), bacon cortado aos cubinhos, alho picado, azeite, sal, tomilho fresco e vinagre balsâmico (só umas pinguinhas, para lhes conferir um tom mais escuro e um gosto adocicado). Mistura-se tudo numa assadeira (as quantidades de cada ingrediente dependem da quantidade de batatas, por isso deixo ao critério do cozinheiro). Quanto mais tempo estiverem assim, melhor ficam, mas se houver pressa, pode colocar-se logo a assadeira no forno (190º) cerca de 1 hora ou até ficarem douradinhas por fora e bem macias e saborosas por dentro. Ideais para acompanhar carne assada. Como há sempre aqueles que à mesa não passam sem arroz, quando assei estas batatas fiz também arroz de pinhões e passas. Atenção: quanto mais pequeninas forem as batatas mais depressa assam e mais saborosas ficam, por isso, se só arranjarem batata 'primor' das maiores, o melhor é parti-las...

O primeiro post a sério depois de um longo jejum.

Por onde começar? Pelo terror que está a ser alimentar o meu filho mais novo, com dois anos acabadinhos de fazer? Pelo top 10 das receitas que fui recolhendo e experimentando ao longo destes últimos três anos? Pelos livros que acabaram recentemente de lotar as prateleiras da cozinha? Pelas dúvidas e porquês que me assolam em catadupa, também no que à culinária diz respeito? Ou pelos sites e blogues deliciosos e viciantes que tenho descoberto nos últimos tempos? A escolha é difícil. Mas nada como começar pelo fim. E enquanto não organizo a lista de favoritos, aqui ficam três sugestões para ver, ler e chorar por mais, duas delas em português, ao estilo star tracker:
flagrante delícia
patrícia furtado
bakerella

Hoje é 1 de Abril, mas este post não é mentira.

Quase três anos depois, decidi voltar à cena do crime. Pode ser que compense. Até já.